sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O CLIENTE SEMPRE TEM RAZÃO















A grande imprensa, também as rádios e TVs encontraram no “mensalão” oportunidade ímpar de exercer  duas de suas maiores predileções: a tendência de apresentar sua opinião como fato e a aposta na desqualificação da Política e dos políticos como tática para naturalizar o critério mercantil na avaliação dos assuntos de interesse público. Ambas as opções se entrelaçam. Transformando quadros partidários – como  José Dirceu – em inimigos nacionais, escoram-se mais na repetição sistemática de ilações do que na análise crítica da trajetória que trouxe uma série de figuras da luta armada ao topo de órgãos do Estado brasileiro. Diante das sequências que fizeram do PT mais um a compor com os arranjos da plutocracia local, a imprensa escolhe os bandidos e os mocinhos que mais lhe convém. 
Ela preserva os grandes financistas, santificando-os com a aura da técnica e da competência  e, raivosa, remove alguns espinhos entalados em sua garganta, pelo menos desde os anos 60. Ofusca com pletora de denúncias a identificação do que é crime e do que é acordo, impedindo a percepção  de que este, às vezes, é muito mais condenável do que aquele. Destaca o descartável ocultando o essencial e assim, feita a confusão, insinua que o mundo da Política deveria ser reorganizado pela lógica do consumidor. O consumidor se julga bem informado e grande vítima do “SISTEMA”. Afinal, pilantragens federais seriam sustentadas com "escorchantes impostos" sobre sua renda. Identificados o bem e o mal, ele assiste redimido ao desfile de heróis e vilões.  O cliente tem sempre razão.

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