quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

EUFORIA SEM RAZÃO - com Júnior Pita, para Elton Medeiros

Triste cenário
Desfilando a falsidade sem pudor
Alegria fabricada, sim senhor
Você não quer admitir
Dizendo que o mundo mudou

Carros, confetes
Pra quem sempre de honraria desfrutou
Já faz tempo que a avenida se fechou
Eu sei, ninguém pôde impedir
Mas sem razão, piorou

Batuqueiro bamba não saiu
A velha cuíca não roncou
A baiana cabisbaixa
sem ouvir o repinique
do ano anterior

Lá de trás das cordas, confusão
Quem ficou de fora esmoreceu
Desespero, choro, mágoa
Descartada a Velha Guarda
O coração sem bater

Em vez de emoção, só vaidade
Desprezo à memória e à tradição
A luz sobre a euforia e o disfarce
Na penumbra o baluarte
Seu olhar, desilusão

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Rogério Ceni, o "absoluto"

Ontem o famigerado time do Jardim Leonor - o espetacular, o fantástico, o contemporâneo, o organizadíssimo, o vanguardista SAMPAULO - classificou-se facilmente para a próxima fase da Copa do Brasil, ganhando por 3 a 0 do Treze/PB. Assim como milhões de simpatizantes (*) do "soberano", Rogério Ceni parece se sentir mais à vontade no exterior do que em seu próprio país. Sabendo dessa característica intrinsecamente global de tão magnânimo clube - bem como de seus sofisticados clientes "fidelizados" por competentes estratégias de marketing de relacionamento e pelas infinitas recentes conquistas universais do time - o necessário sítio FUTEPOCA faz aqui (http://www.futepoca.com.br/2011/02/copa-do-brasil-2011-rogerio-ceni-vai.html) impagáveis considerações sobre a participação na Copa do Brasil do eterno reserva do goleiro Marcos. O mote é uma declaração do "absoluto" feita em 2008:"Com todo respeito à Copa do Brasil, mas eu não consigo me ver jogando em Macapá [capital do Amapá], e sim em Maracaibo". (Rogério Ceni)


(*) Diversas pesquisas apontam o SaMpaulo em 3º lugar no 'ranking de torcidas'. Colocação incontestável , pois é praticamente impossível identificar quem são os 'torcedores de fato' e os meros 'simpatizantes'. Flagrantemente neste caso, o nº de 'simpatizantes' é altíssimo. Os torcedores, aqueles que efetivamente acompanham o time no estádio e/ou fora dele e entendem de futebol, são em geral menos impertinentes do que os sem noção - aquela turma do "e aí, galera? De quanto ganhou ontem o meu tricoloriririrrrrr????????"

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Vale quanto é feia

Na semana passada, a seleção brasileira fez uma apresentação digna de sua nova camisa: rídicula, sem novidade, padrão em franca decadência. Resultado? Mais uma derrota para a França, que nos mostrou mais um argelino talentoso como seu camisa 10.
Tô nem aí para os executivos e acionistas das transnacionais de material esportivo - a não ser quando despertam meu ódio e oposição se cúmplices da utilização de trabalho escravo na cadeia produtiva das mercadorias oferecidas por suas empresas - mas a Nike poderia aprender um pouco com as concorrentes. Adidas e Umbro, por exemplo, têm desenhos e combinações muito mais interessantes. A Pênalti mesmo é em geral bem mais imaginativa e menos extravagante.
De resto, é impressionante a resistência da CBF e/ou fornecedores de material esportivo em usar as cores branca, azul e verde como alternativas para combinações de uniformes da seleção. Mas com os pregos que estão batendo bola no escrete - todos "estrangeiros" dos "Tchiélssis" da vida -talvez seja melhor ficar com esses trapos aí mesmo. Que horror!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Há 29 anos pisei pela primeira vez no gramado do Morumbi para ver este histórico momento de uma brilhante palmeirense


Eu estava prestes a completar 11 anos de idade. A minha turma toda pagou a Geral - aquele setor atrás do gol, bem baratinho. Uma lembrança pra lá de agradável me traz aquele 7 de fevereiro de 82. Caxingui, futebol na rua, Chico Buarque ("cuidado com aquele bêbado maconheiro, menino"), João Bosco, Clara Nunes....Eu não entendia nada de nada e é provável que hoje eu entenda menos ainda, mas me achei ali naquele momento o pirralho mais feliz do mundo. Não sabia o motivo da felicidade. Vai ver era a música, era a mistura das notas com a mente meio fértil de moleque fanático achando que o universo girava em torno do futebol. Aqueles artistas todos em campo, um gramado que me parecia inatingível.... Quando alguma alma, completamente distante da chatice do mundo atual, liberou o acesso da Geral para o gramado. Foi justamente nessa hora que eu e minha turma adentramos ao gramado e, ao som de "Portela, eu nunca vi coisa mais bela", comemorei o gol imaginário mais bonito que fiz em toda a minha vida. Dei pulos de Pelé em direção à arquibancada, dei beijinhos de Jorge Mendonça para a torcida, na "festa do divino carnaval".

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"TCHIÉLSSI"


Um dos efeitos relevantes da desclassificação do SCCP na pré-libertadores será, talvez, a concessão por parte da mídia de maior destaque às competições nacionais. Como o clube que detém a segunda maior torcida do Brasil não disputará neste ano mais nenhuma competição internacional, pode ser que o 'paulistinha' volte a ser visto ao menos como 'campeonato paulista' e que o Brasileiro e a Copa do Brasil não sejam encarados apenas como meros passaportes para a Libertadores e para o Mundial. Mundial, aliás, para o qual Real Madrid, Barcelona, enfim, os 'Tchiélssis' da vida estão pouco se lichando. Inversamente aos basbaques vassalos 'brazileiros' que, submetidos ao complexo de vira-lata e felizes protagonistas periféricos do colonialismo cultural, consideram o máximo pisar num gramado ajeitadinho cuspido por algum europeu. Era diferente. Eles invejavam nossa arte de jogar bola; temiam-nos. Em nossa seleção de 82, a melhor de todos os tempos em minha opinião, apenas Falcão jogava em outro país. E todos nos sentíamos representados pelo escrete; muito diferente do atual, sempre repleto de Mellos e malas da vida. Nosso estadual era o "Paulistão"; ninguém ligava muito para Arsenal, Milan e pregos do tipo. Mas há cada vez mais quem considere evolução babar ovo da pompa e circunstância dos loirões 'blue eyes' das europas. Intrigante nosso processo de subdesenvolvimento no quesito futebol, preocupados que estamos mais em nos igualarmos aos gringos, do que em acentuarmos nossas diferenças que, nesta arte, sempre nos fizeram mais felizes e admirados. Conquistas e reconhecimento internacionais são resultantes do sucesso obtido na terra onde nasceram e jogaram Pelé, Garrincha, Coutinho, Ademir, Zico e tantos outros . Difamar incessantemente os campeonatos regionais, minimizar a importância da copa do Brasil e do Brasileirão, fazendo da Libertadores e dos Mundiais de ocasião a única razão de ser das glórias de nossos clubes, é um desrespeito à lógica e ao nosso próprio talento. Quê quê quê quê quê quê quê 'Tchiélssi' o quê, rapaz!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CD do carnaval paulistano 2.011

Após 4 anos de gravações que privilegiaram duvidosos teclados (2.007, 2008, 2009 e 2010), o cd do carnaval paulistano de 2011 volta a dar a merecida relevância às baterias das escolas. Pra quem gosta de batucada, como a do Mestre Teco, da Nenê de Vila Matilde, eis o aspecto positivo a ser mencionado.