quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

José Ramos Tinhorão

foto: Daniel Mobillia/Diário SP
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LeiaA AQUI aaalgumas a declarações a do crítico a José Ramos Tinhorão a em sua mais recente entrevista, concedida à Thiago Mendonça.
sdfa
Leia no Só dói quando eu Rio, de Fernando Szegeri, uma das críticas que Tinhorão fez a um trabalho do "pessoal mais da pesada", como ele menciona na entrevista acima.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Seguindo o raciocínio (?) da imprensa gambambi, Pelé, Ademir e cia. nunca foram campeões brasileiros. Eeeeeiitaaaaaaaaa!!!!!!!

ASF
ANÁLISE DE UM ARTIGO CONTRA A UNIFICAÇÃO DOS TÍTULOS BRASILEIROS
ADFA
autor: Odir Cunha
fonte: http://blogdoodir.com.br/2010/12/a-analise-de-um-artigo-contra-a-unificacao-dos-titulos/


Atendendo ao pedido de uma pessoa muito especial – pela educação, pela sabedoria e pelo caráter – e muito importante para a unificação dos títulos brasileiros, analiso e respondo o artigo publicado ontem no blog de Marcelo Damato, que se identifica como “jornalista há 22 anos”.

Em primeiro lugar, quero dizer que dá credibilidade ter 22 anos de profissão. É um tempo razoável, que incorpora ao profissional experiência e conhecimento para perceber o que é essencial nos fatos.

Digo mais: quanto mais tempo de profissão, mais esta percepção é aguçada. Eu, que em fevereiro completo 34 anos como jornalista da grande imprensa (sem contar jornais de colégio e de bairro), descubro, a cada dia, o quanto ainda há a descobrir e como devemos ter uma postura humilde diante dos fatos, principalmente daqueles que ainda não dominamos bem.

Com o título “Querem parir um monstro”, Damato abre o seu texto vociferando:
Há atos tão graves e escandalosos que pouco importa se foram praticados por preguiça, por burrice ou por sem-vergonhice. Poucas vezes se viu um pleito tão descabido quanto esse que está para ser aceito, e, o que é pior, sob o argumento da reparação de uma injustiça. A CBF, que já fez tantas, deveria cuidar de sua história”.

Particularmente, acho que a reparação de uma injustiça é a maior motivação que pode existir para qualquer ser humano. Não entendo tanta ira contra quem está ao menos tentando agir com justiça. E se a CBF, segundo o autor, “já fez tantas” injustiças, mas está reparando uma, ora, no mínimo está se aprimorando. Ao promover a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959, a entidade está justamente deixando a “preguiça” de lado e cuidando de sua história.

Na seqüência, copio o texto de Damato, entre aspas, e respondo em seguida, em negrito. Tire suas conclusões:
“A Taça Brasil (1959-1968) foi criada não como um confronto dos melhores times do Brasil, mas como uma disputa de campeões estaduais, exatamente como sua irmã mais nova, a Copa do Brasil, nascida em 1989. Naquela época, tirando sete ou oito Estados, no restante o futebol era semi ou completamente amador”.
Ora, a Taça Brasil reunia os campeões estaduais. Nenhuma competição congrega, obrigatoriamente, os melhores times, mas sim os que se classificam para ela. O Mazembe, do Congo, certamente não é melhor do que Barcelona, Real Madrid, Milan e tantos outros times do mundo, mas se classificou para o Mundial porque o continente africano tem uma vaga, assim como a Europa. Uma competição apenas com os melhores talvez só tivesse times da Europa e da América do Sul, mas aí não seria um Mundial.
“Nos dez anos de existência, passaram pela Taça Brasil as seguintes equipes: Rabello, Guanabara, Defelê e Cruzeiro do Sul, de Brasília (DF), América, de Propriá (SE), Perdigão, de Videira (SC), Fonseca, Eletrovapo e Manufatora, de Niterói (RJ), Paula Ramos, de Florianópolis (SC), Santa Cruz, de Estância (SE), Santo Antonio, de Vitória (ES), Metropol, de Criciúma (SC), Comercial, de Cornélio Procópio (PR), Olímpico, de Blumenau (SC), Siderúrgica, de Sabará (MG), e Rio Branco, de Campos (RJ), entre muitos outros que a maioria dos leitores certamente desconhece”.
Estes times tiveram o mérito de serem campeões de seus Estados. É importante destacar que a Taça Brasil, em seus dez anos de existência, nunca teve uma virada de mesa. Os campeões estaduais sempre garantiam a vaga, mesmo que tivessem menos prestígio do que outros de seu estado. Comercial (PR) e Siderúrgica (MG) foram campeões estaduais superando equipes de tradição como Coritiba, Cruzeiro, Atlético-MG. Conquistaram seu lugar na Taça Brasil pelo mérito esportivo, por que deveriam ser excluídas?

