sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ATOS FALHOS

As passeatas   contra   a   corrupção,   realizadas   nesse  12/10 em algumas capitais e com largo apoio dos grandes veículos de comunicação, não chegaram a reunir 20.000 participantes. Consumidores de “Veja” e de todo aparato produzido pelas oligarquias midiáticas brasileiras, os manifestantes enxergam a cena atual como a mais corrupta de nossa história (espie aqui). Incorporando ares mais juvenis, as passeatas reeditam o famigerado “Cansei”  e colocam na rua os indignados que os poderosos pediram a Deus.
Dizem-se apartidários e apolíticos, mas  seu alvo são as organizações à esquerda do espectro. Acreditam que o governo Dilma promove a censura e combate a liberdade de expressão. São totalmente contrários ao bolsa-família e às ações afirmativas, ainda que essas políticas públicas sejam comprovadamente decisivas na recente queda da desigualdade social. Odeiam mais do que desprezam o ex-presidente Lula; identificam MST, UNE, CUT e outras entidades como bandos criminosos. Regozijam-se  diante de tucanos e assemelhados; vêem em José Dirceu a encarnação do capeta  e nutrem envergonhada admiração por Paulo Maluf e pela ditadura civil-militar de 1964. ‘Antenados’ às tendências do ‘primeiro-mundo’, consideram-se esclarecidos e superiores, destilando desdém e repulsa pelos mais pobres e menos escolarizados. A um só tempo, reproduzem a subordinação cultural de nossas elites ao padrão de consumo externo e atualizam o conteúdo étnico e social que os trazem da casa-grande aos comitês executivos dos conglomerados financeiros. A despeito de sua “excelente formação”,  identificam a contradição de maneira tão simplória quanto equivocada, compondo-a da seguinte forma: existem os “políticos”, de um lado, e a “sociedade”, de outro. A corrupção estaria circunscrita à primeira esfera – a dos “políticos” – e seria sustentada pelos impostos pagos pela “sociedade”. Diante da indagação sobre o ‘corruptor’, seus rostinhos, em geral brancos, ficam rubros. Se questionados, então, sobre a injusta  distribuição da carga tributária entre ricos e  pobres, livram-se rapidamente do incômodo gritando o mesmo  “Brasil, urgente! Lula pra servente!” que ouviram pequerruchos ou fetais no final de 1989. Gritam a mesma coisa, porém com outras palavras  e instrumentos de reprodução mais sofisticados.
Ademais, fica o que dissemos recentemente sobre esses atos. Leia AQUI

2 comentários:

Ana Paula Saab disse...

Excelente e irretocável, como sempre :)

Anônimo disse...

Você já disse tudo; só tenho a acrescentar " Uma vergonhosa passeata, pessoal mais alienado, inútil, acredito que a música do Ultraje a Rigor " inúteu! a gente somos inúteu! Inúteu! A gente somos inúteu! " caí certinho pra esse pessoal, não é!!!!!!

Bete Pita