terça-feira, 16 de agosto de 2016

NOTICIÁRIO ESPORTIVO REVEZA DESPREZO E ACHINCALHAMENTO, QUANDO O ASSUNTO É PALMEIRAS

Torcedores de outros times e aqueles que acompanham “por cima” o Campeonato Brasileiro-2016 dirão, como boa parte da mídia o faz, que é mania de perseguição, que é coisa de torcedor fanático. Talvez. Afinal, meu lugar de fala é o de um palmeirense que, apesar de desiludido com o futebol em geral, sente-se muito contrariado quando, por exemplo, não pode acompanhar o mais reles jogo de seu time, mesmo pelo radinho. (Mas um jogo do Palmeiras, nunca é um reles jogo.) Fanatismo seria de fato o único motivo desta queixa se a mídia ajudasse um “doente”, como eu, a perceber isenção quando ela fala sobre o Palmeiras. Só que isenção ou o esforço para obtê-la não parecem o forte das empresas de comunicação. Silêncio, desdém e minimização de vitórias e conquistas – escassas nos últimos anos, é verdade – só não são maiores do que o alarde em torno das derrotas e vexames da “Portuguesa da Turiaçu”, do “Guarani da Capital”, do “ex-grande Palmeiras”. Atenhamo-nos, contudo, à repercussão de um recente feito que, se não é notável ou não reverte em conquista efetiva, carrega um simbolismo em geral repercutido positivamente pela mídia. Em 08/08/2016, o Palmeiras confirmou o “título” do primeiro turno do Brasileirão deste ano. Pois bem. Qual a repercussão deste fato? Quase inexistente, com emissoras de rádio e televisão destacando a ascensão de Galo e Flamengo e citando o equilíbrio entre os primeiros colocados, concluídas 19 das 38 rodadas do Campeonato. No ano passado, terminado o turno inicial, o tom foi outro. O 1º lugar do Corinthians apareceu na Folha de S. Paulo  desta forma: “TIME QUE VENCE 1º TURNO TENDE A LEVAR O TÍTULO” (17/08/2015, em http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/08/1669561-time-que-vence-1-turno-tende-a-levar-o-titulo-do-brasileiro.shtml ). O site do Estadão noticiou, em 16/08/2015, o seguinte: “LUCIANO BRILHA, FAZ DOIS E DÁ O TÍTULO DO PRIMEIRO TURNO AO CORINTHIANS (em http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,luciano-garante-o-titulo-do-primeiro-turno-ao-corinthians,1745105 ). Em contraposição, neste 2016, a liderança palmeirense na 19ª rodada, quando não omitida, foi noticiada com viés negativo. Nesta chave, a Folha de S. Paulo foi mais uma vez emblemática. Apresentando a “conquista” como concessão do arquirrival, o veículo não cita o Palmeiras uma vez sequer no texto da notícia, nem no próprio título: CORINTHIANS SÓ EMPATA NA VOLTA AO PACAEMBU (página B8 do caderno ESPORTE da FSP, em http://acervo.folha.uol.com.br/fsp/2016/08/09/20 ).  Didática no achincalhamento ilustrado do Palmeiras, o site do mesmo jornal expõe essa pérola: “PALMEIRAS É CAMPEÃO DO 1º TURNO COM MENOR PONTUAÇÃO DA HISTÓRIA” (http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2016/08/1800623-palmeiras-e-campeao-do-1-turno-com-menor-pontuacao-da-historia.shtml ). Reproduzida em outros veículos do país, o conjunto dessa matéria é uma peça de "propaganda" negativa. A intenção é evidente: diminuir o Palmeiras. O jornal não se importa de comparar alhos com bugalhos, quando o objetivo é execrar o Alviverde. O exagero da referência à “menor pontuação da história” não resiste à mínima razão. Afinal, a qual história a matéria se refere? Se for a do campeonato brasileiro de pontos corridos, ela tem apenas 14 anos. Referir-se a 14 anos como História é imprecisão só sustentada pelo ódio ou pela parcialidade intencionada. A reportagem coloca sob mesma base trajetórias incomparáveis. Em 2004, por exemplo, o Santos, ao final do primeiro turno, conquistou 41 de 69 pontos possíveis. O aproveitamento do time da Vila Belmiro foi, portanto, de 59,4%. Neste 2016, o Palmeiras obteve 36 de 57 pontos possíveis, ou seja, 63,2%. Embora 63,2% seja maior do que 59,4%, para a Folha, o Santos aparece melhor do que o Palmeiras. Por fim, na disposição dos times que terminaram o 1º turno em 1º, o editor optou por colocar o ano mais recente na parte de baixo e o mais anterior,  na parte de cima.  Pode ter sido por amor à aritmética, à lógica. "Só que não".  Visualmente coerente com a intenção do jornal, o Palmeiras, como o MENOR da HISTÓRIA, aparece em ÚLTIMO. Isenção! Neutralidade! Jornalismo! Né não?! O resto é chororô dos que sofrem pelo "Guarani da Capital", como adoram dizer os torcedores rivais, tanto os meros expectadores, quanto os travestidos de jornalistas.

Em tempo: nesse último final de semana (13-14/08/2016), o Palmeiras quebrou tabu na Arena da Baixada, vencendo o Atlético-PR. As derrotas de Corinthians e Flamengo consolidaram o campeão do 1º turno na liderança do Brasileirão. O São Paulo - que perdeu  em casa para o Botafogo e flerta com a zona do rebaixamento - sumiu dos radares. Nesse contexto, qual está sendo o tom do noticiário esportivo? Qual? Olimpíadas, é claro! Que Palmeiras, que nada! E "seeeguiiii o jooooogoooo......."


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

"(...)COMO PROVA O GALILEU"


Está cada vez mais difícil a vida para quem não frequenta camarotes, espaços “vip”, “gourmet” e toda sorte de locais marcados pelas mesuras adequadas aos movimentos da Mercadoria e da Organização. É que, de forma crescente, momentos prezados por milhares - que são postos ou se colocam à margem da frescura segmentada - são obstruídos em nome de uma racionalidade que argumenta riscos à segurança, à saúde e ao patrimônio. Esgrimida com a desfaçatez habitual de quem manipula e desvirtua expressões coletivas, a razão preventiva é, na verdade, higienista, criminalizando o pequeno comércio, a diversão, a cultura e a convivência dos de baixo, cotidianamente expropriados de seu tempo e lugar.

“E, no entanto, ele se move (....)”
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