sexta-feira, 27 de abril de 2012

QUÊ PEPAPOLI QUÊ U QUÊ, RAPAZ?!!!!!!!

Dona NEUMA - da Mangueira
Dona NEUMA, da Mangueira
A execução de políticas públicas que beneficiam direta ou indiretamente as camadas mais pobres da população são, em geral, tachadas de “populistas”. Mídia e especialistas abusam desse termo, sobretudo quando se referem aos  governos latino-americanos refratários ao neoliberalismo. As diferenças essenciais entre Brasil, Bolívia, Venezuela e Argentina seriam atenuadas pelo que esses países teriam de comum em matéria de benefícios ‘demagógicos’ concedidos por 'governantes irresponsáveis' ao ‘zé povinho’. Na maior parte das vezes, mídia e especialistas não definem objetivamente o que entendem por ‘populismo’, mas desqualificam como tal medidas como o 'bolsa-família', a nacionalização de empresas privadas que atuam em setores básicos, o controle de preços etc. Quando se prestam a justificar esse viés pejorativo, tentam demonstrar que o efeito inicialmente favorável aos mais pobres seria ilusório, implicando corrupção, ignorância, desperdício e reversão ampliada do bem presente em malefício futuro. Não chegam a culpar explicitamente o pobre pela própria pobreza, mas  ao difundir  elogios autorizados às políticas de ‘austeridade’, antagônicas às 'populistas', refletem de que lado estão. Donde a coincidência entre os que vivem recomendando "aperto de cintos" a todos  e os que silenciam frente ao esbanjamento de poucos.
dsfadfadfadf
As caras feias dos sofisticados diante das periferias, calçadas e arquibancadas não se restringem à política e à economia propriamente ditas. Dirigem-se desaprovadoras a outras esferas da vida. Em matéria de Samba, por exemplo, passam longe do gosto seleto os arranjos e interpretações abaixo, que folgo em ouvir repetidamente e agora compartilho com o distinto leitor.
Brasil, terra adorada
Jardim de todo estrangeiro
És a estrela que mais brilha

No espaço brasileiro, braço é braço!


Ó Brasil, és tão amado
Teu povo é honrado
Invejado no universo
Nesta bandeira afamada
Não falta mais nada
Podes tudo
Ordem e progresso


Houve já um curioso
Que perguntou nervoso
- Brasil, onde vais parar?
E respondo sempre a todos
Com o mesmo orgulho
Irei para um lindo futuro
                        (Brasil, Terra Adorada – Cartola e C. Cachaça)


Não, não
Toda a culpa cabe a nós dois
Insistimos nesse amor
Sabendo que íamos sofrer depois

Não te culpo, nem me culpes
Aceitemos nosso destino
Esse amor quando nasceu
Eu era menino


Se eu teimar
Teus próprios pais irão dizer
Tudo aquilo que você
Comigo sofreu
                        (Não – Cartola e A. Dias)

Rolam nos meus olhos
Lágrimas sentidas
Somente em saber
Que te perdi por toda a vida
Nem ajoelhada te darei perdão
Só porque você
Magoou meu coração
Desde o dia em que partiste
A saudade morou em meu peito
Eu já procurei alguém
Mas não há jeito
Coração, o que é que esperas
De um amor tão desleal?
Não estás vendo, coração, ela partiu
Causando tanto mal
                        (Rolam nos meus olhos – Cartola)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

