sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

NATAL


O HOMEM de UM BRAÇO SÓ
adsfadfa
“Com um braço só,
Já fiz o que você não faria
Acho que era covardia,
Eu ter dois braços também
dfadfadfa
Com um braço só,
Já dei tapa em vagabundo
Dei a volta pelo mundo,
Mas também já fiz o bem
  dfadfadfa
Com um braço só
Vou viver a vida inteira
Mandando em Madureira
E em outras terras também
sdfasda
Com um braço só,
Eu comando na avenida
A minha Portela querida
E que me quer tanto bem”
adfadfa
Letra e melodia de JOÃO NOGUEIRA
para o 'seu' NATAL -  Natalino José do Nascimento













Para mais informações, leia:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Festa de final de ano: ZAGAIA (na Fradique nº 1048 - R$ 10,00)































Amanhã Festa de Final de Ano da Zagaia! De quebra samba de bambas e o lançamento do Bloco Carnavalesco Zagaia!

O bloco Zagaia reúne músicos de diversas agremiações de São Paulo (Camisa Verde e Branco, Projeto Nosso Samba, etc…), assim como integrantes de diversos coletivos artísticos como o o grupo de teatro Folias, o Coletivo Político Quem e a Zagaia. É um bloco que discutirá temas presentes no cotidiano brasileiro, que nos incomodam e nos fazem pensar, de um modo bem humorado e radical.

Nosso primeiro tema será “Vai acabar a ditadura civil militar?” No processo de construção de nosso enredo discutiremos alguns pontos que nos parecem importantes e permanentes em relação à ditadura militar:

- Ditadura civil-militar – quais empresas financiaram a tortura no Brasil?

- Os por quês da impunidade contra os torturadores na contramão da América Latina?

- O que persiste da ditadura na cultura? Como se encaixam nisso os meios de comunicação.
- A persistência dos esquemas de tortura policiais herdados dos anos de chumbo junto à população mais pobre.

O lançamento do bloco será amanhã junto a Festa da Zagaia, quando comemoraremos também os 51 anos do nosso camarada Zagaiato Selito SD.
Nosso desfile acontecerá no domingo, 1o de abril, dia da mentira e do golpe civil-militar de 64.
Estão todos convidados!
Abraços
Coletivo Zagaia

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"....quebrei o vídeo da televisão...."


O deslumbramento geral à substituição de Fátima Bernardes por Patrícia Poeta no comando do J.N. é  um episódio do jornalismo como produto. A transformação do debate público sobre a concessão de rádios e TVs em fantasioso intento de censura é outra face da mesma mercadoria. Que traveste de análise econômica a opinião do “mercado” – como se este fosse uma pessoa ou um deus, ao qual todos devem temer e se submeter. Que embala, comportada e fria, a ascensão nazi-fascista. Que seleciona, complacente e secreta, quais os tons dos alertas.
dfadfasdfa
Quem restringe a ‘liberdade de expressão’ à ‘liberdade de imprensa’ banaliza em  ritmo industrial denúncias cheias e vazias. Edição a edição, resplandece em hipnose incessante seus desejos inconfessáveis. 

E  o  pensamentoaavital aadá  lugar  ao  entretenimento  bestial....
sdfafdadaf
O Trabalho, ao negócio
O Gozo, ao sequestro do ócio
A mente, ao corpo demente
Dormente à outra que mente.


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Letra da canção disponível no áudio,
interpretada por Bosco e Paulinho da Viola:

"BANDALHISMO
João Bosco e Aldir Blanc
dfadfadfa
Meu coração tem butiquins imundos,
Antros de ronda, vinte-e-um, purrinha,
Onde trêmulas mãos de vagabundo
Batucam samba-enredo na caixinha.
asdfasdfasd
Perdigoto, cascata, tosse, escarro,
um choro soluçante que não pára,
piada suja, bofetão na cara
e essa vontade de soltar um barro...
asdfasdfadf
Como os pobres otários da Central
já vomitei sem lenço e sonrisal
o P.F. de rabada com agrião...
adfadfadfas
Mais amarelo do que arroz-de-forno,
voltei pro lar, e em plena dor-de-corno
quebrei o vídeo da televisão."

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira

Abaixo o gol que o próprio Doutor considerava o mais importante de sua carreira. Fui um dos 95 mil presentes no Morumbi, naquela noite de 1983:

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CABIDE de MOLAMBO (João da Baiana)

















Meu Deus, eu ando com o sapato furado
Tenho a mania de andar engravatado
A minha cama é um pedaço de esteira
E uma lata velha, que me serve de cadeira
Minha camisa foi encontrada na praia
A gravata foi achada na ilha da Sapucaia
Meu terno branco parece casca de alho
Foi a deixa de um cadáver num acidente de trabalho
Meu Deus, meu Deus...
E o meu chapéu foi de um pobre surdo e mudo
As botinas foi de um velho da revolta de Canudos
Quando eu saio a passeio as almas ficam falando
Trabalhei tanto na vida pro malandro estar gozando
Meu Deus, meu Deus....
A refeição é que é interessante
Na tendinha do Tinoco no pedir eu sou constante
Seu português, meu amigo sem orgulho
Me sacode um caldo grosso carregado no entulho
Meu Deus, meu Deus...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CÂNTICO NEGRO, de José Régio - por Paulo Gracindo


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Contando com o ‘silêncio sorridente' de seus eleitores e ignorante sobre o que acontece no cimento da arquibancada, o ‘bom moço’ da foto veta de vez a liberação das bandeiras em estádios.

