sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

DESTRA SITUAÇÃO SINISTRA


Filmagem de CAIO CASTOR (membro da comunidade Favela do Moinho/SP)

É tão evidente quanto assustadora a tentativa reaça de enquadrar como criminosos os manifestantes e movimentos sociais que têm pautas igualitárias. Mais cristalina ainda é a forma como a Direita estigmatiza aquilo que é característico das democracias em construção: o conflito.  À turbulência das manifestações – por terra, moradia, transporte público, regulamentação da radiodifusão, contra a homofobia e pelo combate ao racismo, para citar apenas algumas – associa-se a imagem da violência, do caos, do desgoverno, da corrupção generalizada, do fim do mundo. As reportagens sobre a iminência de explosão inflacionária (cujo risco não existe)  são sucedidas por relatos de uma desordem que seria perpetrada por assassinos individuais e coletivos, agindo na ausência da sanção legal –  na inexistência de um alentado rigor repressivo. Como contraste é oferecido ao leitor, ouvinte ou telespectador o que seria o país real: responsáveis cidadãos de bem escorchados por impostos, temerosos da insegurança e, quando cansados de “tudo o que está aí”,  protagonistas de pacíficas manifestações  contra a corrupção ou concentrações a favor da paz. Nesta banda aparece tanto o bípede sadio, cuja noção de Direito se restringe ao lema “eu tô pagando”, quanto a azáfama de similares individualistas e moralistas. Mas também tem se tornado frequente a aparição de um perigoso contingente: envoltos com a bandeira do Brasil, rostos descobertos e se sentindo em casa no espaço deixado por inadmissível tolerância, os NAZIFASCISTAS atendem não só ao padrão estético racista, bem como perseguem a eliminação física dos vermelhos de sangue e bandeiras de luta.  Por outro lado, as dissensões entre o governo petista e seus opositores de esquerda, por mais razões que tenham estes e aquele, soam como música para o poder econômico e ideológico hegemonizado pela Direita. E aí está embalada a destra aposta na Copa e na manipulação das já previstas manifestações – antessalas do embate eleitoral.  É certo que  a chantagem do mal maior, às vezes empunhada por governistas, não deve arrefecer a combatividade de manifestantes e movimentos nas lutas por justiça social. Até porque, no cotidiano de embates, no chão da rua, muitos lutadores sociais  tiveram e têm experiências com petistas por vezes piores do que as travadas com gestões declaradamente antipetistas.  É triste, afinal, se não odioso,  ver um governo que se diz trabalhista assumir abertamente pautas reacionárias, como a Lei Antiterror.  Porém, se as análises e ações das oposições de esquerda  tratarem os períodos Lula-Dilma como quaisquer outros já existentes “na história deste país”, apenas acenderão o pavio para a explosão almejada pela Direita; abrindo caminho para um golpe civil, legitimado pela mídia e  legalizado pelo STF.