quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A INFLAÇÃO DA INFLAÇÃO


















O alerta de que a economia  brasileira estaria na iminência da “volta da inflação” intensificou-se nos dois últimos mandatos presidenciais.  Basta o impacto de algum fator sazonal (entressafra de hortifrutis, por exemplo) para que nosso isento jornalismo econômico destaque com gravidade e urgência acréscimos de segunda casa decimal no IPCA. Para tornar mais crível a preocupação dos analistas com os rumos da economia, as editorias mudaram até a forma de anunciar os índices. Como? Anteriormente, era destacada a inflação mensal; de uns anos para cá, entretanto,  garrafal e chamada já vêm com a INFLAÇÃO ANUALIZADA. Assim, em vez de anunciarem o 0,01% do IPCA de julho/2014, técnicos e jornalistas alarmam que, no referido mês, a inflação chegou a 6,50%, atingindo o teto da meta usada como referência pelo próprio governo. Só depois, sem alarde, é que comunicam que os 6,50% se referem ao acumulado observado nos últimos 12 meses, isto é, de agosto de 2013 a julho de 2014.  De forma que se cristalizou na opinião pública a percepção de que a estabilidade monetária dos governos FHC teria sido abalada nos governos Lula-Dilma. Tal sensação produzida pelos prestigiosos guardiões de nossa liberdade de expressão; digo, a crença de que o "dragão da inflação" está de volta não se sustenta nos fatos. Ao engenhoso Plano Real – para o qual Fernando Henrique Cardoso  arregimentou idealizadores e operadores – seguiram-se políticas econômicas que, com cautela (excessiva até), combinaram  inflação cadente e taxas de juros menos escandalosas.  Quem se apoia nos dados divulgados pelo IBGE e na mais elementar aritmética pode afirmar que a inflação brasileira apresenta consistente queda de 1995 para cá.  A análise elaborada por este PAINEL (vide gráfico acima) mostra que – considerando os primeiros mandatos de FHC, Lula e Dilma –  a menor inflação acumulada é a observada no governo DILMA (27,15% em 04 anos, contra 28,20% e 43,46% nos 04 anos iniciais de Lula e Fernando Henrique, respectivamente). Em suma, a  ideia de que  a inflação tucana era mais baixa e controlada do que a “petralha” fica devendo tanto às quatro operações, quanto à busca da isenção e verdade factual.