A possibilidade de sanção do projeto de lei que garantia a volta das bandeiras teve grande repercussão, predominantemente favorável. O noticiário sobre o veto de Alckmin, porém, foi discreto, quase inexistente. Aos encruados, como o governador, os mastros!
fasdfadfadfadfadfa
Leiam a respeito do assunto o excelente TERRA PROIBIDA, de  Flávio Gomes.

"Ontem (12/10/2011) o governador de SP, Geraldo Alckmin, vetou o projeto de lei que liberava a volta das bandeiras aos estádios de futebol.
Em 1995, elas foram proibidas. Aconteceu uma briga monumental num jogo de juniores entre Palmeiras e São Paulo no Pacaembu e um rapaz foi morto a pauladas.
Não foi um mastro de bandeira que matou o rapaz. O estádio estava em obras e os irresponsáveis do governo de SP (que cuida da PM) e da Prefeitura (dona do Pacaembu) não se tocaram que aquilo era um arsenal gratuito à disposição de duas torcidas rivais e violentas. Em jogo sem cobrança de ingresso entre esses dois times, colocar suas organizadas dentro de um estádio cheio de entulho e material de construção deveria levar todas as autoridades à cadeia.
Mas o que foi feito? Proibiram as bandeiras. Faz 16 anos.
Quem tem hoje menos de 20 nunca frequentou um estádio em SP com bandeiras. Os estádios de SP são de uma tristeza atroz. Tudo é proibido. É proibido pintar o rosto. É proibido levar cornetas e rádios de pilha. Instrumentos de sopro, das velhas bandinhas, não entram. O prefeito acabou com as barraquinhas com sanduíches de pernil. Cerveja não pode, também.
Aliás, ontem eu fiz uma listinha de coisas que os sucessivos governos estadual e municipal andaram impondo em SP nos últimos tempos.
Não pode fumar em bar. Há uma perseguição às barracas de pastel nas feiras. Radares controlam nossas vidas: não fez a inspeção veicular? O radar te fotografa. Pegou um congestionamento e ficou preso no trânsito no horário do seu rodízio? O radar te fotografa. Às 11h a maioria dos botecos fecha suas cozinhas, porque à 1h reina o silêncio e o estado de sítio. Luminosos de néon desapareceram. Não pode usar celular dentro de banco. Não pode usar sacola plástica em supermercado. Não pode isso, não pode aquilo. Já não sei mais o que pode e o que não pode.
Mas fiquemos nos estádios e nas bandeiras.
Frequento estádios há 40 anos. Nos últimos 20, para arredondar, as torcidas uniformizadas viraram gangues. Marcam brigas pela internet, se pegam nas estações de metrô e nos terminais de ônibus. Nunca ninguém morreu atingido por um bambu ou por um cano de PVC dentro de um estádio. Mas as bandeiras se transformaram nas grandes vilãs. Proibimo-las, e a paz reinará no futebol.
Não há briga dentro de estádio. Quem já sentou a bunda numa arquibancada sabe disso. As brigas acontecem fora, e são anunciadas, agendadas com dia, hora e local. Mas as autoridades de segurança, incompetentes e preguiçosas, se abstêm de evitar que ocorram. Não prendem ninguém, morrem de medo. Proíbem as bandeiras, é mais fácil. Há 16 anos não temos mortes causadas por bandeiras, é capaz de dizer um desses. O governador Alckmin, talvez.
Meus filhos, que frequentam estádios, nunca viram bandeiras em SP. Quando assistem a jogos de outros Estados e países pela TV, acham tudo lindo. Ficaram felizes da vida quando eu disse que um projeto para liberar as bandeiras tinha passado na Assembleia. Perguntam todo dia quando vão poder levar bandeiras ao Canindé. Faltava só o governador sancionar a lei. E o cara veta o projeto por questões de segurança. Não tem a mais remota ideia do que está falando e fazendo, mas fala e faz. Tira a cor e a alegria dos estádios, e que se foda. Não discute a questão, não ouve ninguém, não tem o menor contato com a realidade. Incapaz de prover segurança à população, joga nas bandeiras a responsabilidade por sua incapacidade. Não há, repito, problema algum dentro de estádio de futebol. Faz tempo. Hoje as torcidas são separadas, há limite de ingressos para visitantes, as merdas todas acontecem bem longe e nada têm a ver com o futebol em si, com os jogos, com os eventos. De novo: são gangues conhecidas e identificadas, é só ir atrás, prender, processar, julgar.
Mas isso dá um trabalho… Então, proíbem as bandeiras.
Essa gente, como disse um amigo, está precisando de um banho de povo."


