sexta-feira, 30 de novembro de 2012

DE Douglas Germano para a Nenê de Vila Matilde À Economia e Matemática



Em meio à “corrida do ouro, progresso, sucesso” e aos “papeis importantes” que “confundem a mente”, resta-me um dos mais belos sambas em homenagem à Nenê de Vila Matilde. Além das biritas, que me entorpecem, sambas como DEIXEI MEU CORAÇÃO NA VILA, mantêm-me vivo, se não como dantes, ao menos digno. É clicar e ouvir.  
A utilização da Matemática em Economia responde à tentativa de se formalizar modelos descritivos da realidade. A simplificação das premissas, necessária à construção das hipóteses, concorre com a múltipla determinação das variáveis estudadas. Por isso, a elegância do modelo pode colidir com seu potencial explicativo. Um modelo matemático que tenha como objeto o comportamento dos preços em um determinado mercado pode ter tantas ressalvas que talvez explique pouco. Não bastasse essa dificuldade, alguns grupos muito específicos se utilizam da Matemática para encobrir $eu$ intere$$e$. Construindo uma aura que relega a Economia aos “muito entendidos”, os sabichões determinam “cientificamente” as taxas esperadas pelo “Mercado”. Acontece que os sabichões são o “Mercado”. O economista José Carlos de Assis e o físico Francisco Antonio Doria falam de forma esclarecedora sobre essa questão na entrevista concedida a Luis Nassif, a seguir:

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

ZUMBI, COMANDANTE GUERREIRO! OGUNHÊ, FERREIRO-MOR CAPITÃO! DA CAPITANIA DA MINHA CABEÇA! MANDAI A ALFORRIA PRO MEU CORAÇÃO!!!!!


Zumbi (A felicidade guerreira)
Ilustração de OGUM extraída do http://candombleeseusmisterios.blogspot.com.br

Gilberto Gil
Waly Salomão

Zumbi, comandante guerreiro
Ogunhê, ferreiro-mor capitão
Da capitania da minha cabeça
Mandai a alforria pro meu coração

Minha espada espalha o sol da guerra
Rompe mato, varre céus e terra
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira
Do maracatu, do maculelê e do moleque bamba 

Minha espada espalha o sol da guerra
Meu quilombo incandescendo a serra
Tal e qual o leque, o sapateado do mestre-escola de samba
Tombo-de-ladeira, rabo-de-arraia, fogo-de-liamba

www.cidadedosaber.org.br
Em cada estalo, em todo estopim, no pó do motim
Em cada intervalo da guerra sem fim
Eu canto, eu canto, eu canto, eu canto, eu canto, eu canto assim:

A felicidade do negro é uma felicidade guerreira!
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira!
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira! 

Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu grande terreiro, meu berço e nação
Zumbi protetor, guardião padroeiro
Mandai a alforria pro meu coração

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ELES SÃO BOM PÁ CARAI!

fotos extraídas do blog: SOCIALISTA MORENA

As posturas e os discursos de figuras como Marcelo Tas, Lobão, Roger, Danilo Gentili, os CQCs e suas variantes contemplam um determinado tipo que se vê cosmopolita, esperto, inteligente, competente e “ético”. Com um engajamento que não vai além das platitudes resumidas nas campanhas “Brasil, o país dos impostos” ou “A corrupção te incomoda??”, suas performances midiáticas simbolizam o “up to date” das classes médias, sobretudo a paulistana. Vivem invocando a liberdade de expressão para destilar ofensas e preconceitos aos grupos e indivíduos dos quais não gostam. A jornalista Cynara Menezes, a propósito, escreveu excelente texto sobre dois emblemas dessa tigrada. Mandou no ângulo. Sem chance. Com graça e alegria.  
Leiam o texto da Cynara a seguir,  ou direto da excelente fonte: SOCIALISTA MORENA

