sexta-feira, 28 de outubro de 2011

VILA MATILDE (autor: Paulistinha)


Vila Matilde é a campeã do samba,
O que é que há?
Sempre desfila com a sua bateria de abafar
Vila! És um reduto de sambista
Um berço forte de artista
E tem mulata pra sambar
 
Põe suas pastoras na rua
Deixa chover, lê lê
Hoje é noite de lua, lá lá
Põe sua moçada pra sambar
A noite é sua
Deixa o sangue da raça vibrar


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

As implicações incômodas do pleito argentino (por: Saul Leblon, CartaMaior)

Em 2003, quando começou o ciclo Kirchner, a Argentina era uma espécie de Grécia da América do Sul. Desacreditada aos olhos de seu próprio povo, balançava como um 'joão bobo' nas mãos do capital especulativo interno e externo. Nestor Kirchner herdou uma taxa de pobreza produzida pelo extremismo neoliberal que afetava 60% dos 37 milhões de argentinos.
 A dívida de US$ 145 bilhões, impagável, corroía seu sistema financeiro. Fruto mais do desespero do que de uma estratégia, a moratória de 2001 colapsava os mecanismos de crédito e financiamento, sem os quais nenhuma economia funciona. Os credores sobrevoavam a nação argentina à espera do melhor momento para arrancar os seus olhos. E o que lhe restasse ainda da carne. O cerco contra o país era brutal.
A mídia, aliada dos interesses plutocráticos locais e forâneos, interditava o debate de qualquer alternativa fora da rendição. Poucos listavam-se entre os aliados.
Mesmo no Brasil, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, impunha distância sanitária entre Kirchner e Lula, em sintonia com a pressão internacional. Para se ter a dimensão do cerco vivido então pela Casa Rosada, basta conferir o que a liderança do euro, os banqueiros e o FMI fazem hoje com Atenas e Papandreu.
A diferença é que Nestor Kirchner não se dobrou: impôs um desconto de 70% da dívida aos credores; destinou a receita crescentre a programas sociais e de fomento. A taxa de pobreza recuou a 10% da população. A economia argentina foi a que mais cresceu no hemisfério ocidental na última década. As circunstâncias desse braço de ferro são espertamente omitidas pela crítica conservadora, que hoje desdenha da vitória esmagadora de Cristina, atribuindo-a a um fogo fátuo feito de populismo insustentável, inflação maquiada e boom passageiro de commodities.
Mark Weisbrot , do CEPR, critica a frivolidade desse enfoque. No fundo,sugere, trata-se de uma auto-defesa conservadora contra as implicações políticas do sucesso argentino, face à catastrófica safra de desastres colhidos na Grécia, Espanha, Portugal e outros, ora submetidos ao purgante ortodoxo que Nestor, Cristina e seus eleitores desmoralizaram.
Postado por Saul Leblon às 19:53
No: http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=792

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

TRONCO DO IPÊ (melodia e letra: Paulistinha) por Marco Antônio


Tronco do Ipê
tu contas uma bela história
dos velhos tempos de arraial
imponente sinhô e sinhá
às margens do velho rio Paraíba
na fazenda "Nossa Senhora do Boqueirão"
ainda existia o cativeiro
sinhozinho Mário era o patrão,
filho do herdeiro comendador
que a lagoa feiticeira levou

Benedito, preto velho encarquilhado
respeitado na senzala e curandeiro de lá
morava numa cabana de sapê
perto do tronco do Ipê, com nhá Chica
que era todo o seu amor
Mas a lagoa malvada lá do Boqueirão
todos os seus entes queridos levou
hoje preto velho caducando, ajoelhado no chão,
vive chorando pedindo perdão. Perdão!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Batucada da União da Ilha - mestre Paulão

