sexta-feira, 30 de março de 2012

DEFEITO QUE MATA


Pato N'Água

Os argumentos pelo rebatizado da Escola de Música “Tom Jobim” para Escola de Música “Pato N’água” (http://blog.zagaiaemrevista.com.br/?p=778)    servem de contraponto exemplar à apropriação elitista da memória e da cultura populares. A concepção eugênica por trás da idéia de “revitalização” do centro da cidade de São Paulo acomoda-se bem ao imaginário das classes mérdias e abostadas paulistanas. Nele não cabem a viração e os inúmeros não proprietários que vivem e trabalham na “Cidade”; mas cabe um 'glamour' que, passando pelos porres da Galeria Metrópole nos anos 60, seleciona comércios e situações em que a gente pobre nunca é lembrada, embora sempre estivesse por lá. O poder público se serve dessa invisibilidade para expulsar os pobres do Centro. Esse processo é aberto e material, mas também é velado e simbólico. No imaginário dos conservadores, os pobres são rejeitados por definição; no de muitos esquerdistas não passam de recurso retórico. É nessa esfera que ‘Pato N’água’ rivaliza com Tom Jobim; que o sambista de Sampa parte pra cima do bossa nova zona sul carioca. Não se trata de colocar em questão a genialidade do maestro, mas - homenageando um expoente popular da Paulicéia - estimular a reflexão do porquê se insiste na lembrança de uns poucos em detrimento de muitos outros. Trata-se de buscar as razões das vistas grossas e ouvidos moucos. Somos muitos, mas os poucos nos querem esquecidos. Não lutar pela própria memória é um "defeito que mata" (perdoe-me pela livre apropriação, Gonzaguinha) . O COLETIVO ZAGAIA ilumina a questão. Clique no link (http://blog.zagaiaemrevista.com.br/?p=778) e compreenda a necessidade de se rebatizar a Escola de Música do Estado. Nessa pegada, vai a primeira indicação musical desta sexta e de todas as outras que estão por vir:

Silêncio
O sambista está dormindo
Ele foi mas foi sorrindo
A notícia chegou quando anoiteceu

Escolas
Eu peço o silêncio de um minuto
O Bexiga está de luto
O apito de Pato n'água emudeceu
fasdfadfa
Partiu
Não tem placa de bronze não fica na história
Sambista de rua morre sem glória
Depois de tanta alegria que ele nos deu

Assim,
Um fato repete de novo
Sambista de rua, artista do povo
E é mais um que foi sem dizer adeus
              
(Geraldo Filme – SILÊNCIO NO BEXIGA)


E por falar em memória, participe nesse domingo do CORDÃO DA MENTIRA (https://cordaodamentira.milharal.org/). Venha debochar da farsa que, pela inversão e dissimulação, sustenta o “sim” dizendo “não”. Venha tirar sarro dos civis e militares que, designando-se “democratas”, defenderam e defendem a ditadura civil-militar brasileira. Humor e protesto aos requintes de mentira e perversidade que infestam a casa grande. A propósito, segue mais um Samba que, juntamente com o anterior, poderia integrar o repertório do “esquenta” e do próprio desfile pela Cidade. Ouçam então o GONZAGUINHA abaixo:

Memória de um tempo onde lutar
Por seu direito
É um defeito que mata
São tantas lutas inglórias
São histórias que a história
Qualquer dia contará
De obscuros personagens
As passagens, as coragens
São sementes espalhadas nesse chão
De Juvenais e de Raimundos
Tantos Júlios de Santana
Uma crença num enorme coração
Dos humilhados e ofendidos
Explorados e oprimidos
Que tentaram encontrar a solução
São cruzes sem nomes, sem corpos, sem datas
Memória de um tempo onde lutar por seu direito
É um defeito que mata
E tantos são os homens por debaixo das manchetes
São braços esquecidos que fizeram os heróis
São forças, são suores que levantam as vedetes
Do teatro de revistas, que é o país de todos nós
São vozes que negaram liberdade concedida
Pois ela é bem mais sangue
Ela é bem mais vida
São vidas que alimentam nosso fogo da esperança
O grito da batalha
Quem espera, nunca alcança
Ê ê, quando o Sol nascer
É que eu quero ver quem se lembrará
Ê ê, quando amanhecer
É que eu quero ver quem recordará
Ê ê, não quero esquecer
Essa legião que se entregou por um novo dia
Ê eu quero é cantar essa mão tão calejada
Que nos deu tanta alegria
E vamos à luta.
(Gonzaguinha – PEQUENA MEMÓRIA PARA UM TEMPO SEM MEMÓRIA)

sexta-feira, 23 de março de 2012

TRASTE



TALISMÃ
Ontem à noite, bocejando na frente da TV,  chamou-me atenção a referência da GloboNews à quadrilha de mulheres assaltantes de condomínio aqui em São Paulo. Lá pelas tantas, deparo-me com a seguinte expressão da reportagem referindo-se às loiras ventanistas: a quadrilha seria formada por pessoas de "boa aparência”....No dia seguinte à evocação da luta contra o racismo, a manifestação explícita de um chavão do preconceito mostra que a sociedade brasileira está muito distante de extirpar esse mal.

