quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PESO É PESO

TUCO e BATALHÃO DE SAMBISTAS realizaram de forma excepcional aquilo que se propuseram fazer. PESO É PESO é um disco de SAMBA gravado ao vivo: um belíssimo repertório executado e gravado com uma sonoridade rara de se encontrar atualmente. Competência sem frescura, harmonia e batucada, pegada e molho. Quem quer uma “nova roupagem” para o samba, aqui se decepciona. Em PESO É PESO se encontra mesmo é peso. De minha parte, a golada mais parruda e prazerosa vai para a belíssima AMOR A DEUS (de Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito).
Uma boa oportunidade para conferir o batalhão em plena atividade é nesse 20/11/2010, às 16h00, no parque do Carmo.

Vejam abaixo texto do cantor Roberto Saglietti Mahn sobre o cd.


Por: Roberto Saglietti
Fonte: http://www.samba-choro.com.br/noticias/pordata/24865

Finalmente saiu o disco tão esperado por todos nós, apreciadores do samba e da música popular brasileira em geral. "Peso é peso", com Tuco e o Batalhão de Sambistas e convidados, num registro ao vivo.

Foram duas noites memoráveis no Centro Cultural de São Paulo, em que Tuco e seu estrondoso e notável Batalhão encantaram a platéia com sambas da mais fina estirpe, e o mais interessante: muitos desconhecidos pela maioria do público que ali estava.

Esse disco é o resultado do importante e louvável trabalho do incansável Tuco (pseudônimo de Fernando Pellegrino Rodrigues Luzirão), que já há muitos anos - pra ser exato, há quinze anos - vai atrás de um repertório de sambas esquecidos e guardados nos fundos das gavetas, nos sótãos empoeirados e nas prodigiosas memórias de velhos sambistas, pesquisadores e incentivadores da boa música popular brasileira. Tuco é um garimpador, e não se contenta com pouco. Coleta, pesquisa e esmiúça, e não faz segredo: traz para todos seus fãs, admiradores e amigos, o resultado de suas buscas.

Um pouco desse material pode ser conferido nesse belíssimo disco, que traz obras de compositores talentosos e festejados no meio sambístico, tais como Bide, Cartola, Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Chico Santana, Aniceto, Manacéa, Noel Rosa de Oliveira, Antonio Caetano e tantos outros. Não dá para citar todos, mas vale lembrar que Tuco trouxe à tona compositores importantes do samba, e de várias escolas (Mangueira, Portela, Estácio, Salgueiro). Claro que o grande Paulo da Portela está presente, com "Não se deve contar glória" e a bela marcha-rancho "Aí vem a primavera", aliás com gloriosa interpretação. Boa para sair cantando: "Aí vem a primavera alegrar a nossa vida!"



Se o repertório é coisa fina, a apresentação das músicas não fica por menos. Na liderança do Batalhão está Tuco, com sua voz bela e poderosa que Deus lhe deu, e sua interpretação vigorosa.

A harmonia é impecável, com João Camarero e Junior Pita aos violões (um de sete cordas e outro de seis, tal como deve ser) e no cavaquinho, Lucas Arantes. Cabem aos três não só a tarefa de acompanhar divinamente, mas outrossim, de tecerem honrosas introduções. A propósito, só por ter dois violões e não um, o disco já é digno dos nossos maiores encômios.

A percussão faz jus ao nome do disco, é realmente "de peso": surdo, pandeiro, tamborim, agogô, afochê, reco-reco, caixa, ganzá e cuíca, e até apito, sob o comando de Donga, Beto Amaral, Jorge Garcia, Rafael Toledo (o homem dos mil instrumentos) e Alfredo Castro, nosso querido Alfredão. A batucada impressiona e chega a emocionar em muitos momentos do disco, e essa rapaziada toda está de parabéns.

Merece atenção especial o coro, que inúmeras vezes leva o ouvinte a momentos apoteóticos. São eles: Janderson Santos, Rafael Lo Ré e Fernando Paiva, além da contribuição inestimável dos percussionistas Alfredo Castro, Jorge Garcia e Donga, todos coristas de primeira. Destaque para "As Pastoras": a jovem Keila Santos, a inconfundível Francineth e a indefectível Cristina Buarque, que aliás, tem marcado presença nos melhores discos de samba que se tem visto por aí. Cabe a Cristina Buarque, outrossim, co-protagonizar, ao lado de Tuco e do Batalhão, um dos momentos mais emocionantes do disco: a irretocável "Desesperado", de Chatim.

Não podemos esquecer, aliás, de outros convidados de primeira linha: Monarco e Nelson Sargento, com toda a sua autoridade e realeza. Monarco comparece em duas faixas, cantando "Velha Portela" e "Secretário da Escola", ambas de sua autoria (a última, uma pepita em parceria com Picolino). Nelson Sargento entoa sua "Mesmo sangue na veia", em dueto com Tuco, que com certeza, tal como diz a canção, prosseguirá "trabalhando, colhendo semente, plantando, com o mesmo sangue na veia".

É louvável o trabalho de todo o Batalhão. Principalmente por apresentarem este repertório tão belo e trazê-los aos ouvintes de uma forma viva, visceral, respeitando a tradição, mas cantando-os aqui e agora. Fogem de modernizações excessivas e de gosto duvidoso, porém dão a sua honrosa interpretação, com o coração sempre na voz, na ponta dos dedos, na frente de tudo. Enfim, a sinceridade desse trabalho é um quê a mais a ser admirado.

Esse colunista não pode deixar de tecer loas aos momentos que mais marcaram as nossas intermitentes audições do CD:

- "Na floresta", minha favorita, e que venho agradecer publicamente ao amigo Tuco, pela dedicatória no encarte.

- "Fica de lá", de Alvarenga, que contém a máxima "embriagar por causa de mulher, não", e cuja energia na gravação é contagiante. Outra máxima interessante está em "Não há de quê": "o amor não se compra em armazém, é dado por alguém de coração. E não pede em pagamento nem um níquel de tostão."

- "Ela chorou", de Aniceto, pelo tom confessional.

- "Ironia", samba irreverente e inusitado, e que conta com uma bela introdução da harmonia.

- "Peso é peso (Nosso time do Estácio)", que dá nome ao disco.

- E "Ri melhor quem ri no fim", encerrando a audição com elegância e pujança. Vale a pena citar: "E o nosso amor morreu, quem não lhe quer sou eu (...) Esse mundo é mesmo assim, ri melhor quem ri no fim".

Por fim, ressaltamos que o disco perpassa com categoria por todos os sentimentos e emoções humanas, atingindo com louvor os fins da arte musical. Ora celebra a alegria, ora clama pela resignação, muitas vezes lamenta suas tristezas, cultiva saudades, mas diante de todas as vicissitudes da vida, esse Batalhão não esmorece nunca. Tal como a sublime e competente escritora e pesquisadora Marilia Trindade Barboza enfatizou, numa introdução magistral presente no encarte: "esse é um CD para se ouvir ajoelhado!"

Um disco indispensável a todos os amantes do samba.”


Ricardo de Santana, nos comentários do www.samba-choro.com.br, indica “Onde Encontrar o CD Peso é Peso ao vivo
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Fonte:
http://www.tratore.com.br/cd.asp?id=7898515690006

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