"A VOLTA DO FILHO (DE PAPAI) PRÓDIGO OU A PARÁBOLA DO ROQUEIRO BURGUÊS

Nem todo direitista é derrotista, mas todo derrotista é direitista. Reparem no capricho do léxico: as duas palavras são quase idênticas. Ambas têm dez letras, soam similares e até rimam. Se você tem dúvida se alguém é de direita observe essas características. Começou a falar mal do Brasil e dos brasileiros, a demonstrar desprezo por tudo daqui, a comparar de forma depreciativa com outros países, é batata. Derrotista/direitista detectado.
Temos hoje no Brasil duas personalidades célebres pelo derrotismo explícito e pelo direitismo não assumido: os roqueiros Lobão e Roger Moreira, do Ultraje a Rigor. Eu ia citar também Leo Jaime, outro direitoso do rock nacional, mas não posso classificá-lo como um derrotista típico –fora isso, no entanto, cabe perfeitamente no figurino que descreverei aqui. Os três são cinquentões: Lobão tem 55, Roger, 56 e Leo, 52.
Da geração dos 80, Lobão sempre foi meu favorito. Eu simplesmente amo suas canções. Para mim, Rádio Blá, Vida Bandida, Vida Louca Vida e Decadence Avec Elegance são clássicos. Além de Corações Psicodélicos, em parceria com Bernardo Vilhena e Julio Barroso, ai, ai… Adoro. E não é porque Lobão se transformou em um reacionário que vou deixar de gostar. Sim, Lobão virou um reaça no último. Alguém que voltasse agora de uma viagem longa ao exterior ia ficar de queixo caído: aquele personagem alucinado, torto, jeitão de poeta romântico, que ficou preso um ano por porte de drogas, se identifica hoje com a direita brasileira mais podre.
Não me importa que Lobão critique o PT ou qualquer outro partido. O que me entristece é ele ter se unido ao conservadorismo hidrófobo para perpetrar barbaridades como a frase, dita ano passado, em tom de pilhéria: “Há um excesso de vitimização na cultura brasileira. Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização a quem seqüestrou embaixadores e crucificam os torturadores, que arrancaram umas unhazinhas”. No twitter (@lobaoeletrico), se diverte esculhambando o país e os brasileiros, sempre nos colocando para baixo. “Antigamente éramos um país pobre e medíocre… terrível. Hoje em dia somos um país rico e medíocre… pior ainda”, escreveu dia desses.
Os anos não foram mais generosos com Roger Moreira, do Ultraje. O cara que cantava músicas divertidíssimas como Nós Vamos Invadir Sua Praia, Marylou ouInútil virou um coroa amargo que deplora o Brasil e vive reclamando de absolutamente tudo com a desculpa de ser “contra os corruptos”. É um daqueles manés que vivem com a frase “imagine na Copa” na ponta da língua para criticar o transporte público, por exemplo, sem nem saber o que é pegar um ônibus. Os brasileiros, segundo Roger, são um “povo cego, ignorante, impotente e bunda-mole”. Sofre de um complexo de vira-lata que beira o patológico. Ao ver a apresentação bacana dirigida por Daniela Thomas ao final das Olimpíadas de Londres, tuitou, vaticinando o desastre no Rio em 2014: “Começou o vexame”. Não à toa, sua biografia na rede social (@roxmo) é em inglês.
Muita gente se pergunta como é que isso aconteceu. O que faz um roqueiro virar reaça? No caso de ambos, a resposta é simples. Tanto Roger quanto Lobão são parte de um fenômeno muito comum: o sujeito burguês que, na juventude, se transforma em rebelde para contrariar a família. Mais tarde, com os primeiros cabelos brancos, começa a brotar também a vontade irresistível, inconsciente ou não, de voltar às origens. Aos poucos, o ex-revoltadex vai se metamorfoseando naqueles que criticava quando jovem artista. “Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você, é o que você vai ser quando você crescer” –Renato Russo, outro roqueiro dos 80′s, já sabia.
O carioca Lobão, nascido João Luiz Woerdenbag Filho, descendente de holandeses e filhinho mimado da mamãe, estudou a vida toda em colégio de playboy, ele mesmo conta em sua biografia. O paulistano Roger estudou no Liceu Pasteur, na Universidade Mackenzie e nos EUA. Nada mais natural que, à medida que a ira juvenil foi arrefecendo –infelizmente junto com o vigor criativo– o lado burguês, muito mais genuíno, fosse se impondo. Até mesmo por uma estratégia de sobrevivência: se não estivessem causando polêmica com seu direitismo, será que ainda falaríamos de Roger e Lobão? Eu nunca mais ouvi nem sequer uma música nova vinda deles. O Ultraje, inclusive, se rendeu aos imbecis politicamente incorretos e virou a “banda do Jô” do programa de Danilo Gentili.
Enfim, incrível seria se Mano Brown ou Emicida, nascidos na periferia de São Paulo, se tornassem, aos 50, uns reaças de marca maior. Pago para ver. Mas Lobão e Roger? Normal. O bom filho de papai à casa torna. A família deles, agora, deve estar orgulhosíssima."