Mais adiante – rodopiando os canais já com minha baba elástica se esparramando pelos cambitos e aproximando-se do chão – paro na prisão de crápulas que planejavam ações violentas contra nordestinos, negros, mulheres e homossexuais. Num dos textos do bando, apreendidos pela polícia, há também menção explícita a “esquerdistas” como alvo das práticas dos criminosos detidos em Brasília. Curioso notar que as reportagens, nos diversos canais, não disseram o termo “esquerdistas”. Preocupante também o tom das eventuais análises de comentaristas, referindo-se aos bandidos como “malucos”. O desejo de extermínio do outro está no discurso de muitas pessoas e não é nada raro. Tratá-lo como estranho, alheio, exceção, ou “coisa de louco”  dissimula a possibilidade real do estabelecimento do horror como norma, sustentada pelo silêncio e pela avassaladora adesão dos rasos.
fasdfasfdafdafa
Por falar das faltas da mídia tradicional, acabo de conhecer – por aí e pelo já mais do que recomendado PARTIDO ALTO, do Cuca, vulgo Douglas Germano – o que ela, aliada ao meu próprio desvio de caráter, sonegara-me até o momento. Não sejamos rancorosos e ofereçamos à mídia tradicional Emmet Ray e o alusivo:
dfasdadfasdfadfa
TRASTE, de Talismã.
“Se Deus deixasse eu voltar atrás
E eu pudesse escolher como seguir
Certamente minha opinião
Preferiria a solidão a lhe aderir
 
É um peso morto pendurado em mim
Traste que não posso me desvencilhar
É uma aranha e eu caí em sua teia
Minha alma anseia por se libertar
 
Veneno é o que corre em suas veias
Só ódio semeia em seu modo de falar
Eu lhe dei afeto, dei-lhe um teto, eu lhe apanhei na rua
Mas agora preciso tirar minha vida da sua"

sexta-feira, 9 de março de 2012

ESPARSAS

E a patifaria no sambódromo? Pois é! Mas a torcida escola de samba envolvida na bagaça, aquela mesma torcida que é a detentora do “MONOPÓLIO do SOFRIMENTO” continua com livre acesso a detonar o que, quem, quando e como quiser. Acolhida pela mídia e sob vista grossa do poder público, nunca essa notável agremiação foi ou será molestada, como outras do gênero, pelos capês da vida paulistucana! Afinal, quem se defrontaria com a ‘mística’, com a ‘raça’, com a ‘aura’, com a ‘predestinação’, com a inevitável e previamente anunciada redenção final, na base do sufoco?
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A turmaiada das firmas do sul-sudeste, especialmente aqui em São Paulo, continua malhando o maior presidente da história do Brasil. Mesmo após o exercício de dois mandatos com ampla aprovação popular e reconhecimento internacional, dizem os letrados que Lula é “analfabeto”, “corrupto”, “cachaceiro”, “vagabundo”..... Pintam o ex-presidente como o puto que equipariu o quadrado do caralho à soma dos quadrados dos cacetes, com requintes de grosseria e preguiça. Eles, os tais letrados, cujas máximas de pensamento são extraídas dos livros de auto-ajuda, ops, de ‘gestão’ – aqueles mesmos ‘books’ que indagam sobre roubo de parmesão ou sobre a trinca pai pobre-tio fudido-mãe lesada –; como eu ia dizendo, os tais letrados permanecem maioria esmagadora no mundo corporativo, enchendo de graça, perspicácia e sofisticação o meu, o seu, o nosso cotidiano.
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Os “analistas” de economia, por sua vez, continuam fazendo jus ao nome de sua profissão, pedindo prudência ao consumo dos outros – refresco – e aumento dos juros para quem toma crédito ou no centro do orifício.
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Mas uma.... “Mas uma”, não! Mais uma dose! Mas eu........
Mas eu fui num forró no pé duma serra
Nunca nessa terra vi uma coisa igual
Mas eu fui num forró no pé duma serra
Cume quente, baiano sensacional

"Rabeca véia do pinho de arvoredo
Espalhava baiano no salão
O pandeiro tremia e maquinada
Eu via a poeira subir do chão

"Hoje eu faço forró em pé-de-calçada
No meio da zuada, pela contramão
Eu fui lá na mata e voltei pra cidade
De caboclo eu sei minha situação
afasda
"Rabeca veia não me abandona
Zabumba treme-terra, come o chão
Na hora em que o tempo desaparece
Transforma em pé-de-serra o calçadão

                PÉ-DE-CALÇADA (Autor de Melodia e Letra: SIBA)