sexta-feira, 3 de maio de 2013

ATÉ MUDAR A CARA DA NAÇÃO

Intensifica-se a campanha catastrofista em busca de novo aumento das taxas de juros. Segundo ela, o Brasil estaria rumando para o caos inflacionário. A meia dúzia de famílias que controla a radiodifusão no país sabe quem entrevistar para reverberar sua baba oportunista. Não bastassem as viúvas do FHC – Merval, Sardemberg, Leitão, Jabor, toda a rapa do Estadão, Folha e Veja, mais os irmãozinhos do W. Waack – há uma porção de professores, políticos e profissionais – aliás, sempre os mesmos – que se agarram aos microfones para alarmar a nação do perigo que correm seus filhos. Paulinho “da Força”, sempre pensando no coletivo , organiza seminário sobre crise inflacionária com grandes pensadores econômicos brasileiros: Eduardo Campos e Aécio Neves. A Band, tão sofisticada quanto sua grade de programação cada vez mais neopentescotal, faz campanha pela redução da maioridade penal, em coro com o excelente governador Alckmin, este luminar do desapego e dos direitos humanos. E assim vamos bem, com este monte de gente que acha que sair por aí humilhando os que lutaram contra a ditadura civil-militar, por exemplo – só pra citar um dos impropérios do Lobão, este ícone da alta classe mérdia paulistana – é mais exercício de liberdade de expressão do que pura escrotice. Neste caso específico, do roqueiro burga zona sul, ocorre algo mais sintomático ainda.
A própria meia dúzia da radiodifusão reconhece – timidamente, é verdade –que o irmãozinho do Roger e do Marcelo Tas tem exagerado nas patacoadas; mas é de surpreender o tanto de gente que não só concorda com as imbecilidades do rock errado, como também sai dizendo por aí que o Brasil e os brasileiros estão sendo vítimas de uma espécie de protofascismo vermelho e racista ao reverso. O pior é que, com esse tipo de argumento, as elites bronzeadas da Barra e da Gávea, dos Jardins e de Higienópolis, se julgam o sumo da competência e da sofisticação intelectual, mas extorquidas por petistas fracassados e ressentidos, defensores de cotas e cobradores de impostos......Que reflexão sobre o Brasil, não? Impressionante. O “descalabro inflacionário”, a panaceia redutora da maioridade penal e os ui ui uis do Lobo bobo e sequazes são variações de uma nota só. Que elas permaneçam – há quem goste – mas que muitas outras sejam entoadas. Mais alegres. Menos encruadas. Até mudar a cara da radiodifusão e mitigar a influência da farsa impressa nos jornais.

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