quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O ARREPIO

Assim que passar a Pássara, passará.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

TIROS de 45

Foto EFS: Sede do Banco Central, visto da Est. Galeria do Metrô (20/01/15)


Os arautos do “Mercado” – aqueles mesmos especialistas de sempre convocados às TVs, Rádios, Jornalões e Revistões – alardeiam há décadas que a alta dos juros reduziria o consumo; que a queda na procura por mercadorias, combinada à redução dos gastos públicos, engordaria a poupança e diminuiria a inflação (que dizem estar “descontrolada”); que os preços estáveis alimentariam a “confiança” a ser materializada em investimentos produtivos e, por fim, em “crescimento sustentável”. Esta  é a macroeconomia dos especialistas de um lado só, esses que  vendem o sacrifício geral como antessala da bem-aventurança. Que omitem sadicamente o sofrimento impingido à maioria; que não dizem que os pouquíssimos  beneficiados durante o sacrifício serão exatamente os mesmos escolhidos após o interminável purgatório.

Ao contrário do que sustenta o “Mercado” e a grande Mídia, juros altos, redução de benefícios sociais e retração de gastos correntes apenas deprimem o consumo global e concentram renda.  Por quê? Porque aqueles que passaram a poupar mais, durante a queda no consumo,  preferem aplicar seus recursos em títulos e não em investimentos produtivos. Tais títulos, remunerados pelos altos juros,  rendem mais dinheiro e tranquilidade  do que a contratação de empregados ou a criação de negócios. Em contexto de altos juros e demanda reprimida, possíveis investidores veem mais chances de enriquecer com títulos do que com a ampliação de uma fábrica. O pior é que toda essa espiral recessiva acaba por agravar os males que pretende combater, que são: a paralisação da economia e a situação financeira do setor público.  Isso porque a alta dos juros inibe o investimento, reduz a atividade econômica,  deprime a receita tributária e eleva os encargos de parte da dívida interna, consequências que tornam a deteriorar as contas públicas.  

Antagônicas ao impulso desenvolvimentista – verificado principalmente de 2009 a 2012 – e contrárias à retórica de campanha, as medidas recentemente anunciadas pelo Governo Federal rumam para a concentração de renda e  queda no emprego.  Não se depreende desse início de 2º mandato de Dilma qualquer movimento  que deixe de implicar ganhos para os rentistas e perdas para a massa trabalhadora.   Em que pese a justificativa de eliminar distorções no seguro-desemprego e a necessidade de qualificar o gasto público, tornando-o mais eficiente, as políticas de arrocho fiscal se chocam com os interesses da maioria despossuída.

Longe de julgar o governo recentemente reeleito, há quem aponte o esgotamento do modelo seguido já há 12 anos, qual seja: a combinação de equipe e política econômicas via de regra conservadoras com programas sociais focalizados e ganhos reais do salário mínimo indutores de  crescimento moderado, redução da desigualdade e aumento do emprego formal. É que a significativa inclusão social a que assistimos há mais de década – responsável pela queda nos desníveis de renda e pela ascensão de uma nova classe trabalhadora – tem encontrado limites na qualidade das ocupações geradas, na insuficiência dos serviços públicos e privados e num ambiente cultural cujo horizonte é o consumo desenfreado e a desmobilização política. 

Acomodado à lógica parlamentar e aos canais de financiamento de campanha, lícitos ou não, o PT perdeu seu impulso originário e, na prática, ignora temas como  “tarifa zero”, novo marco regulatório da radiodifusão, reforma agrária, tributária e urbana, dentre outros. Inoperante na comunicação e incompetente na gestão das  alianças, o Governo cerca-se de inimigos. Instala-os, por deliberação, negligência ou omissão, nos cargos-chave da República.   

Enfraquecidos pela Direita, por dentro e fora do Governo,  e criticados por setores mais à esquerda , Dilma e  PT parecem entregues às versões de um só lado. Da estagnação ao “mar de lama”, do espetáculo da sujeira seletiva – “mensalão” e “petrolão” – ao desmonte  do projeto de crescimento econômico com inclusão; reina o cinismo dos grupos social e ideologicamente dominantes que, para minar o Governo, lançam-lhe críticas formuladas até por quem desprezam.  Simplifico: é a turma que odeia cotas e legislação trabalhista mostrando-se “”preocupada”” com recessão e seguro-desemprego. E em vez de reagir, PT e Dilma, quando não miram equivocadamente nos novos movimentos sociais, como o MPL, parecem mais propensos ao suicídio. Com tiros de 45.