Nota: Chegamos ao texto acima a partir do blog de Fernando Szegeri, indicado por Douglas Germano.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Palmeiras surpreende na Bahia e pode complicar para rival e Jd. Leonor

Caso o SCCP não seja campeão já na próxima rodada, o Palmeiras – surpreendentemente livre do rebaixamento – pode complicar o atual líder no final do Brasileirão. Caso a diferença do SCCP para o Vasco se mantenha ao final da 37ª rodada , os dois maiores clássicos brasileiros - SCCP x Palmeiras e Vasco x Flamengo - prometem ser eletrizantes. Possíveis vitórias de Vasco e Palmeiras podem tirar o título do favorito SCCP. Palmeirenses e vascaínos sonham com esse cenário. Com elenco muito pior do que caracterizaria um time medíocre, ao Palmeiras resta impedir que o rival seja campeão e que o Jd. Leonor chegue à Libertadores. Seria um alento para o palmeirense, que se vê apequenado diante da sucessão de vexames só comparáveis aos vividos pelos botafoguenses. Alento preocupante; porque afirmar-se somente pela negativa, ainda que auxiliando a simpática Cruz de Malta, é papel que não cabe a quem se pretende imponente.

Veja os tentos do jogo do Vasco, que venceu o Avaí no sábado. Reparem no golaço de Felipe. A seguir, os gols que salvaram o Verdão da possibilidade de rebaixamento. Ufa!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Aldir Blanc e João Bosco para JOÃO CÂNDIDO - O ALMIRANTE NEGRO


A seguir, a letra original de Aldir Blanc, antes do veto feito pela ditadura civil-militar brasileira, apoiada pelos boçais de ontem e de hoje.
fasdfadqsfasdfassd
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o Almirante Negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
Dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração de toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas,às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o Almirante Negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas no cais
Mas faz muito tempo

Há quem considere o Dia da Consciência Negra algo desnecessário, um exagero. São os mesmos que negam o racismo no Brasil e saudam o "tempo dos militares". São os mesmos que destilam ódio e preconceito aos ícones da luta popular. Às chibatadas deles, sambas  que lhes perturbem a paz e exijam o troco. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

LULA, OS PELOS E A PELE

(fonte: Carta Maior; 5ª feira, 17/11/ 2011 - editorial)

“Em mais de trinta anos de vida política, Lula foi virado no avesso pelo conservadorismo nativo. A direita e seus ventríloquos midiáticos , com maior ou menor dose de recato,e em alguns casos sem nenhum , submeteram a sua alma, seu coração e seus pensamentos, ademais de manifestações explícitas de natureza política, a uma tomografia ininterrupta. Lula ficou nu. Não escaparam seu passado e o futuro --especulado e várias vezes sepultado precocemente , bem como o presente dos parentes próximos ou distantes, amigos , companheiros e colaboradores mais estreitos. A sofreguidão frustrou-se a cada golpe desmascarado, cada fraude e calúnia esfareladas. A cada suposto revés definitivo o vínculo do líder com a sociedade estreitou-se. De um lado cresceu o mito; de outro, recrudesceu o ódio respingado agora da boca dos mais afoitos no episódio do câncer que o acometeu. O segredo de sua liderança, como ele próprio sintetizou um dia a seu modo, decorre de ser uma assumida construção coletiva do povo brasileiro com o qual estabeleceu um vínculo feito de lutas, conquistas, erros e acertos. Ao se depilar publicamente agora pelas mãos da esposa, antecipando-se a colaterais da quimioterapia, Lula reitera a confiança nesse laço que se sobrepõe às aparências e às versões. Ontem, ele foi vital para vencer o cerco político. Hoje , emanará energia positiva por parte daqueles que sabem enxergar além das aparências: Lula raspou pelos, mas não trocou de pele”.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

TEMPO PERDIDO (autor: Ataulfo Alves) por: Amélia Rabello


Mesmo derramando lágrimas
Eu não te posso perdoar
Chega o que eu tenho sofrido
Todo meu tempo perdido
Nunca mais eu quero amar


Hoje vivo procurando esquecer tua maldade
Vou viver no abandono pra fazer tua vontade
Apesar de ser sincero, tu me fizeste chorar
Não faz mal, segue o destino
O mundo vai te ensinar

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Um disco de quatro protagonistas"

                                   Froés,Cabral, Kiko e Campos por José de Holanda

por LUCAS NOBILE - n'O Estado de S.Paulo
fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-disco-de-quatro-protagonistas,795930,0.htm

