sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

"NÃO PÕE CORDA NO MEU BLOCO, NEM VEM COM TEU CARRO CHEFE"


Momento privilegiado para inversão de condutas e papéis, o carnaval tem um potencial subversivo que é cada vez mais domesticado pela indústria do imaginário. De um lado, e isso há muitos carnavais, a euforia desse tempo suspenso é limitada ao consumo desenfreado, o que arrefece os ânimos dos foliões estenderem a ‘bagunça’ do empregado virar patrão para além dos três dias que são quatro. De outro lado – e isso é mais triste, porque tem se intensificado vertiginosamente nos últimos anos – o sambista, que antes era o protagonista da inversão alegórica ou real, assume o discurso patronal e o transfere para o seu reduto, para a sua quebrada, para o seu tempo e espaço. Pressionado pelo discurso da eficácia e da eficiência, típico das mais vagabundas retóricas de autoajuda gerencial, o sambista ilude-se com a empulhação do algoz e transforma o carnaval num martírio, cuja recompensa será o reino dos céus, ou quem sabe um dia o 1º lugar na Globo (é esse, então, o motivo de toda história e luta???). O sambista está sério. O sambista não sorri. O sambista não samba. O sambista se mata com sua servidão voluntária. Como eu não me conformo mas sorrio; como eu não me entrego mas brinco; escancaro no meu jeito folião a alegria que, apesar de tudo, existe em mim. E ofereço aos exagerados NÃOS, que ouço de quem eu não deveria ouvir, esta beleza do João e do Aldir.

Um comentário:

Lanlan disse...

É, não pode deixar de brincar o carnaval, mas o que se sente no peito é algo do contra e tem que meter bronca nesse samba plataforma...