segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

"Precariado" e "Grande Crise Rastejante"


Procurando algo interessante na REDE – não, não é a oportunista, ‘cult’, ‘light’ e pós-pós organização partidária da Marina Silva, da Helóisa Helena e de grande$ empresário$ $u$tentávei$ – deparei-me com algumas discussões mesclando abordagens sobre a crise atual da economia capitalista com a trajetória da esquerda brasileira. Nos dois primeiros vídeos há um instigante debate dos professores André Singer e Ruy Braga. Eles discutem em que medida a incorporação do subproletariado (ou do ‘precariado’) ao consumo implica inquietação ou entorpecimento.

Nos vídeos posteriores, o professor Paulo Arantes discorre sobre a originalidade do pensador e militante da LIBELU, Vito Letizia, cuja obra deve ser conhecida por todos aqueles que se interessam pela compreensão e transformação radical da sociedade. Confesso que, do alto de minha ignorância, nunca ouvi falar do Vito e, desde já, agradeço aos responsáveis pela difusão de sua trajetória e pensamento. Mais detalhes a respeito no próprio youtube, mas principalmente no   http://interludium.com.br/

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

"NÃO PÕE CORDA NO MEU BLOCO, NEM VEM COM TEU CARRO CHEFE"


Momento privilegiado para inversão de condutas e papéis, o carnaval tem um potencial subversivo que é cada vez mais domesticado pela indústria do imaginário. De um lado, e isso há muitos carnavais, a euforia desse tempo suspenso é limitada ao consumo desenfreado, o que arrefece os ânimos dos foliões estenderem a ‘bagunça’ do empregado virar patrão para além dos três dias que são quatro. De outro lado – e isso é mais triste, porque tem se intensificado vertiginosamente nos últimos anos – o sambista, que antes era o protagonista da inversão alegórica ou real, assume o discurso patronal e o transfere para o seu reduto, para a sua quebrada, para o seu tempo e espaço. Pressionado pelo discurso da eficácia e da eficiência, típico das mais vagabundas retóricas de autoajuda gerencial, o sambista ilude-se com a empulhação do algoz e transforma o carnaval num martírio, cuja recompensa será o reino dos céus, ou quem sabe um dia o 1º lugar na Globo (é esse, então, o motivo de toda história e luta???). O sambista está sério. O sambista não sorri. O sambista não samba. O sambista se mata com sua servidão voluntária. Como eu não me conformo mas sorrio; como eu não me entrego mas brinco; escancaro no meu jeito folião a alegria que, apesar de tudo, existe em mim. E ofereço aos exagerados NÃOS, que ouço de quem eu não deveria ouvir, esta beleza do João e do Aldir.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"OS TRÊS DIAS SÃO QUATRO" ou "SÓ UMA PLANTA DÁ SARDINHA EM LATA EM PLENA BEIRA DE MAR: É COQUEIRO!"

















A seguir, um trecho da crônica NÓS, OS FOLIÕES. Da autoria de FERNANDO SZEGERI, esse texto é o mais belo e prazeroso que li sobre o Carnaval. Dedico-o especialmente aos encruados. Esses, para demonstrarem a superioridade que pensam ter, falam de uma essência que ignoram e, como fecho de ouro de sua sabedoria de fachada, divulgam a tendenciosa e amarga fala da apresentadora Raquel Sherazade que, pelo mau humor, surpreende-me estar na adorável e bela Paraíba. O afetado discurso da moça parece-me próprio dessas paulistanas (e paulistanos) de classe mérdia, especialmente os tecnoburocratas das firmas, que vivem reclamando de barriga cheia e arrotando "horror" ao carnaval e a tudo que dialoga com o universo popular. Você, caro leitor, se ainda não recebeu, receberá de algum encruado o vídeo "A verdade oculta do carnaval" e constatará a tendenciosa afetação reacionária da cidadã (e de seu colega). Mas não, meu querido e minha querida: pega um copo ali no balcão para compartilharmos a cerveja, que eu espero fumando você ler essas belas palavras do Fernando.