Quando, na virada da década de 1970 para a de 1980, João Nogueira e Paulo César Pinheiro vaticinaram que "ninguém faz samba só porque prefere, força nenhuma no mundo interfere sobre o poder da criação", no disco Na Boca do Povo, sabiam mais do que ninguém o que estavam dizendo. Porém, como a própria história conta, houve um longo período em que a inspiração era tolhida e os artistas tinham de se submeter às imposições das grandes gravadoras para atenderem a fórmulas massificadas da indústria cultural.
Há alguns anos, com o declínio das majors, quem ganha é a música brasileira, com artistas independentes totalmente livres de amarras para criar. Nesta linha, seguindo a enxurrada de discos antológicos apresentados este ano, Romulo Fróes, Rodrigo Campos, Kiko Dinucci e Marcelo Cabral lançam hoje, gratuitamente, na internet, o primeiro álbum de seu projeto coletivo, o Passo Torto. Na rede, o disco chega completo, com todos os temas, encarte, ficha técnica e arte gráfica caprichada e assinada por Kiko Dinucci. Em breve, o trabalho sai em CD físico e já tem show marcado para 24, no Sesc Vila Mariana.

O álbum, sadiamente inclassificável por abarcar um balaio sortido de gêneros, estilos, texturas e diferentes percepções estéticas, surgiu da maneira mais espontânea possível. Todos os integrantes do projeto se conhecem de longa data e já participavam dos trabalhos individuais de cada um. "A característica mais óbvia do disco é essa coisa colaborativa. O Cabral toca no trabalho individual dos três, eu toco guitarra na banda do Rodrigo, que toca cavaquinho com o Romulo. O que acontece com a gente é diferente de trampo de músico, em que o cara toca e vai embora. Tem o lance da vivência. Isso transparece na música de um jeito espontâneo", comenta Kiko.

O pontapé inicial para o Passo Torto foi dado de forma despretensiosa, na Casa de Francisca. Na ocasião, Romulo fez um show com Rodrigo e Kiko naquele espaço, cada um mostrando seus temas e de outros compositores, como Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini. Romulo e Rodrigo já tinham feito três parcerias, que entraram no disco do primeiro, Um Labirinto em Cada Pé. Havia um tema restante e decidiram mandar para Kiko entrar na composição. Foi ali que Romulo sugeriu que os três não fizessem juntos apenas uma música, mas um disco. "Não pode dar nenhuma ideia para os caras que já surge um disco. Você faz um ré menor e... Opa, vamos fazer um disco", brinca Marcelo Cabral.

A ideia inicial era a de ter uma formação com Romulo (voz e violão), Rodrigo (voz, cavaquinho e violão) e Kiko (voz e violão). "Gravamos uma pré (demo) e o Maurício Tagliari, que produziu o disco com a gente, achou que faltava um baixo para organizar melhor as ideias", conta Romulo sobre a entrada definitiva de Cabral no projeto. "O Cabral foi determinante. Eu e o Kiko ficávamos meio livres, cada hora cada um fazia uma coisa. Ele chegou e ajudou a gente a ter uma delimitação, no melhor sentido, de escolher as melhores ideias", explica Rodrigo.

Arranjos e percussão. Levando-se em conta que os quatro integrantes do Passo Torto participam dos discos individuais de cada um, o primeiro trabalho do grupo corria o risco de soar como o álbum de algum deles tendo os outros três como figurantes. Definitivamente, não é o que ocorre. Como todos eles são em sua essência criadores - incluindo Cabral, que não assina nenhum tema do disco, mas tem se dedicado mais à composição -, o resultado apresentado pelo Passo Torto é um disco de quatro protagonistas.

O momento de cada um se sobressair dentro de uma composição é absolutamente natural, já que o disco não conta com arranjos escritos. Os instrumentos soam ao mesmo tempo estanques e amalgamados. É possível ouvir com clareza e entrelaçados o violão peculiar e percussivo de Kiko, o cavaquinho melodioso e repicado de Rodrigo e o baixo acústico de Cabral - ora com arco, ora dedilhado - sincopado ou na construção de climões. Pela formação, pode-se pensar que a percussão fará falta, mas, como o próprio nome do grupo sugere, escapando do óbvio, eles escrevem novo capítulo para seus instrumentos e dão conta do recado. "A gente fez um show com sax e bateria. Serviu pra gente ver que a formação, pela proposta do projeto, tinha de ser essa atual", explica Romulo.

O disco mescla facetas de Romulo, Rodrigo e Kiko, com novidades, como, por exemplo, o fato de o primeiro ter escrito uma letra para a obscura A Música da Mulher Morta, proposta por Kiko. Em todo o disco, cada um deles aflorou uma nova qualidade. Kiko fez, por exemplo, a doce Por Causa Dela, se adequando mais ao lado melodioso de Romulo. Há espaço para a crônica cotidiana e urbana de Rodrigo e Kiko em Samuel e Faria Lima Pra Cá, e do primeiro com Romulo, em Da Vila Guilherme Até o Imirim - cuja primeira frase melódica lembra muito o tema Muro, de Romulo. Deste, novamente observa-se a característica de músicas que pedem versos imagéticos, como Detalhe Azul, É Mesmo Assim e Cidadão. Enfim, entre a tradição e o moderno, Passo Torto já nasce atemporal e indelével.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A liberdade de omissão defendida pela grande mídia e a ocupação da reitoria da USP