Por outro lado, se nomes curiosos, de times sem tradição, são motivos para anular um campeonato, então várias edições do Campeonato Nacional a partir de 1971 deveriam ser excluídas, pois atendendo aos pedidos do governo militar da época, o Nacional se inchou tanto que chegou a 96 clubes em 1979, a maior parte deles sem qualquer expressão técnica.
“Da Taça Brasil, São Paulo e Corinthians nunca participaram. Em compensação, o Metropol disputou quatro vezes, o Fonseca, três, e o Santo Antonio, duas.”
Claro! Justamente porque São Paulo e Corinthians nunca foram campeões estaduais de 1959 a 1968, época em que o futebol paulista era dominado pelo Santos de Pelé e o Palmeiras de Ademir da Guia, duas das melhores equipes que o futebol brasileiro já produziu. Da mesma forma que hoje, na Copa Libertadores da América, podemos ver os mesmos times da Bolívia ou da Venezuela e não vemos a maior parte dos times grandes brasileiros, já que no máximo cinco equipes do Brasil podem participar da competição. Da mesma forma, nem todos os grandes times da Alemanha, Itália e Inglaterra participam da Liga dos Campeões, pois é preciso conquistar a vaga antes.
“Num certo ano, Santos e Palmeiras se negaram a disputá-la e nada aconteceu.”
Este “certo ano” é 1968, última edição da Taça Brasil. A competição já estava perdendo seu lugar para o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, naquele ano organizado pela primeira vez pela CBD, e Palmeiras e Santos preferiram participar do Robertão. Se isto invalida todo o torneio, o Nacional de 1979 deveria ser invalidado, pois apenas Palmeiras e Guarani representaram o Estado de São Paulo naquela edição.
“Em termos de representatividade e dificuldade, a Taça Brasil era sem dúvida mais fraca até que o Torneio Rio-São Paulo.”
A importância do torneio não está relacionada com seu nível de “dificuldade”, mas sim com sua finalidade. Voltemos novamente ao exemplo do Mundial da Fifa para constatar que tanto a Libertadores da América como a Liga dos Campeões – e, provavelmente, até o Campeonato Brasileiro – têm um grau de dificuldade maior do que o Mundial da Fifa, no entanto o título deste último é muito mais cobiçado.
“Fica assim mais do que claro que o vencedor dessa competição não pode ser equiparado ao do Brasileiro.”
Não há como comparar competições de formatos e épocas tão diferentes. Esse é o chamado anacronismo, que o historiador deve evitar a todo custo. Como comparar a primeira Copa do Mundo com a atual, ou o primeiro Campeonato Paulista, ainda amador e jogado em campos fora das dimensões regulares, com o atual? No entanto, todas as Copas e todos os Campeonatos Paulistas têm o mesmo valor perante a história.

Aproveito para lembrar que o Genoa, campeão italiano em 1898, fez apenas dois jogos, e no mesmo dia, para chegar ao título, como em um desses festivais de várzea antes tão comuns em São Paulo. Pois este título é oficial, assim como o do ano seguinte, vencido pelo Genoa nas mesmas circunstâncias. Quem duvida deve conferir em qualquer lista de campeões italianos. É óbvio que era bem menos difícil ganhar um título nacional com apenas dois jogos, mas era o que se podia fazer à época, foi feito e está nos anais. Seria de uma tremenda injustiça comparar o título do Genoa com os atuais do Campeonato Italiano, não?
“O Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi a primeira competição criada para reunir as maiores forças do futebol nacional. Mas em seus dois primeiros anos (1967-68) não era uma competição oficial da CBD. Quem a organizava eram as federações de São Paulo e Rio, com suporte das demais. O nome do torneio foi dado a um presidente da Federação Paulista de Futebol, morto pouco mais de uma década antes. Apenas em 1969, a CBD chamou para si a organização. Como a competição foi um sucesso, aí criou o Campeonato Nacional. Assim, do ponto de vista histórico, os únicos títulos que ainda sobrevivem a uma discussão são os do Robertão de 1969 e 1970.”
O autor se engana. Só a primeira edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a de 1967, foi organizada pelas federações de São Paulo e Rio de janeiro. A partir de 1968 passou a ser de responsabilidade da CBD e ganhou também o nome de Taça de Prata. Quanto ao “ponto de vista histórico” do autor, é bem particular, já que tenta extirpar dez anos de história oficial e consagrada.
“Quando foi criado, o então Campeonato Nacional foi saudado como a primeira competição nacional digna desse nome. Quando o Atlético-MG venceu o Campeonato Nacional de 1971, foi proclamado o primeiro campeão nacional. Num país de 92 milhões de habitantes, não houve nenhum que tenha ido a público para dizer: “primeiro campeão, não!. O Atlético é o 15º campeão. Já houve dez campeões da Taça Brasil e quatro do Robertão!!”
Não é verdade. Em 1971 eu já tinha 18 anos e acompanhava o futebol com interesse e atenção. Sou testemunha de que o surgimento do Campeonato Nacional não invalidou os títulos brasileiros anteriores. Tanto é, que por muitos anos, a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa foram computados nos rankings de clubes que se fazia.

