terça-feira, 26 de outubro de 2010

O PESO DE SUA LUTA

Por falta de argumentos que resistam à comparação de oito anos de governos antagônicos, a oposição à candidatura apoiada por Lula dissemina falsidades.

Quanto mais nos aproximamos do pleito final, a Direita brasileira substitui a razão cínica que lhe é característica – tentando sustentar a falsa idéia do governo Lula como mera continuação dos anos FHC – pela propagação aberta de mentiras e preconceitos. É bispo da complacente Igreja Católica e seus milhões de panfletos com a inscrição “
o PT é o partido da morte”; é a esposa de José Serra declarando ser Dilma Rousseff favorável à “matança de criancinhas”; são as baixarias sexistas e telefonemas "robôs" condenando a candidatura apoiada pelo presidente Lula – exaustivamente atacado por impressos e audiovisuais, mas reiteradamente aclamado pelo povo.

Fossem somente apoiadores declarados do PSDB-DEM os promotores e executores dos impropérios, a situação já seria grave do ponto de vista da Democracia e do Direito Eleitoral. Mas a proliferação da mentira e da manipulação atinge seu clímax quando encontra guarida e incentivo numa das instâncias que deveria zelar pelo contraditório e pelo debate público: a mídia. Velada ou escancaradamente favoráveis à candidatura de José Serra, os principais veículos de comunicação dão descabida relevância às questões de cunho moralista, desde que essas tenham uma só direção: aquela que combate o PT , Lula e Dilma Rousseff. Afinal, os grupos midiáticos que silenciam sobre a quebra do sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros, promovida pelas
Verônicas Serra e Dantas, são os mesmos que estampam, descontextualizadas, falas de Dilma sobre o aborto; que fofocam se ela fez ou não o sinal da cruz em cerimônia religiosa. Fornecendo material (matérias?) de campanha à oposição, fazem de uma bolinha de papel espetáculo de manipulação. Proclamam-se cerceados em sua liberdade de imprensa, ao mesmo tempo em que demitem colunista por ‘delito de opinião’.

Talvez seja mesmo difícil à oposição contrapor-se à candidatura apoiada por Lula, pois, mantido o mesmo crescimento observado sob FHC, o salário mínimo só atingiria os níveis atuais em 2015 (vide parágrafos 5 e 6 da página 93 do artigo do prof. João Sicsú em http://www.insightnet.com.br/inteligencia/49/PDFs/07.pdf). De fato, é complicado combater a candidata da esquerda, quando o número de empregos com carteira assinada criados entre 2003 e 2010 só seria alcançado em 2.058, se projetado a ritmo tucano. Isso sem falar na redução da pobreza conseqüente ao bolsa-família – política cuja expansão tem reconhecimento internacional. Diante desse quadro, os peessedebistas abandonam a consistência dos argumentos, a busca de políticas públicas alternativas, e optam por regurgitar seu próprio fel, encontrando na mídia a papa e nas classes médias altas e abestadas a baba; uma maçaroca produto da ignorância, do auto-interesse e do horror às marcas populares do governo atual, quais sejam: o estímulo às cotas nas universidades, a política externa independente, a convivência menos tensa do governo com os movimentos sociais, a reorganização do Estado Nacional, a presença dos mais pobres em situações e lugares ‘nunca’ dantes frequentados ‘na história deste país’.

O ranço antipopular de nossas elites culturalmente dependentes dos mercados, firmas e países hegemônicos é decorrência lógica do neoliberalismo subsequente às décadas autoritárias. São esses grupos sociais que apóiam a candidatura da oposição. São os mesmos setores favoráveis às privatizações, à ALCA, à competição desenfreada, à redução da presença do poder público no combate às desigualdades. Desconectados da idéia de nação, da solidariedade mais básica com a maioria dos brasileiros, os endinheirados não só não andam pelas ruas, como não admitem que aqueles que sempre lhes pareceram inoportunos pedintes, ou réles serviçais, assumam uma postura altiva. Nesse contexto, é deprimente ver figuras públicas renegarem seu próprio passado. Encastelados em
luxuosos condomínios, refestelam-se num golpismo que remonta 1964. Silenciam diante da sanha reacionária que, a um só tempo, condena a descriminação do aborto e apóia a pena de morte. Acomodam-se satisfeitos junto àqueles que preconceituosamente rechaçam o bolsa-família, visto como ‘esmola’ para ‘vagabundos do norte e nordeste do país'.

Por reafirmar o peso de sua história, a possibilidade de um retirante pernambucano, operário, fazer seu sucessor como presidente representa uma afronta aos que sempre desqualificaram e continuam ofendendo os de baixo. É uma afronta pelo flagrante caráter popular do governo atual; é uma afronta pelo conteúdo simbólico da figura de Lula – o povo ativo, mais competente do que as elites deslumbradas com os EUA. E chega a ser uma verdadeira agressão aos que só se afirmam ‘homens’ pela exclusão, pelo desprezo ao próximo, pela mentira, pela violência, pela humilhação, pela covardia, pelo tapa na cara, pelo pau-de-arara, pela tortura da mulher que, obstinada, se reergue e se elege: DILMA ROUSSEFF!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"Opção pelo planeta". Chique, não?

Em reunião realizada ontem, a coordenação da campanha de Marina Silva sinalizou 'neutralidade' no segundo turno. Postura tão clara, quanto os propósitos ambientalistas do Partido Verde, e nada surpreendente para quem desfila pelos salões falando em 'terceira via', em 'sustentabilidade', enfim, em assuntos de gente fina. A paulistada que tem horror aos nordestinos, ao bolsa-família e às cotas agradece pela discrição.