sábado, 29 de maio de 2010

O SAMBA BATE OUTRA VEZ


O Projeto Anhangüera Dá Samba, tradicional roda de samba realizada mensalmente no Bom Retiro, região central da cidade de São Paulo, completa seu terceiro ano de existência e resistência com a ilustre presença de Nei Lopes, um dos maiores letristas da música brasileira e grande estudioso da cultura negra. A apresentação acontece nesta sexta-feira, 28.

Instrumento de resgate e manutenção das raízes samba, o projeto idealizado pelo pesquisador Arthur Tirone chega a 35º edição com a desenvoltura de um mestre sala que apresenta sua porta-bandeira na avenida. A música popular brasileira é mostrada no sentido mais puro de sua essência, de maneira autêntica, sem deturpações.

Os encontros ocorrem às últimas sextas-feiras de cada mês. Um grupo de sambistas (Inimigos do Batente) recebe um convidado especial para uma roda nas dependências de um antigo clube de várzea, o Anhangüera. São duas importantes instituições da cultura brasileira - o futebol de várzea e o samba - que juntas, preservam-se e valorizam-se.

A batucada acontece no chão, à beira do gramado, sob a imagem de Nossa Senhora Aparecida. “A idéia de um projeto cultural – mais precisamente no campo da música – é antiga”, afirma Tirone. “Como historiador das coisas do bairro e do clube, busco revitalizar o lado social do Anhangüera - que até a década de 60 foi referência na cidade pelos grandes bailes, festas e concursos de todas as espécies”, completa e explica o pesquisador, neto dos fundadores italianos do clube.

Para primeira edição, em maio de 2007, foi convidado Wilson Moreira, monstro sagrado do samba. De lá pra cá, diferentes gerações, sotaques e escolas de sambistas se apresentaram por ali. Nomes consagrados se intercalavam a outros menos conhecidos pelo grande público. No repertório dos bambas, muitos sambas clássicos, outros tantos inéditos.

Contemplado com o convite inaugural do projeto, Wilson “Alicate” Moreira ainda teve a distinção de ter sido o único a ter repetido sua apresentação, no aniversário de 2 anos. E ele quer mais: “É um projeto muito bonito e importante para nossa cultura popular. Fico feliz em saber que existe e poder participar. Esse pessoal do Inimigos do Batente é nota dez. Espero voltar lá o mais rápido possível.

É importante destacar o fato do Projeto Anhangüera dá Samba fazer parte de um amplo movimento de resgate e manutenção da cultura popular em andamento no Brasil. Ele se manifesta nas mais diversas frentes e à margem do mercado, cria uma série de alternativas para aqueles que não encontram espaço nas telas de TV e nas emissoras de rádio.

Toda essa efervescência não poderia ter outro resultado: o aparecimento de uma nova safra de compositores, intérpretes e ritmistas na cena da música popular. Nomes como Paulinho Timor, Edu Batata e Douglas Germano compõe a trilha sonora que faz sambar a jovem boemia da Paulicéia.

Expoente da nova geração, o compositor Douglas Germano se apresentou recentemente no clube. Ele ressalta que assim como o seminal projeto Mutirão do Samba - do qual foi fundador - o Anhanguera não tem apelo comercial. “É algo espontâneo, um grupo de amigos reunidos que cantam velhas canções e novas composições. Pela primeira vez tive a oportunidade de apresentar minhas músicas como convidado especial de uma roda.”

Nos últimos três anos, o Anhanguera Dá Samba cumpriu com louvor seu papel de aglutinador sociocultural, manteve a tradição dos antigos clubes de bairro e levantou a bandeira do samba. Adoniram Barbosa, Madrinha Eunice e Pato N'água - onde quer que estejam - devem sentir orgulho.

Um comentário:

Tânia Viana disse...

Pois é, o Douglas é o cara...