“(...) O folião, na quinta, sexta-feira que precedem os dias de Carnaval, encara as pessoas na rua, no ônibus, com uma acachapante superioridade. Tem pena de seu patrão, despreza o seu senhorio. Ele sabe, no íntimo, que a cidade lhe pertence, que as coisas na verdade não são como parecem na maioria dos dias; que a superioridade que o capataz lhe cospe reiteradamente às faces è uma ilusão que lhe custará caro. São chegados os dias em que tudo assume a sua feição verdadeira, em que as máscaras cinzentas que foram impostas à realidade são impiedosamente arrancadas. Essa efêmera, mas irrefutável prova sobre o verdadeiro estatuto das coisas lhe propicia um inexprimível sentimento duplo de superioridade: por ter consciência desta realidade e por saber-se o senhor livre e soberano de seu próprio destino. 

É por isso que ao folião repugnam as pessoas que simplesmente ignoram o Carnaval. Não as que o odeiam. Ele compreende que para os que se arvoram em donos das coisas e dos destinos nos outros trezentos e sessenta e um dias, a visão crua da realidade absolutamente diversa lhes seja insuportável. Aos que francamente detestam o Carnaval o folião responde com um sorriso de aviso: não tentem interferir no desvelamento essencial desses dias; contenham-se nos limites de sua mentira. Mas aos que ignoram o Carnaval, que estampam em suas faces lânguidas e mortas a sua estupidez indiferente, o folião devota, muito mais que piedade, um ódio secreto, um desprezo absoluto pela incapacidade de exercerem um atributo tão fundamental e tão simples de sua humanidade. 

E enfim é chegada a hora, uma vez mais, de arrastarmos pelas ruas nossas solidões, do esforço – a cada ano maior – em disfarçar a lágrima sob a máscara. Os joelhos, mais cansados, de novo terão de suportar meu corpo, mais gordo e mais pesado, de um fardo de dores e tristezas e medos. As sapatilhas ainda mais rotas, de tanta lama de tanta estrada, sofrerão novamente para me conduzir por uma jornada errante à procura do que a gente toda julga evidente, mas, em verdade, a cada dia mais se esgueira pelas vielas estreitas e becos recônditos. 

Porque o Carnaval, senhores, não é isso que está aí jazendo sob os olhos. Por mais que nos regozijemos, por tanto que nos tenhamos para isso empenhado, não é possível nos deixarmos enganar tão facilmente! Assim eles querem, assim eles agem. Querem nos fazer crer que vencemos, que se renderam; que as ruas tomadas de gente e de música são a coroa da nossa vitória. Mas posso eu acreditar num Carnaval que não seja negação? Que se tenha sob tantas formas oficializado, vá lá! Transformou-se, aqui e ali, em coisas outras que guardam, indiscutivelmente, parte da beleza e força de sua origem popular, a despeito de não serem mais o Grande Carnaval! Este, ao contrário, continua tendo o poder imenso e perfeitamente ordenado (de uma ordem outra, por certo) de transformar e subverter. E por isso não se deixa colher em qualquer esquina repleta de barulho e animação. Refugia-se nos pequenos gestos de gentileza, na cumplicidade dançante, nos sorrisos envelhecidos. (....)” 

Digitado do maravilhoso livro OUTONO DO MEU TEMPO, de Fernando Szegeri, publicado agora em dezembro de 2012.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

"LEI, PORRA NENHUMA!!!!!" (aos 40 min e 09 seg do vídeo)



Quem se apega demasiadamente ao formalismo parlamentar e jurídico muitas vezes negligencia o conteúdo social do que se legisla e se julga. Desconsiderar procedimentos pode ser um risco, mas tomar os ritos democráticos como fins em si explica o porquê de muitos pobres olharem com desdém para essas coisas da lei. Aos 40 minutos e 09 segundos deste filme, o excelente Milton Gonçalves, interpretando o sambista Natal, protagoniza uma das falas que mais me dá prazer no cinema nacional. Sinto-me representado por ela. LEI, PORRA NENHUMA!!!!

De resto, a atuação de alguns ilustres não atores, como o fantástico escritor Fausto Wolff, faz com que o interesse pelo filme rompa as barreiras da cansativa, colonizada e tola babação de ovo paulishshsta pela gloriosa e bela Portela.