terça-feira, 26 de abril de 2011

DOUGLAS GERMANO - Orí

Ouça AQUI as faixas de ORÍ. Seu autor é um dos melhores compositores brasileiros da atualidade:

DOUGLAS GERMANO, o Cuca.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lançamento da revista ZAGAIA - por "zagaiatos" editores e colaboradores


"Manifesto Zagaia

mas é preciso disparar setas, flechas, canhões, cuspes, zagaias. Armas contra. Nosso golpe: ironia e paradoxo, estranhamento e ressignificação. Em algum lugar, um padre corre perigo. Um pensamento pelo avesso. Perplexidade? Comemos gerânios no café da manhã. Reacionários de todas as vertentes são o alimento da madrugada. A indigestão se dissolve em poemas, prosas, sons, imagens. Porque, em tempo de barbárie, zagaia contra tudo, contra todos. Uma arte contra si-mesma. Poesia do impossível após auschwitz. Já nascemos velhos. O cansaço branco da ditadura da realidade. Mas buscamos o sentido pelo novo. Usamos óculos – lente divergente, lente de ver gente. E caminhando de um lado para o outro, tecemos nossas armadilhas. Capturar a si mesmo. Estão vendo esta cicatriz profunda, obliqua, negra? Fomos nós que fizemos em nós mesmos. Precisávamos extirpar do fundo da existência tudo que era sagrado, intocável. Sim, a carne é triste. As certezas nos abandonaram de uma vez só. Sangue no ralo. E agora tudo era mil versos de infinitos significados possíveis. Multi-colorido, mas vermelho.

Pensar é pensar contra. A favor, já bastam os policiais de plantão, a censura dos acomodados, a inércia dos puristas, a visão cega dos falsos gurus. Então, zagaia a ponto de sonhar uma posição improvável: a esquerda da esquerda. Nossa política é a estética do imponderável. Sejamos sinceros: joguemos pedras nos porcos.

Nossa arte é o produto do parto sangrento de um ouriço do mar. Zagaia é lança de arremesso curto, certeiro, mas voa no ar de maneira sinuosa. Porque nomear algo que propositalmente foi colocado às escuras significa perder de vista o próprio objeto. Para além da distorção, no blefe, acreditamos que a arte é um acúmulo de tempos desiguais e combinados. Um salto livre sob o céu da história. Nosso compromisso é com o agora, espaço fora do lugar, com o não-lugar. Telas sem molduras. Está mais do que na hora de cumprir aquela promessa radical. Não concordamos, não aceitamos, não acreditamos – enfim, não vendemos. Estamos fartos daquela arte bem-comportada, imunizada, higiênica. Às favas com a moderação e os bons costumes! Chega desta cultura-consumo. Arte-mercadoria. Não comercializamos o sentimento. Nosso ócio negado é o incesto. Nosso negócio é a imagem imoral de uma mulher com flores nos cabelos. Uma música que toca ao contrário. Alguém dançando no escuro.

Se as condições objetivas da vida não nos permitem viver qualquer utopia fora do capitalismo, o que nos resta é sabotá-lo. Zagaia é terrorismo cultural. Terror que espanta: o medo de sair do útero. Reconfiguração radical do simbólico. Grito das quebradas e mundaréis. A maior imoralidade é a moral. Sejamos libertos, libertários, libertinos: zagaiatos. Mas, sempre verdadeiros. Nosso embate é estético. Para que possamos ocupar de vida o vazio das palavras. Neste mundo de simulacros, nós queremos mais. É chegado o momento de sermos arco, flecha e alvo. Signo, significado e objeto. Instrumento-mensagem. Flecha contra todos, alvo de nós mesmos.