Publicado em 1 de novembro de 2012

"...PELA MANIA DA COMPREENSÃO..."


As possibilidades de radicalização democrática num contexto em que se materializa o caráter excludente dos diagnósticos e soluções apresentadas pela eterna ladainha gerencial da Direita. Como, enfrentando o medo estimulado pela retórica financeira da austeridade, vislumbrar alternativas de mudanças mais amplas para as maiorias, que estejam além das políticas públicas compensatórias e da mera disputa convencional entre partidos e seus “caciques” nas eleições. Esses são os aspectos mais relevantes abordados pelo professor Vladimir Safatle, uma das vozes progressistas da Universidade, que pensa e discute sobre o Brasil. Veja – sobretudo ouça – a excelente conferência do professor, acessando-a pelo endereço abaixo:

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

QUESTÃO DE CLASSE

Concessionárias de Radiodifusão não podem vender fatias de programação para outras entidades. No entanto, muitas dessas empresas se  apropriam desse serviço público e comercializam espaços de sua grade. Alguém já assistiu às  cerimônias religiosas em horário nobre, tarde da noite ou cedo da manhã? Pois bem, são casos exemplares: as concessionárias desobedecem à norma e se beneficiam economicamente de um bem coletivo. Tal delito conta com provas materiais e testemunhas mais numerosas e contundentes do que outros já examinados pelo Judiciário. Grande imprensa e concessionárias não só se calam diante do fato, mas enquadram qualquer contestação às suas práticas como tentativa de censura. Imaginem só o grau da afetação perante as seguintes palavras do mestre Celso Antônio Bandeira de Mello, que entendo se aplicarem a este e a outros tantos casos correlatos?

“Ao nível da Administração,  os interesses públicos são inalienáveis e, por isso mesmo, não podem ser transferidos aos particulares. Aplicações deste princípio são inúmeras e encontram-se bem tipificadas, por exemplo, na inalienabilidade e impenhorabilidade dos bens públicos.
“É em razão do mesmo cânone que se pode afirmar inexistir na concessão de serviço público transferência de direitos relativos à atividade pública para o concessionário. O interesse público que aquele serviço representa não pode ficar retido em mãos de particulares. É inviável a transferência dele do campo estatal para o privado. Transfere, simplesmente, o exercício da atividade, e não os direitos concernentes à própria atividade. Pode, por isso mesmo, ser avocada a qualquer instante pelo Poder Público, como podem também ser modificadas as condições de sua prestação, por ato unilateral da Administração, sempre que seja de interesse público (...)”. 
páginas 87 e 88 da 29ª edição - Bandeira de Mello, Celso Antônio. CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO. Malheiros Editores Ltda. São Paulo, SP. 2011.

Sobre o assunto, vale a pena ouvir a recente entrevista concedida pelo jornalista Franklin Martins:

E desconfiem de quem vive se opondo à qualquer discussão sobre um novo marco regulatório para a radiodifusão. São os mesmos  que confundem exercício de concessão com manipulação para tentar impor, além de sua preferência eleitoral, as ideias que lhes beneficiam privadamente, em detrimento da maioria. São os mesmos que,  por ignorância e questão de classe, desconhecem e desprezam este tipo de olhar aqui, ó: