sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O FATO DO DOMÍNIO PELO DOMÍNIO DO FATO



















Não é de hoje que a opinião pública, sustentada pela confrontação racional de argumentos divergentes por titulares de interesses diversos, tem sido subvertida pela mera exposição de célebres preferências orientadas pelo princípio da credibilidade, ao gosto do marketing. Os processos de narração, descrição, análise e julgamento da realidade passam a ser conferidos aos especialistas e funcionários autorizados das empresas de radiodifusão e da grande imprensa pertencentes a um punhado de famílias que se julgam mártires da democracia no Brasil; exatamente as mesmas famílias que apoiaram o golpe civil-militar de 1º de abril de 1964 e conspiram incansavelmente contra governos trabalhistas, agora nutrindo o sonho de verem Lula por trás das grades e o impeachment de Dilma Rousseff. O espetáculo do “mensalão”, a execração pública de lideranças políticas, a criminalização dos movimentos sociais e a grita contra impostos por quem não paga imposto compõem a face ‘pop’ da virtualidade que estende tapete vermelho, acende holofotes e profere elogios a tudo que se associa à visão gerencial e financeira do mundo. Visão que reduz a cultura, a política, a economia e a sociedade à oportunidades de alavancagem privada e que, ao perpetrar esta violência, sai coroada de virtude e com aura edificante. 

A seguir, Marilena Chauí aborda o tema da liberdade de expressão para dar amparo à urgência de se regulamentar democraticamente a radiodifusão no Brasil, tema do qual Dilma Rousseff tem fugido – o que pode contribuir para o impedimento precoce de seu governo e para a instalação de nova ditadura civil, com o aval daqueles que operam o fato do domínio pelo domínio do fato.

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