Um projeto anti-projeto. E ainda assim"

sexta-feira, 8 de abril de 2011

"TRABALHOS PROMÍSCUOS"


"Inside Job", documentário imperdível
autor do texto publicado em 01/03/2011:
Luiz Gonzaga Belluzzo

"O sempre instigante Eu&Fim de Semana publicado nas edições de sexta-feira do Valor, ofereceu a seus leitores uma entrevista do economista Lawrence Summers. Summers, entre outras proezas, ficou conhecido por declarações polêmicas. Recomendou o incentivo à deslocalização de indústrias poluidoras para os países da periferia. Reitor de Harvard, Summers decretou a incapacidade da inteligência feminina em lidar com as complexidades das "hard sciences".
Observei Summers no café do pavilhão onde se realizava a reunião do Fórum Mundial Davos, em 1993. Entre um gole de café e outro, Summers iniciou um sermão aos circunstantes sobre políticas econômicas nos países em desenvolvimento. As lições de Summers sucederam uma tertúlia sobre a economia mexicana que, segundo os participantes da mesa, navegava de velas enfunadas rumo à prosperidade. Não faltaram reverências e salamaleques ao então presidente Salinas de Gortari e a seu ministro da Fazenda, Pedro Aspe.
Sentados na plateia, o professor Carlos Antonio Rocca e este locutor que vos fala, entre estarrecidos e irritados, ouvíamos os julgamentos peremptórios que fluiam do debate entre os sabidos da academia e financistas mais sabidos ainda. As opiniões iam da celebração incondicional do modelo mexicano às referências derrisórias ao Brasil. Digo estarrecidos porque, naquele momento, o México apresentava um déficit em transações correntes de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), déficit fiscal elevado e a dolarização galopante de sua dívida interna, infestestada de Tesobonos.
Em dezembro de 1994, o México quebrou vítima de uma "parada súbita" e só sobreviveu com o socorro do Tesouro Americano e do Fundo Monetário Internacional (FMI), providência destinada a salvar os bancos de Tio Sam. Summers, então subsecretário do Tesouro de Clinton capitaneou a operação de salvamento.
Não havia como escapar da impressão de que Summers era encarnação mais acabada do personagem de Molière, o "idiot savant", cheio de si, como tantos outros que se abrigam sob o manto hoje prestigioso dos estudos da economia. (Evito a expressão ciência econômica para evitar que o ego já inflado dos sabichões sofra um processo fatal de inchaço e implosão).
Pois Summers é um dos personagens centrais do imperdível documentário "Inside Job" de Charles Ferguson que, na madrugada de ontem, levou o Oscar na sua categoria. O título do filme foi traduzido para o português como "Trabalhos Internos" - é lamentável a falta de imaginação do tradutor, que provavelmente não viu o filme. "Inside Job" é uma expressão idiomática. Um amigo, mais versado do que eu no idioma de Shakespeare, sugeriu "Trabalhos Promíscuos".
2
O documentário mostra que Summers faturou uma nota preta ao ministrar palestras remuneradas pelos senhores do Universo sobre as maravilhas da desregulamentação financeira. Entre suas idas e vindas ao governo, dedicava-se a assessorar instituições financeiras mediante farta remuneração. Não sei se ele está no rol de 19 economistas investigados no estudo do seu colega Gerald Epstein, da Universidade de Massachusetts Amherst.
O estudo trata do conflito de interesses entre a atividade acadêmica, a ocupação de funções no Estado e as atividades de consultoria, quando os personagens não advertem a opinião pública a respeito de suas ocupações e pertinências. Essa confusão de papéis está gerando um movimento entre os economistas americanos para a adoção de um código de ética.
Não se trata de limitar as atividades profissionais dos economistas, mas sim de tornar claro ao público que as opiniões podem estar viciadas e deformadas pela infiltração de interesses estranhos à independência acadêmica e à função pública.
Enquanto secretário do Tesouro de Clinton, Lawrence Summers trabalhou intensamente para a aprovação no Congresso dos Estados Unidos do Gramm-Leach-Bliley Act. Essa lei derrotou a legislação dos anos 1930, o Glass-Steagal Act, que separava os bancos de depósito, os bancos de investimento, seguradoras e instituições voltadas para o financiamento imobiliário e "fundeadas" na poupança das famílias.
Há uma livre e brutal concorrência. A expressão grande demais para falir esconde mais do que revela
Os mercados financeiros contemporâneos lograram capturar os controles da economia e do Estado, mediante o incrível aumento do seu poder social e político. As transformações ocorridas no sistema financeiro desataram a livre e brutal concorrência no capitalismo da grande empresa e das grandes instituições financeiras.
A expressão grande demais para falir esconde mais do que revela. Nos últimos anos, a securitização e a alavancagem construíram uma teia de relações de débito e crédito entre as grandes instituições espalhadas pelo mundo. Os bancos de investimento e os demais bancos sombra aproximaram-se das funções monetárias dos bancos comerciais, abastecendo seus passivos nos "mercados atacadistas de dinheiro" ("wholesale money markets"), amparados nas aplicações de curto prazo de empresas e famílias. Não por acaso, a dívida intrafinanceira como proporção do PIB americano cresceu mais rapidamente do que o endividamento das famílias e das empresas. Esse fenômeno corresponde ao controle da riqueza social pelas instituições privadas, o que torna impossível a omissão dos bancos centrais quando um elo da cadeia se rompe.
O depoimento mais constrangedor, entre tantos de "Inside Job", é prestado pelo economista Frederick Mishkin. Ex-membro do Federal Reserve, Mishkin não consegue explicar porque às vésperas do colapso dos bancos da Islândia produziu um relatório que assegurava a estabilidade do sistema financeiro do país, mediante o estipêndio de US$ 124 mil".

