sexta-feira, 20 de abril de 2012

MÍDIA: EU, POR ELA, PODIA CEGAR


Uma gracinha a indignação da grande mídia brasileira fazendo bico de tristeza e nojinho com a nacionalização da petrolífera argentina. Em 13 anos de privatização, a YPF aumentou sua rentabilidade ao mesmo tempo em que diminuiu a produção de combustível, essencial para a maioria de los hermanos. Os gordos dividendos gerados para meia dúzia de acionistas endinheirados, além dos vultosos ordenados para a conta dos frescocratas gerenciais, tiveram como contrapartida o aumento dos preços para a população e, o clímax, a necessidade de se importar gás, combustível cuja reserva em território argentino é a 3ª maior do mundo. Ao adquirir 51% das ações da YPF, o Estado assumiu o controle sobre as decisões de investimento da empresa, deixando-a mais permeável à influência do interesse público. O que poderia suscitar um debate sem estigmatização é tratado pela mídia como atentado à ‘democracia’, ao ‘mercado’, à ‘liberdade’ e à ‘livre-iniciativa’. Fala-se assim genericamente, ocultando-se o fato de que a declamada ‘liberdade’ não é a da maioria dos argentinos, mas sim a dos grandes empreendedores privados que servem de corpo e alma às plutocracias nacional e transnacional. É MOLE?! É MOLE?!

3 comentários:

Pagode disse...

Perfeito!

Ale Souza disse...

Adorei! Sabe o que eu estava lendo? Associaram a decisão do governo argentino à um "encanto" que o ministro da economia exerce sobre a presidente. É mole ou quer mais? Além de tudo machistas.

Neguleu disse...

Ainda nessa segunda-feira, no programa Roda Viva, da TV Cultura, o entrevistado Paul Singer, ao respoder à pergunta "O que o Sr. achou da privatização na Argentina?" respondeu, após uma pausa dramática, com um sorriso nos lábios:
"EU ACHEI UMA BOA!!!".
Convém apreciar toda a entrevista que pode estar disponível no site do Roda Viva. A visão geral dele a respeito desse e outros assuntos similares está completamente de acordo com o que você expõe aqui. Eu também, modestamente, concordo!

Abraços e pé na tábua.