A grande mídia - esta mesma que concentra em não mais que uma dezena de famílias riquíssimas o controle de jornais, rádios e TVs - está se esbaldando em parcialidade e cinismo na cobertura da ocupação da USP nesses últimos dias. Utilizando-se de artifícios grotescos - dentre os quais a deliberada omissão de outras vozes que não as das autoridades policiais - rádios, tvs e jornalões criminalizam a contestação da presença da PM na Universidade Pública. Fazendo vista grossa  à autonomia universitária, âncoras afilhados à visão patronal da comunicação passam a idéia de que os estudantes querem a USP como território livre para o consumo de maconha. Esta seria uma abordagem moralista se não fosse canalha.  Algum veículo da grande imprensa procurou mostrar, sem estigmatização, os argumentos que estavam realmente em jogo quando houve assembléia pela desocupação da FFLCH-USP? Não. Algum sapiente comentarista de rádio - leitor ATENTO dos e-mails  de um só lado mas  IRÔNICO e CÍNICO dos raros dissonantes - apresentou as alegações dos que contestam a presença da PM no campus? Não.
Neste 'post' não faço nada de novo, apenas reproduzo a dissonância. Tal procedimento não é tão velho, porém, quanto a prática daqueles que, proclamando-se porta-vozes da liberdade, estiveram sempre ao lado do arbítrio dos donos. Duvidam, meus poucos leitores? Então vejam as manchetes dos jornalões em 02 de abril de 1964, dia seguinte após o golpe civil-militar cujas funestas consequências vivemos até hoje.

Os textos abaixo foram retirados do excelente www.viomundo.com.br, de Luiz Carlos Azenha.

