sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PALMEIRAS ÉPICO

O torcedor 'qualquer nota' dirá que foi apenas uma vitória sobre o Vitória. Chamará de doente aquele que comemora como se fosse título uma classificação obtida no final do jogo. Acrescentará, com certo ar 'blasé', que não gastaria seu precioso tempo com um "time que não ganha nada de importante há muitos anos". Protagonista de fracassos absurdos, é fato, o Palmeiras é Palmeiras pelas alegrias quase letais que provoca em uma torcida que reconhece, até pelo rebote dos vexames e impropérios, os momentos de afirmação histórica, de celebrar o orgulho de ser o que é. Se há uma torcida que tem um time e não o inverso, permitam-me os "rivales", esta é a torcida do Palmeiras. Eis uma das prováveis razões de ser o time com o maior número de ídolos claramente identificados com o clube e seus torcedores. Os 500 jogos de Marcos, os desfalques de um elenco sempre posto em dúvida, as chacotas da imprensa e dos torcedores adversários, configuraram o contexto ideal para uma vitória típica do Palmeiras treinado pelo campeão Scolari. Para a história, o presente. O presente dos gols, o êxtase dos fanáticos alviverdes e o silêncio do outro lado.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Nem a favor, nem contra, muito pelo contrário

foto: J. F. Diório/AE

Marina Silva é a candidata ideal de quem não se posiciona. Colocando-se acima dos antagonismos partidários que, queira ou não o bom candidato Plínio de Arruda Sampaio, se organizam a partir dos pólos PT x PSDB, ela se mostra com aura angelical, que aplaca tanto os céticos em relação à centralidade da política, quanto os que se vêem portadores de um novo paradigma, apoiados em conceitos difusos e oportunistas, como ‘sustentabilidade’ e ‘terceira via’. Essa história de não ser a favor nem contra pode soar bonita para os ingênuos que acreditam que tudo não passa de ‘gestão’, de aplicação correta de uma técnica. Tal postura, além de não problematizar a eventual existência de outras técnicas, redime culpas, escolhendo Marina por uma pertença que tem se enfraquecido diante dos aplausos. Vacilante na definição de qual dos lados.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nada que distraia o sono difícil

AGORA FALANDO SÉRIO
Chico Buarque/1969


"Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver banda passar

Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal ?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal

Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo para eu cantar

Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério

Agora falando sério
Eu queria não falar
Falando sério"


1969 © Marola Edições Musicais
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