quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O peso dos "impostos" sobre a sociedade

A tigrada do "mercado", não bastasse estabelecer o consenso sobre o que o Banco Central deve ou não deve fazer com a taxa SELIC, não chegasse o poder objetivo que lhe garante a prerrogativa de credora, conta com a superficialidade da incessante busca "jornalística" pelo alarme  fácil. Exemplar a esse respeito foi o entusiasmo diante da quebra do "impostômetro" - "relógio" que apontaria o montante de tributos arrecadados pelas esferas municipal, estadual e federal do Estado Brasileiro, patrocinado pela desinteressada Associação Comercial de São Paulo - ao atingir tantos trilhoes de reais. Dizer que o brasileiro paga impostos demais informa pouco. Inserir na sequência - do máximo de aprofundamento sobre o tema a que uma rádio chega, comparando a carga tributária nacional (alta, 35% do PIB) com a de outros países -inserir na sequência comentário político sobre algum fato ou suspeita de corrupção é artifício malandro que garante: aproximação do veículo com o contribuinte, mostrando tendenciosamente à fonte  o destino do tributo;  aparência de clareza; simulacro de agilidade e,  objetivo não declarado, a ocultação da realidade e dos interesses que estão por trás do discurso fácil do "país dos impostos". Sobretudo as rádios - Joven Pan, Bandeirantes, CBN e ESTADÃO-"YES PI ENh" (ESPN) - jogam para a torcida, mal passando da chamada. Quando muito, abrem-se para a audiência comportadamente indignada: aquela que reclama dos "políticos incompetentes pagos com o dinheiro" do ouvinte. Os donos desse jornalismo sabem, mas não dizem, que apenas 5% do total arrecadado pelo Estado advém de transações financeiras. Escondem, pois têm ciência dessas informações, que a maior parte da receita tributária é oriunda dos """menos favorecidos""" (47%, vem do consumo; 27%, vem da folha de salários). Não dizem que lanchas, jatinhos e helicópteros são isentos de impostos (como o IPVA). Calam sobre o fato de que os mais pobres gastam 32% de sua renda com tributos, enquanto que os mais ricos, apenas 21%. Mostrar que países como os EUA e Canadá auferem 50% do montante de seu sistema taxando renda, propriedade e transações financeiras, enquanto que no Brasil essa participação não ultrapassa 25%, não seria de bom tom para o "mercado". O negócio é se utilizar do barulho para se isentar de pagar tributo; sobre transações financeiras para financiar o Saúde Pública, por exemplo............. Visando contribuir para o esclarecimento dessa questão, este PAINEL recomenda efusivamente a leitura do brilhante texto do economista João Sícsu, aqui: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5199.

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