Ricardo Maciel: Abusos da PM nas ruas se reproduzem na USP
por Conceição Lemes
No dia 27 de outubro, quinta-feira, por volta das 18h, a Polícia Militar deteve três alunos que fumavam maconha num gramado junto ao estacionamento que divide os prédios de Geografia e História da USP, na Cidade Universitária.
Um grupo de estudantes começou a protestar, para evitar as prisões. A manifestação foi ganhando adesões – chegou a cerca de 500 — e a tensão aumentando. Os PMS chamaram reforço. Por volta das 21h30 estavam na USP cerca de 15 viaturas, a Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) e aproximadamente 40 policiais militares.
Após quase quatro horas de discussão entre representantes da polícia, estudantes e professores, começou o tumulto. Segundo alguns relatos publicados na mídia, os estudantes gritavam palavras e xingamentos contra a presença da polícia. Irritados, os policiais partiram pra cima do grupo. De acordo com outros relatos, também divulgados na mídia, quando policiais deixavam o local com os três jovens detidos rumo à delegacia, um grupo cercou as viaturas, jogando pedras e outros objetos. A polícia reagiu violentamente, com bombas de gás lacrimogêneo, gás pimenta e cassetete.
“A visão que a grande mídia criou em torno dos acontecimentos do dia 27 é a de que os estudantes da USP invocam a autonomia para poder continuar fazendo uso de seus baseados, recebendo um tratamento distinto do restante da população. Não, não é isso”, adverte Ricardo Maciel. “Na verdade, o aconteceu naquela noite foi o estopim de um rastilho de pólvora que a própria PM armou no campus desde cedo.”
Ricardo Maciel foi aluno de Letras da FFCLH da USP até 2010. No momento, se prepara para fazer mestrado. Como tem muitos amigos lá, foi até a Cidade Universitária apurar o que realmente havia acontecido. O que ele relatou, eu já tinha lido alguma coisa aqui, outra ali. Mas não de forma objetiva. Daí esta entrevista.
Viomundo – Qual a finalidade da PM no campus?
Ricardo Maciel – É dito que a PM está lá para prevenir assaltos, furtos e, principalmente, proteger a vida. Eu acho que o intuito é outro: é apenas repressor.
Viomundo — Por quê?
Ricardo Maciel –Na quinta-feira, logo pela manhã policiais militares estavam revistando estudantes, professores, funcionários, enfim, usuários em geral da Universidade. Muitos foram abordados na porta de suas faculdades e obrigados a apresentar documentos, abrir bolsas e mochilas, etc. Isso gerou descontentamento muito grande, que foi crescendo ao longo dia. De maneira que a própria PM armou o rastilho de pólvora. O episódio da noite só foi o estopim.
Entre estudantes, funcionários e professores há a certeza de que existem policiais do serviço reservado infiltrados na comunidade universitária. Isso me fez relembrar aquele policial à paisana que foi flagrado em frente ao Palácio dos Bandeirantes, quando carregava uma PM, inicialmente tomado como professor, posteriormente teve sua identidade real informada pela própria PM. Ou seja, tratava-se de um policial que estava infiltrado no meio dos professores da rede pública paulista.
Viomundo – Esse tipo de abordagem pela PM já tinha acontecido antes na USP?
Ricardo Maciel – Infelizmente, sim. Os abusos policiais cometidos pela PM nas ruas se reproduzem dentro da USP. Pessoas são revistadas aleatoriamente, e nem estamos num estado de sítio para que isso fosse normal e permitido. Há PMs que escondem a identificação e quando questionados sobre o fato agridem que os interpela — isso aconteceu na quinta-feira, 27 de outubro! Partem para grosserias e ironias no momento das abordagens.
Em síntese, além de uma PM despreparada para lidar com o público universitário, ela age como se não estivesse lá para proteger a vida, mas para deliberadamente implementar ações contra consumo de drogas, espionagem de atividades políticas e repressão a elas.
Viomundo – O professor Souto Maior já alertou para o fato de que a intransigência da Reitoria da USP em dialogar pode promover um massacre. Você acha isso possível?
Ricardo Maciel -- Tem-se na USP, neste momento, o caldo necessário para mais uma crônica de uma morte anunciada. Os mesmos crimes que a PM comete impunemente nas ruas, a rigor não estão isentos de acontecer dentro da USP. Não por acaso constatei que os alunos que escondiam o rosto na ocupação do Prédio da Administração da FFLCH e agora no prédio da Reitoria o fazem menos por medo de punições no âmbito da Universidade e mais pelo receio de retaliações da PM.
Viomundo – Você acha que a sociedade está informada do que realmente está acontecendo na USP?
Ricardo Maciel – Não. A visão que a grande mídia criou em torno dos acontecimentos do dia 27 é a de que os estudantes da USP invocam a autonomia para poder continuar fazendo uso de seus baseados, recebendo um tratamento distinto do restante da população. Não, não é isso.
Para maioria dos estudantes, a questão da autonomia se coloca noutros termos, eu diria que ela vai além deste ponto. No slogan ‘Fora PM’ usado pelos meus colegas está implícita a rejeição contra uma polícia despreparada e com protocolos além daqueles declarados por ela e, principalmente, está implícita a rejeição à existência de uma Polícia Militar, que na sua origem foi criada para reprimir movimentos sociais e políticos, coisa que ela faz até hoje com violência desmedida e de forma impune.
Assim, ela é uma excrescência e precisa ser reformulada.
Viomundo – Quais as bandeiras dos seus colegas?
Ricardo Maciel – Defesa do espírito crítico da Universidade e da sua autonomia, que são ameaçados por essa polícia despreparada e com intenções não declaradas dentro da USP. Mas fundamentalmente eles levantam a bandeira da luta por uma outra polícia, não militarizada e treinada para defender a vida, respeitar a pessoa independente de sua cor, renda e posição social.
Viomundo – Há outras bandeiras na atual manifestação estudantil?
Ricardo Maciel — Outra demanda é a democratização da USP, que é sabidamente a Universidade pública mais conservadora do país.
Tanto que o desejo de participar e dialogar sobre os caminhos da Universidade sempre bate numa parede. Isso leva os estudantes a colocar suas pautas fora dos espaços institucionais, já que estes só dão voz e poder de participação no processo decisório para uma parcela ínfima da comunidade universitária que, não por acaso, é a mesma há anos.
Nesse diapasão, os conflitos na USP tendem a se repetir. E sinceramente acho bom que eles se instalem ano após ano, pois só assim conseguimos minimamente levantar o debate sobre questões cruciais à Universidade e ao seu caráter público, já que de outro modo não se debate nada.
Se o Brasil renovou sua Constituição em 1988, a USP continua debruçada sobre uma estrutura de poder anacrônica, apoiada num Estatuto cheio de ranços que remontam à ditadura militar. Lamentavelmente, fora dos movimentos estudantil e sindical e de alguns poucos e abnegados professores, o que temos na principal universidade do país é um cemitério quando o assunto é refletir sobre o próprio fazer e a universidade.
A propósito, o governador Geraldo Alckmin, ao comentar o que está se passando na USP, disse que ninguém está acima da lei. Pois eu gostaria de lembrá-lo que a PM também não está acima da lei, mas age como se estivesse ao não usar identificação, ao abordar qualquer um quando bem entende, ao cometer os abusos que vemos todos os dias nos jornais sem que nada lhe aconteça.
Viomundo – Seus colegas estão sofrendo uma condenação moral por parte de alguns segmentos. O que você acha disso?
Ricardo Maciel — Uma covardia. Podemos até não concordar com os métodos ou com a oportunidade ou não do momento, mas não podemos dizer que não compreendemos suas razões. Afinal de contas, eles fizeram alguma coisa, não ficaram bovinamente esperando por promessas que nunca irão se cumprir.
Que a sociedade em geral se deixe enganar pela velha mídia que procura falar da maconha para desviar o foco do que realmente está em jogo, tudo bem, já é esperado. O estarrecedor é que existam pessoas na Universidade horrorizadas com uma porta quebrada ou uma bituca de baseado, sem se atentar para o principal. É uma hipocrisia. É como se olhassem apenas pro próprio umbigo, nada mais.
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8 de novembro de 2011 às 18:39
Estudantes denunciam “intervenção militar” no campus
Nota à imprensa do CAF (Centro Acadêmico da Filosofia) e CEUPES (Centro Universitário de Pesquisas e Estudos Sociais – Centro Acadêmico de Ciências Sociais)
Na madrugada do dia 8 de novembro de 2011, a Polícia Militar entrou novamente no campus da Universidade de São Paulo e realizou a reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado por estudantes desde o dia primeiro de novembro.
A operação começou com o cerco da área da reitoria e do perímetro da moradia estudantil (CRUSP). Entre quatro e cinco da manhã, os moradores acordaram com o som e as luzes dos helicópteros. A partir desse momento, aqueles que tentaram sair foram impedidos por cordões de isolamento e bombas de gás lacrimogêneo.
Em regime de exceção, os alunos foram sitiados em suas próprias moradias e tiveram seu direito de ir e vir suspenso. Alunos foram então impedidos de ir às aulas, e aqueles que trabalham sequer puderam dirigir-se ao ponto de ônibus.
Ao mesmo tempo, efetivos da PM, Tropas de Choque, GATE, GOE e Cavalaria, fortemente armados e auxiliados por helicópteros, entraram na reitoria e prenderam cerca de 70 alunos que foram deslocados para a 91a delegacia de polícia na Vila Leopoldina. Esses estudantes poderão responder por três crimes: desobediência à ordem judicial, crime ambiental e depredação do patrimônio público. Aventa-se ainda a possibilidade de enquadrá-los por formação de quadrilha.
Os procedimentos da reintegração foram feitos sem a presença de nenhuma autoridade da universidade, a despeito da formação de uma comissão de professores da Associação dos Docentes da USP (Adusp) responsável pelo acompanhamento da reintegração de posse, de modo que informações sobre danos, presença de objetos suspeitos, atos de vandalismo e abuso de poder não puderam ser averiguados.
Parte dos efetivos da tropa de choque ainda permanece em frente à reitoria. Outras unidades seguem rondando e vigiando o campus.
O número ostensivo de policiais e o uso da violência face ao número de estudantes que participavam da ocupação é desproporcional ao uso habitual de força em outras reintegrações relacionadas ao movimento estudantil, e constitui evento inédito no interior da Universidade.
Porém, é importante sublinhar que se trata de um procedimento comum da polícia em relação a movimentos sociais, revelando a incapacidade do Estado para abrir vias de reconhecimento de demandas sociais. A USP não constitui uma exceção à regra.
No âmbito da USP, esta intervenção militar assume um sentido ainda mais grave porque se soma a outras medidas repressivas, notadamente as perseguições políticas que vêm ocorrendo nos últimos anos. No momento, mais de 40 estudantes estão sendo ameaçados de expulsão definitiva da Universidade com base em um regimento disciplinar de 1972, escrito pelo ex-reitor da USP Luiz Antônio da Gama e Silva, também autor do Ato Inconstitucional Nº 5.
À luz desses acontecimentos, perguntamos: qual o real intuito de fazer tamanho uso de força policial para intermediar conflitos políticos dentro de uma instituição que tem como princípio a troca e produção de conhecimentos e o diálogo?

