sexta-feira, 24 de maio de 2013

A EXPANSÃO DAS NUMERADAS

E para coroar a babaquice, Copa do Mundo. Num processo que vai da extinção das gerais à construção das Arenas, a Copa concluirá o projeto de excluir definitivamente o povo do futebol. O intento lucrativo – que tudo legitima neste tosco mundo comandado retórica e praticamente por executivos e aspirantes a sê-lo – tratou de forjar oportunidades de ganho que implicaram o combate progressivo a características culturais e sociais que colocaram por décadas o Brasil no estado da arte em termos de futebol. A despeito da complexidade das relações de causa e efeito dessa dinâmica, o fim da Geral, o império da televisão, os altos preços dos ingressos, a abordagem almofadinha do problema da violência nos estádios e seu entorno, a proibição das barraquinhas de calabresa e cachaça, o óbito dos clássicos com torcidas meio a meio, a proibição dos fogos e das bandeiras, a crescente babação de ovo sobre a “Champions League”, a substituição do samba pelo “pop” como trilha de fundo das pelejas; todos esses fatos, para além dos tempos que são outros, expressam um futebol higienista e antipopular. Vendidas por interessados como sendo a chegada da Civilização ao esporte, tais mudanças excluem o povo e tornam o futebol brasileiro refém de clientes e consumidores.  
Os torcedores, como os do vídeo acima e os da foto de abertura, são substituídos por típicos espectadores de vôlei, basquete, tênis etc que passam a ir aos estádios e a apreciar o futebol, como se estivessem numa palestra motivacional. As arquibancadas que ainda restam já estão cheias de clientes querendo guardar o seu lugar quando voltam do banheiro.... E é justamente no espaço de dúvida que enseja a discussão sobre se esta babaquice é ou não expressão de cidadania; é justamente aí que o capital avança e expande as numeradas, que lhe são de origem, às consciências e práticas, que lhe são submissas. 

E depois não me venham perguntar por que, EM QUALQUER HIPÓTESE, eu não torço mais para a seleção brasileira....

sexta-feira, 17 de maio de 2013

.......

Estou extremamente comovido com mais uma EDIÇÃO IMPARCIAL do JORNAL NACIONAL. A imparcialidade atingiu seu ponto alto na cobertura do jogo SCCP e BJ-ARG. É exatamente a mesma imparcialidade e seriedade com a qual a REDE GLOBO costuma tratar o MST e a FIESP, FHC e LULA, ISRAEL e PALESTINA. Exemplares sem par de verdade visual e narrativa. Que arbitragem ruim, não? E como essa torcida alvinegra é tão demais de demais de demais de demais, de inexistir outra que chegue perto dela, não? Que roubo, não? Que malvados esses argentinos, não? Nossa.... que injustiça com "a fiel", não? Que coisa, não? Poxa vida, não? Juro que vou rezar para os alvinegros. Afinal , essa turma tem qualidades tão extraordinárias que, além de monopolizarem o sofrimento, detêm exclusividade sobre a genuína força, sobre o verdadeiro sucesso e sobre a redentora superação. Papai do céu, dê tudo de bom para essa rapaziada - time e torcida - tão acima do acima do acima. OBRIGADO, REDE GLOBO, por me fazer ver e entender o que é o futebol e quem realmente está acima do bem e do mal.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

ÀS (IN)ATINGÍVEIS


Ofereço esta do fora de série, mais do que mestre, ALDIR BLANC, às pernas abertas da Monique e às de todas aquelas que fizeram, fazem e farão jus aos meus maiores vexames.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

ATÉ MUDAR A CARA DA NAÇÃO

Intensifica-se a campanha catastrofista em busca de novo aumento das taxas de juros. Segundo ela, o Brasil estaria rumando para o caos inflacionário. A meia dúzia de famílias que controla a radiodifusão no país sabe quem entrevistar para reverberar sua baba oportunista. Não bastassem as viúvas do FHC – Merval, Sardemberg, Leitão, Jabor, toda a rapa do Estadão, Folha e Veja, mais os irmãozinhos do W. Waack – há uma porção de professores, políticos e profissionais – aliás, sempre os mesmos – que se agarram aos microfones para alarmar a nação do perigo que correm seus filhos. Paulinho “da Força”, sempre pensando no coletivo , organiza seminário sobre crise inflacionária com grandes pensadores econômicos brasileiros: Eduardo Campos e Aécio Neves. A Band, tão sofisticada quanto sua grade de programação cada vez mais neopentescotal, faz campanha pela redução da maioridade penal, em coro com o excelente governador Alckmin, este luminar do desapego e dos direitos humanos. E assim vamos bem, com este monte de gente que acha que sair por aí humilhando os que lutaram contra a ditadura civil-militar, por exemplo – só pra citar um dos impropérios do Lobão, este ícone da alta classe mérdia paulistana – é mais exercício de liberdade de expressão do que pura escrotice. Neste caso específico, do roqueiro burga zona sul, ocorre algo mais sintomático ainda.
A própria meia dúzia da radiodifusão reconhece – timidamente, é verdade –que o irmãozinho do Roger e do Marcelo Tas tem exagerado nas patacoadas; mas é de surpreender o tanto de gente que não só concorda com as imbecilidades do rock errado, como também sai dizendo por aí que o Brasil e os brasileiros estão sendo vítimas de uma espécie de protofascismo vermelho e racista ao reverso. O pior é que, com esse tipo de argumento, as elites bronzeadas da Barra e da Gávea, dos Jardins e de Higienópolis, se julgam o sumo da competência e da sofisticação intelectual, mas extorquidas por petistas fracassados e ressentidos, defensores de cotas e cobradores de impostos......Que reflexão sobre o Brasil, não? Impressionante. O “descalabro inflacionário”, a panaceia redutora da maioridade penal e os ui ui uis do Lobo bobo e sequazes são variações de uma nota só. Que elas permaneçam – há quem goste – mas que muitas outras sejam entoadas. Mais alegres. Menos encruadas. Até mudar a cara da radiodifusão e mitigar a influência da farsa impressa nos jornais.