ATOS FALHOS

As passeatas   contra   a   corrupção,   realizadas   nesse  12/10 em algumas capitais e com largo apoio dos grandes veículos de comunicação, não chegaram a reunir 20.000 participantes. Consumidores de “Veja” e de todo aparato produzido pelas oligarquias midiáticas brasileiras, os manifestantes enxergam a cena atual como a mais corrupta de nossa história (espie aqui). Incorporando ares mais juvenis, as passeatas reeditam o famigerado “Cansei”  e colocam na rua os indignados que os poderosos pediram a Deus.
Dizem-se apartidários e apolíticos, mas  seu alvo são as organizações à esquerda do espectro. Acreditam que o governo Dilma promove a censura e combate a liberdade de expressão. São totalmente contrários ao bolsa-família e às ações afirmativas, ainda que essas políticas públicas sejam comprovadamente decisivas na recente queda da desigualdade social. Odeiam mais do que desprezam o ex-presidente Lula; identificam MST, UNE, CUT e outras entidades como bandos criminosos. Regozijam-se  diante de tucanos e assemelhados; vêem em José Dirceu a encarnação do capeta  e nutrem envergonhada admiração por Paulo Maluf e pela ditadura civil-militar de 1964. ‘Antenados’ às tendências do ‘primeiro-mundo’, consideram-se esclarecidos e superiores, destilando desdém e repulsa pelos mais pobres e menos escolarizados. A um só tempo, reproduzem a subordinação cultural de nossas elites ao padrão de consumo externo e atualizam o conteúdo étnico e social que os trazem da casa-grande aos comitês executivos dos conglomerados financeiros. A despeito de sua “excelente formação”,  identificam a contradição de maneira tão simplória quanto equivocada, compondo-a da seguinte forma: existem os “políticos”, de um lado, e a “sociedade”, de outro. A corrupção estaria circunscrita à primeira esfera – a dos “políticos” – e seria sustentada pelos impostos pagos pela “sociedade”. Diante da indagação sobre o ‘corruptor’, seus rostinhos, em geral brancos, ficam rubros. Se questionados, então, sobre a injusta  distribuição da carga tributária entre ricos e  pobres, livram-se rapidamente do incômodo gritando o mesmo  “Brasil, urgente! Lula pra servente!” que ouviram pequerruchos ou fetais no final de 1989. Gritam a mesma coisa, porém com outras palavras  e instrumentos de reprodução mais sofisticados.
Ademais, fica o que dissemos recentemente sobre esses atos. Leia AQUI

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

JOÃO DO AMOR DIVINO - autor: Gonzaguinha


39 anos de batalha sem descanso na vida
19 anos, trapos juntos com a mesma rapariga
9 bocas de criança para encher de comida
Mais de mil pingentes na família para dar guarida
Muita noite sem dormir perdida na fila do INPS
Muita xepa sobre a mesa, coisa que já não estarrece
Todo dia um palhaço dizendo que deus dos pobres nunca esquece
E um bilhete mal escrito que causou um certo interesse
É que meu nome é

João do Amor Divino de Santana e Jesus
Já carreguei, não guento mais
o peso dessa minha cruz
Sentado lá no alto do edifício
Ele lembrou do seu menor
Chorou e, mesmo assim, achou que
O suicídio ainda era o melhor
E o povo lá embaixo olhando o seu relógio
Exigia e cobrava a sua decisão
Saltou sem se benzer por entre aplausos e emoção
Desceu os 7 andares num silêncio de quem já morreu
Bateu no calçadão e de repente ele se mexeu
Sorriu e o aplauso em volta muito mais cresceu
João se levantou e recolheu a grana que a platéia deu
Agora ri da multidão executiva quando grita:
"Pula e morre, seu otário"
Pois como tantos outros brasileiros
É profissional de suicídio
E defende muito bem o seu salário

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

SECA do NORDESTE - Gilberto Andrade e Waldir de Oliveira


“Sol escaldante, terra poeirenta
Dias e dias, meses e meses sem chover
E o pobre lavrador
Com a ferramenta rude
Dá forte no solo duro
Em cada pancada parece gemer
Ô ô ô ô ô ô ô ô
Geme a terra de dor
Ô ô ô ô
Não adianta meu lamento meu Senhor
Ô ô ô ô ô ô ô ô
E a chuva não vem

O chão continua seco e poeirento
No auge do desespero
Uns se revoltam contra Deus
Outros rezam com fervor
Nosso gado está sedento, meu Senhor
Nos livrai dessa desgraça
O céu escurece
As nuvens parecem
Grandes rolos de fumaça
Chove no coração do Brasil
O lavrador
Retira seu chapéu
E olhando o firmamento
Suas lágrimas se unem
Com as dádivas do céu
O gado muge de alegria
Parece entoar uma linda melodia
Ô Ô Ô Ô Ô...”

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Contestação roqueira

Nessa recente edição do “rock in rio”, alguns de seus protagonistas associaram à Stalin o debate sobre a concentração da mídia em poucas famílias; à censura, o cumprimento de uma decisão judicial; confundiram resultados eleitorais favoráveis a governos nacionalistas, na América Latina,  com obscurantismo. Acreditando-se portador da contemporaneidade, houve “baluarte” do rock nacional contestando uma oligarquia atuante, mas decadente. Nada foi dito, porém, sobre a plutocracia financeira em ascensão,  mais poderosa e influente. Integrada e 'high tech', a contestação roqueira rendeu solos de guitarras, muitos aplausos, centenas de fotos, entrevistas em rádios e TVs, além de páginas na edição de domingo: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,no-palco-do-rock-o-grito-de-dinho-ouro-preto-pela-liberdade-de-imprensa,780093,0.htm