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8 de novembro de 2011 às 15:00
Mário Maestri: Pela volta da Idade Média à USP
por Mário Maestri, sugestão do professor Caio Toledo
Na Idade Média, era uma enorme conquista quando uma cidade obtinha uma universidade. Comumente, com ela, vinha o direito a uma ampla autonomia quando à autocracia do príncipe. Tratava-se de liberdade considerada indispensável para o novo templo do saber. Devido a isso, o campus universitário medieval possuía sua polícia própria e julgava seus alunos, funcionários, professores.
Aprendi isso, no curso de História da UCL, na Bélgica, onde fui recebido de braços abertos, em 1974, fugido da ditadura brasileira e chilena. No Brasil de então, não tinha nada daquilo. A polícia e o exército entravam, revistavam, espancavam, prendiam, torturavam e, até mesmo, matavam professores, funcionários e sobretudo alunos que não se rendiam ao tacão da ditadura cívico-militar.
Uma aluna sul-rio-grandense, mestranda em História da USP, escreveu-me um longo e-mail, pedindo-me quase desesperada solidariedade para com ela e seus colegas daquela universidade.
A carta da estudante registra a angústia de jovens que se assustam com a regressão dos espaços de liberdade conquistados quando da versão de redemocratização brasileira, onde os criminosos civis e militares de 1964-1985 seguiram em seus postos ou com suas pensões e aposentadorias, homenageados com nomes de praças, avenidas, ruas, ao morrerem.
A aluna relata a degradação das condições de convivência, de trabalho e de estudo naquela instituição, a mais destacada do Brasil.
Lembra que há muito se instauram processos administrativos contra alunos, funcionários e professores, eventuais motivos de demissão e de expulsão, por expressarem em manifestos, panfletos, ocupações, etc. suas idéias contra a política universitária dos governadores de São Paulo e dos dirigentes máximos daquela instituição.
Há cerca de dois meses, lembra a jovem, o senhor reitor lançou pelo retrete a autonomia universitária e escancarou o campus à Polícia Militar, sub a justificativa de reprimir a criminalidade.
Desde então, a Polícia Militar reina no campus - abordando, inquirindo, revistando funcionários, professores e sobretudo alunos. Certamente os principais objetos desses atos de intimidação são os alunos e alunas mais agitados ou de cabelo, roupas, adereços e comportamentos tidos como estranhos!
Conhecemos o resultado da política liberticida do senhor reitor – em 27 de outubro, alunos foram revistados por policiais militares, como sempre, na frente da Biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, onde se reúnem, tradicionalmente, os universitários suspeitos de pensarem em demasia!
A revista deu resultado. Três estudantes de Geografia foram encontrados com alguns baseados, motivos de pronta prisão e imediata resposta dos seus colegas, todos pertinentemente surrados, pois universitárias e universitários comumente magricelos, armados com canetas, livros e laptops, pouco podem contra os parrudos PM, com os seus tradicionais instrumento de trabalho – cassetetes, revólveres, escopetas, bombas dissuasivas ...
A resposta previsível dos estudantes foi uma festa para a grande mídia conservadora, sobretudo televisiva. A ocupação do prédio da FFLCH e depois da Reitoria, por estudantes encapuzados – ninguém quer ser objeto de processo e eventual expulsão – foi mostrada como a ação de bárbaros desordeiros no templo do conhecimento!
Isolada, sob o silêncio dos grandes e pequenos partidos, a garotada está sendo obrigada a retroceder. Até segunda-feira, tem que entregar o prédio. Se não, vão conhecer pancadaria grande, prisões e os pertinentes processos. Não conseguem, nem mesmo, apresentar suas mais do que justas reivindicações: fins dos processos contra estudantes e servidores e a interdição do Campus à Polícia Militar.
Por razões óbvias não registro o nome da autora da carta. Com minha total solidariedade ao movimento, faço uma derradeira reflexão. Se, na Idade Média, um senhor reitor atirasse pela janela do seu palácio a valiosa autonomia conquistada pela cidade, chamando a polícia para atuar livremente no campus, certamente seria destituído por seus pares e, possivelmente, mandado para a masmorra da Universidade, para refletir melhor sobre sua vontade de subserviência ao príncipe! Coisas da Idade Média.
Mário Maestri, é doutor em Ciências Históricas pela UCL, Bélgica, e professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF, RS. E-mail: maestri@via-rs.net

