sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CABIDE de MOLAMBO (João da Baiana)

















Meu Deus, eu ando com o sapato furado
Tenho a mania de andar engravatado
A minha cama é um pedaço de esteira
E uma lata velha, que me serve de cadeira
Minha camisa foi encontrada na praia
A gravata foi achada na ilha da Sapucaia
Meu terno branco parece casca de alho
Foi a deixa de um cadáver num acidente de trabalho
Meu Deus, meu Deus...
E o meu chapéu foi de um pobre surdo e mudo
As botinas foi de um velho da revolta de Canudos
Quando eu saio a passeio as almas ficam falando
Trabalhei tanto na vida pro malandro estar gozando
Meu Deus, meu Deus....
A refeição é que é interessante
Na tendinha do Tinoco no pedir eu sou constante
Seu português, meu amigo sem orgulho
Me sacode um caldo grosso carregado no entulho
Meu Deus, meu Deus...