MÍDIA: EU, POR ELA, PODIA CEGAR


Uma gracinha a indignação da grande mídia brasileira fazendo bico de tristeza e nojinho com a nacionalização da petrolífera argentina. Em 13 anos de privatização, a YPF aumentou sua rentabilidade ao mesmo tempo em que diminuiu a produção de combustível, essencial para a maioria de los hermanos. Os gordos dividendos gerados para meia dúzia de acionistas endinheirados, além dos vultosos ordenados para a conta dos frescocratas gerenciais, tiveram como contrapartida o aumento dos preços para a população e, o clímax, a necessidade de se importar gás, combustível cuja reserva em território argentino é a 3ª maior do mundo. Ao adquirir 51% das ações da YPF, o Estado assumiu o controle sobre as decisões de investimento da empresa, deixando-a mais permeável à influência do interesse público. O que poderia suscitar um debate sem estigmatização é tratado pela mídia como atentado à ‘democracia’, ao ‘mercado’, à ‘liberdade’ e à ‘livre-iniciativa’. Fala-se assim genericamente, ocultando-se o fato de que a declamada ‘liberdade’ não é a da maioria dos argentinos, mas sim a dos grandes empreendedores privados que servem de corpo e alma às plutocracias nacional e transnacional. É MOLE?! É MOLE?!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

SANTOS e O MUNDO QUE VOLTA



Centenário do Santos. Desnecessário dizer que os feitos extraordinários de sua história se devem ao melhor jogador de todos os tempos e a tantos craques anteriores a Ganso e Neymar. Lembro-me do meu velho João Pequeno – que até me deu uma camiseta listada do time da Vila Belmiro, em 1976; não me esqueço dos 'Meninos da Vila' de 78-79, para os quais torci na final, após a trágica desclassificação do Palmeiras pelo Jd.Leonor; muita saudade tenho dos vários jogos que vi no Morumbi, num tempo em que o povo tinha mais acesso às arquibancadas e às quatro linhas, repletas de ginga, emoção e verdade.

Fala-se que, em tempos áureos, o clássico nacional era Santos e Botafogo, mas qual a real notoriedade da “estrela solitária” frente ao time de Pelé? Quais os feitos do Botafogo de Garrincha, comparados aos acumulados por Mengálvio, Dorval, Coutinho, Pelé e Pépe. Era só mesmo contra o Botafogo o grande jogo dos anos 60? Ou preferem lembrar do ‘glorioso’ carioca, somente para evitar aquele que para todos os adversários sempre foi  “o espinho atravessado na garganta”? Enquanto aguardo a resposta dos botafoguenses e dos desmemoriados, não posso deixar de registrar que com e sem Pelé, com e sem ‘meninos da Vila’, com e sem Ganso e Neymar, o time brasileiro que sempre incomodou e continua incomodando o Santos foi e é outro: a pedra no sapato (obrigado, Giorgetti), hoje enterrada na teimosia e incompetência.

Mas, continuando com os aniversariantes, indico abaixo a íntegra da vitória santista no primeiro jogo da final nacional de 1983. Jogo jogado em alto nível, acompanhado in loco por 119.984 torcedores, esse belo clássico - de passado não tão distante -  serve como referência para dimensionarmos a mediocridade vivida atualmente pelo futebol brasileiro.
dfadfaa
“E a volta do mundo é que dói lá no fundo”.
Salve para sempre, EDERALDO GENTIL! Nas voltas e revoltas dos mundos!!!!!

Êta mundo que volta
e a volta do mundo
É que dói lá no fundo
Êta mundo que volta
e a volta do mundo
É questão de segundos

É questão de segundos
A volta do vento
Mudança do tempo
Revolta do mar
A volta do moço que envelheceu
A volta da moça que um dia se deu
A volta do jogo que muda o placar
Olha a volta revolta
Na porta do bar
Olha a volta do sol
Da chuva e da lua
A volta da noite
Olha a volta do dia
Oh! Volta do mundo
Que traz a vingança
A dor, a esperança
O amor, a verdade
Oh! Volta do mundo
Só por um segundo
Traz ao meu mundo
A felicidade”

quinta-feira, 5 de abril de 2012

SAMBA NA GARGANTA




"Eu sou o samba angustiado
Massacrado e violento
Suado e sem recompensa
Não sou o que você pensa
Eu sou o samba exaltado
Morto de cansaço
E quero dar um abraço nos que cantam atravessado


Eu sou o samba perigoso
Nervoso e amargurado
Eu sou o samba na garganta dos que trabalham calados"



(Samba na Garganta - Carlinhos Vergueiro e Aluizio Falcão)