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PRA BATER MINHA VIOLA (de Elton Medeiros)










Pra bater minha viola
Fiz um samba sem razão
Fiz um samba sem dar bola
Pras coisas do coração

Pelo meu viver tão diferente
Procurei em toda gente
Coisa que não dá paixão
E fiz meu samba de um vazio
Ostensivamente frio
Sem marcas de ilusão

Pra bater minha viola
Fiz um samba sem razão
Fiz um samba sem dar bola
Pras coisas do coração

Se do meu viver tristonho esqueço
É sinal de que mereço
Tudo sem reclamação
Só fiz meu samba por esmola
Pra salvar minha viola
Das garras da solidão

terça-feira, 1 de novembro de 2011

IMPACTANDO A ESTARTADA DO PLUS

Tão questionáveis quanto os abusos legais que beneficiam uma minoria de servidores (?) públicos,  os altos rendimentos diretos e indiretos dos gestores privados também concentram recursos em pouquíssimas mãos. Não bastassem suas caríssimas horas de trabalho, boa parte delas gastas em reuniões, congressos, almoços e jantares que levam o nada ao lugar algum, muitos profissionais da gestão recebem , além dos gordos ordenados, vultosas comissões por “serviços prestados" ao  interesse próprio. Contando com o apoio dos pares que os pagam, restringem os salários de seus “colaboradores”, como gostam de dizer, para embolsar  o quanto possível. Servem-se , dentre outros seletos ingredientes, de um simulacro de ciência – a Administração – com a qual amealham traquejo retórico para a prática do ‘plus’ cotidiano, além de uma grande platéia sedenta para ingressar no restrito círculo. Sua auto-confiança e seus bons modos reluzem nos espelhos próprios e alheios, num presente que parece jamais cessar. Neste cenário pós-pós executam em grande escala o que há de mais clássico no capitalismo: a apropriação privada do excedente produzido coletivamente. Absolutamente.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

VILA MATILDE (autor: Paulistinha)


Vila Matilde é a campeã do samba,
O que é que há?
Sempre desfila com a sua bateria de abafar
Vila! És um reduto de sambista
Um berço forte de artista
E tem mulata pra sambar
 
Põe suas pastoras na rua
Deixa chover, lê lê
Hoje é noite de lua, lá lá
Põe sua moçada pra sambar
A noite é sua
Deixa o sangue da raça vibrar