quinta-feira, 14 de julho de 2011

QUERIDO(s) DIÁRIO(s)

















Confesso, querido diário,
essa mulher me convulsiona
o ar de mártir no calvário
dentro da bacanal romana.

Garanto, querido diário,
que atrás da leve hipocondria
convive a hóstia de um sacrário
com o fogo da ninfomania.

Hoje, acordei
tomei café
me masturbei
comprei o jornal
fiz a fé no bicho
pichei o governo
me senti quadrado
fui ao analista
cantei babalu
mais fora de esquadro
do que esquerdista
no Grajaú.

E o tempo todo, meu diário,
pensava nela com amargura.
O arquipélago das sardas
nas costas nuas, que loucura!

Constato, querido diário:
muito pior do que esquecê-la
é encontrá-la pelas ruas
dizer: - olá, prazer em vê-la... 

















Hoje topei com alguns
conhecidos meus
Me dão bom-dia [bom-dia], cheios de carinho;
dizem para eu ter muita luz
e ficar com Deus
Eles têm pena de eu viver sozinho

Hoje a cidade acordou
toda em contramão
Homens com raiva,
buzinas, sirenes, estardalhaço
De volta à casa, na rua
recolhi um cão
que, de hora em hora, me arranca um pedaço

Hoje pensei em ter religião
De alguma ovelha, talvez,
fazer sacrifício
Por uma estátua ter adoração
Amar uma mulher sem orifício

Hoje, afinal, conheci o amor
E era o amor, uma obscura trama
não bato nela, não bato
nem com uma flor
mas se ela chora, desejo-me em flama

Hoje o inimigo veio,
veio me espreitar
Armou tocaia lá
na curva do rio
Trouxe um porrete, um porrete a "mode" me quebrar
mas eu não quebro não, porque sou macio, viu?!

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