quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

PAGODEIRO, MALOQUEIRO E PALMEIRENSE! QUAL O PROBLEMA!?

















O astro do assim chamado “pagode”, Thiaguinho, xingou o Palmeiras e os palmeirenses no começo desta semana. O episódio aconteceu na comemoração do título mundial do Corinthians. Entusiasmado com a conquista, o cantor não se conteve e, em carro aberto pela cidade, em vez de exaltar o seu clube, passou a ofender o rival alviverde. Falta de noção completa. Atitude, sob todos os aspectos, deplorável. Como palmeirense, eu teria motivos para revidar ou para ignorar as ofensas, mas abordarei outro aspecto. 
Uma parcela da torcida alviverde – articulada na rede de computadores – utiliza-se desse tipo de infelicidade para associar à oposição Corinthians x Palmeiras um antagonismo que existiria entre o Samba e o Rock. O Corinthians estaria para o Samba, assim como o Palmeiras, para o Rock. Se a rivalidade entre a gambazada e a porcada dispensa qualquer explicação, a associação dos times às manifestações culturais e gêneros musicais não é fácil de justificar. Parte dos palmeirenses com veia roqueira aproveita-se de episódios como esse para se declarar ímpar, portadora de cultura superior, de educação formal acima da média, de valores e modos de vida compatíveis com o que julgam sinal de desenvolvimento. 
Desprezando o Brasil, associam às escorregadas como à de Thiaguinho uma série de características étnico-sociais das camadas populares e passam a operar no limite do preconceito. Ressentem-se da grande quantidade de nordestinos que são palmeirenses; dos milhões de negros alviverdes; da GRES Mancha Verde etc. Ainda bem que esses roqueiros obtusos estão em menor número do que imaginam e, por onde ando, encontro mais gente que compartilha orgulhosamente de nossa matriz tipicamente brasileira.
Recorrer ao estereótipo do Brasil como país do samba e do futebol é um risco; mas peço aos palestrinos fãs das guitarras que, ao rejeitar patacoadas, façam as devidas ressalvas para não protagonizarem outras escrotidões. De minha parte, curto muitos rocks e blues. Mas, se tiver que escolher, fico com o samba. Sou baianão, sou do pagode sem aspas, sou maloqueiro. E palmeirense! Quem não gostou, que fique longe de mim ou “volte para o seu lar”. 

3 comentários:

Douglas Germano disse...

Como foi infeliz esse cara. Nitidamente não tem noção do que representa. Agora, pra paulistanada, qualquer exemplo ruim que se possa associar ao preto, ao samba, ao nordestino, ao pobre, ao futebol, é prato cheio pra arrotarem as impressões medíocres e preconceituosas.

Rogério disse...

Assusta-me, o patrulhamento. Qualquer tipo de patrulhamento, qualquer um mesmo...

Assustava-me quando o samba era marginalizado e me assusta hoje, o patrulhamento cheio de ranço do cara do samba, que acha que é mais brasileiro que o cara das guitarras. Sim eu gosto de rock e gosto de blues , o blues do negro, do branco, do japonês, de todo mundo (embora também exista um patrulhamento que diz que é feio não gostar de blues – puta coisa chata). Aliás, nem discuto... há quem diga que som brasileiro é o chorinho, vejam só.

Vejo uma intensa campanha pró samba. Bacana, legítima, brasileira! Só não faço campanha pró rock... sei lá, acho que não tem necessidade. Quem não quiser que não escute, simples, leve, silencioso assim...

Que bom que o samba saiu da margem, hoje é cult até (quem diria)... O que o tio da guitarra aqui diria para os senhores do tambor é que assim como o rock errou, o samba está ficando reaça, como nossos pais.

Sobre Thiaguinho, confesso... não conhecia. Como torcedor palmeirense, (humildemente) penso que ele que xingue quem quiser, problema dele. Porém, espero que não seja bem recebido pelos que usam a camisa verde com o P no peito. Todavia, também não vou patrulhar e dizer o que um torcedor pode ou não dizer. Que ele apenas aguente a reação de sua ação. E espero que essa seja a simples rejeição...

Quanto a ficar longe de ti, foi mal... o paulista sem preconceito aqui (rapaz, eu amo a Bahia) entrou por acaso, camarada, nem pretendo voltar (bairrismo é um direito seu, de todos, mas que não usufruo)! Mas quanto ao lar (sem aspas), meu caro... esse alviverde, que habito, é meu. É seu. É de todos os brasileiros de coração, verde e branco, não importa a cor da pele, como não deveria importar o gosto musical.

Sambistas... sejam felizes: vivam o som de vocês. Nós, os da guitarra, de coração não nos importamos com vocês. Façam o mesmo. Cada um na sua.

Everaldo Efe Silva disse...

Rogério, onde eu assino o que você escreveu? Minha encrenca é com os roqueiros palmeirenses que se utilizam das bobagens de um Thiaguinho para destilar seu preconceito, usando o rock e o Palestra como escudo. Definitivamente, não falei de você. Aliás, no samba tá cheio de reaça pra caralho: tanto na estética, como na política. E o "volte para o seu lar" tem mais a ver com a letra da música que postei do que com qualquer intenção similar à xenofobia. Aliás, a dita é um ijexá bem pop da Marisa Monte e do Arnaldo Antunes, com guitarra e tudo. Mas, bicho, o que eu ouço e vejo de merda usando o Palmeiras e as porras do que qualquer rockeiro ou sambista dizem por aí....Ave Maria! Dá medo. Dá medo não; dá raiva. Tem rock e samba na minha casa. E, tendo predileção pelo alviverde Palestra, não vejo problema algum em qualquer um gostar do que quiser, desde que não seja exclusivista ou queira associar o seu time a esse ou àquele gosto musical, ou o que for. Meu texto é simplesmente uma reação à ação, porque quando vejo nego palmeirense dizendo que "pagode", cavaquinho e churrasco é coisa de corinthiano, bicho, eu quero é matar o estrupício. Só que, em vez de fazê-lo, eu escrevo um texto. Pode até estar mal escrito, mas considero um legítimo desabafo. Sinceras saudações palestrinas,
Everaldo Efe Silva