terça-feira, 21 de junho de 2011

A "explosão da inflação"

A tigrada do jornalismo econômico baba e espuma diante da inflação. Meses atrás falavam em “descontrole”, em “explosão”, em “estouro”, em “escalada”. Para aumentar o efeito, chegavam a anunciar o índice ANUALIZADO como manchete de impresso ou chamada de audiovisual, sem mencionar que os tais 6,51% se referiam ao efeito composto do IPCA em 12 meses. Essa explicação vinha somente após o escândalo inicial.
SDs
É errado se preocupar com a inflação? Óbvio que não, sobretudo num país com histórico dramático nessa matéria. Mas há que se destacar dois aspectos:
i.                   a se julgar o alarde das chamadas, parece que o Brasil pós-real nunca viveu índices de inflação mais altos do que os  6,5% AO ANO, o que não é verdade – como mostra a tabela abaixo extraída do IBGE;
ii.                a mídia não dá a mesma atenção ao nível de atividade econômica, à expansão da produção, ao emprego. Antes pelo contrário, ela considera exagero taxas de evolução do PIB próximas dos 5% a.a. – ritmo absolutamente medíocre de crescimento dados o potencial e as necessidades de nossa economia e sociedade. A maior parte dos analistas se refere à “farra” do crescimento no 2º governo Lula. Anunciam  a "explosão da inflação" como a conta a ser paga por quem chamam preconceituosamente de “Zé povinho”. Interessante isso: os tais analistas, polpudamente remunerados por seus serviços, isentam-se de exageros inflacionários; quem faz a “farra” é a galera da geral,  a maioria que às duras penas faz prestação de algum eletrodoméstico......
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A postura da mídia brasileira revela, em nível imediato, interesse no desgaste do governo petista – eleito a contragosto da ‘massa cheirosa’. Mais profundamente,  mostra que a discussão sobre alternativas de política econômica contrárias aos interesses do sistema financeiro está obliterada. Dada a atual estrutura de dominação vigente no Brasil, é ótimo que se recomende aumento de juros como único instrumento de combate à inflação. Afinal, quem empresta é o sistema. Colidir com os bancos, dos quais as grandes empresas de comunicação são dependentes, seria confrontar a alma e o coração de uma perversa cadeia de relações de classes e poucas famílias. Pires nas mãos, muitas fantasias.
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Em tempo,  FIPE e FGV apuraram deflação em seus últimos índices de preços. Vejam que a repercussão já não é a mesma. Você, por exemplo, sabia que o IPC-FIPE e IGP-M FGV de junho/11 sinalizaram inflação negativa?

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