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SETOR PRIVADO É ISSO AÍ, também.......


Muitos porta-vozes de empresas e organizações empresariais falam da lendária eficiência do setor privado, do mercado, da 'sociedade que carrega o Estado nas costas', da ‘sinergia’, da competitividade, da globalização, das redes. Com pose e circunstância, desfilam também seus comentários sobre os ‘pesadíssimos encargos sociais’, sobre o ‘custo Brasil’ etc etc. Mas, competentes que são, nossos CEOs e empreendedores não ficam só na retórica. Partem para a ação criativa (ou criminosa?), adaptando-se ao alegado ‘ambiente carente de reformas estruturais’. Nessa toada, alguns baluartes da livre iniciativa nacional adotam “medidas macroprudenciais”, como as das CASAS PERNAMBUCANAS (na quadrilha 'melôt do chiquê' que fizemos acima, a coisa funciona assim: você  paga pelo moletom R$ 79,90 às PERNAMBUCANAS, que pagam R$ 33,50 para a 'Dorby Fashion', que paga R$ 4,30 para a enxuta 'company slave' da Zona Norte de Sampa ).

Afinal, o que vale é agregar valor ao cliente, não é mesmo?

Auditores do trabalho autuaram as Casas Pernambucanas por utilização de trabalho escravo em sua cadeia produtiva, conforme a excelente reportagem de BIANCA PYL, publicada na http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1874. 16 trabalhadores (2 adolescentes entre eles), egressos da Bolívia, recebendo R$ 400,00/mês por 60 horas semanais, em condições precárias e insalubres. “Fashion” a eficiência das PERNAMBUCANAS, não? Registre-se ademais, para não perdermos o costume, que as menções de fatos como este, na gloriosa mídia brasileira, são reduzidas quase a zero. Vai ver que é censura do Lula - ops, da Dilma - né não?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

01 de abril de 1964


O fato é que o golpe militar se consumou mesmo no dia da mentira. Àqueles que omitem sua cumplicidade e colaboração com a ditadura resta o cinismo. Posando de baluartes da liberdade de imprensa e expressão, utilizam-se hoje dos mesmos princípios que os orientaram ontem: o moralismo, a omissão e a reedição contumaz da mentira. Beneficiados pela morte dos que tombaram, contam também com o apoio entusiástico dos que mudaram de lado - que lhes servem como escudo e troféu de salão.

Abaixo, endereço para a cópia de bom documentário sobre Carlos Marighella, a quem os mentirosos de sempre chamam de "terrorista".

http://acervonacional.blogspot.com/2010/11/marighella-retrato-falado-do.html