Até porque quem criou o Nacional foi a mesma CBD que criou tanto a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Uma competição representou a seqüência da outra. Quem melhor pode falar sobre isso é justamente a pessoa que criou estas três competições, o senhor João Havelange, presidente da CBD. E ele declarou, a mim, e também temos esse depoimento gravado, que a Taça Brasil e o Robertão foram criados para definir o campeão brasileiro, e que o Nacional representou o prosseguimento destas competições.
“E não foi só naquela época. Por mais de 30 anos, até o século 21, nenhum dirigente levantou a bandeira do reconhecimento dos títulos. Será que nos anos 70, 80 e 90, os presidentes desses clubes eram tão tapados que não enxergavam o óbvio ou são os atuais mandatários que agora se comportam como oportunistas? Se os dirigentes que viveram aquela época não consideravam o pleito justo, como seus sucessores, que viveram aquela época como crianças, podem ter outra visão?”
Nem uma coisa, nem outra. É preciso, repito, conhecer as circunstâncias em que o Campeonato Nacional foi criado para ter uma visão mais ampla da história do futebol brasileiro. O Nacional foi mais uma ferramenta de “integração do país” utilizada pelo governo da ditadura militar, como o Projeto Rondon e a Transamazônica. O mérito e o nível técnico acabaram ficando em segundo plano. Bastava ter um padrinho político para ter o time no Nacional. Um slogan ficou famoso: “Onde a Arena vai mal, mais um time no nacional. Onde vai bem, mais um time também”.

Esta filosofia populista tornou o Nacional o pior “campeonato brasileiro” já realizado no país, em todos os aspectos: média de público, qualidade dos jogos, prejuízo dos clubes, credibilidade… O nível técnico chegou a ser tão ruim, que dois times (Flamengo e Grêmio) chegaram ao título jogando apenas contra três times que hoje disputam a Série A do Brasileiro.

Um detalhe: Oficialmente, o nome “Campeonato Brasileiro” só foi utilizado a partir de 1989. Antes foi Campeonato Nacional, Copa Brasil, Taça de Ouro e Copa União (em 2000 foi chamado de Copa João Havelange).
“Nunca é tarde demais para se fazer justiça”. Apesar da aparência benévola e verdadeira, essa tese é completamente falsa e mesmo malévola. É um conceito consagrado do direito de quase todo país e, em especial do Brasil, que permitir se busque justiça a qualquer tempo faz mais mal do que bem à sociedade. A maior prova disso é o rito da Justiça, cheio de prazos, dos quais basta perder um para que se perca todo o processo. E a justificativa dos prazos é que Justiça lenta demais não produz justiça ainda que chegue à decisão correta.
No Brasil, após três décadas prescreve qualquer crime e qualquer direito, exceto o da aposentadoria às vítimas da ditadura militar. O atual processo foi aberto há poucas semanas, de 40 a 52 após as conquistas. E, como já foi dito, as competições aconteceram há mais de 40 anos. A grande maioria da população brasileira nem era nascida quando se jogaram essas competições. Se o princípio do “nunca é tarde…” fosse válido, os descendentes de índios já teriam se recuperado a posse de todas as terras do Brasil, o governo brasileiro estaria completamente quebrado tal o volume de indenizações que teria de pagar aos descendentes de escravos pelos males horríveis que se cometeram contra eles ao logo de mais de dois séculos. Assim, a causa não tem mérito nem oportunidade.”
Ora, a grande maioria da população brasileira nem era nascida quando quase tudo aconteceu na história do País, e nem por isso a história deixa de existir. E não há mesmo como contrariar essa jóia da sabedoria popular: Nunca é tarde demais para se fazer justiça. Não há como admitir, em hipótese alguma, que fazer justiça seja prejudicial para a sociedade.
“Os maiores perdedores dessa decisão, caso ela saia mesmo, serão o futebol brasileiro e os clubes aparentemente beneficiados por ela. Pois, de agora em diante, estarão condenados de ficar explicando como chegaram a uma decisão tão esdrúxula.”
Os maiores ganhadores dessa decisão são o futebol brasileiro, representado em seu período de maior arte, talento e esplendor, e os craques inigualáveis de uma época que dificilmente se repetirá. O que pode valer mais do que um sorriso de gratidão e felicidade de um Djalma Santos, de Pelé, Ademir da Guia, Marco Antônio, Tostão, Afonsinho…? O mundo reconhecerá a nobreza e o valor desta atitude elogiável da CBF, não tenho a menor dúvida.

Nenhum clube “ganhará” nada que já não tenha conquistado em campo – em jogos difíceis, brigados, de um tempo em que o jogador de futebol era, mais do que um profissional, um herói. E não são estes clubes e estes jogadores formidáveis que serão “condenados” a ficar explicando nada. Já deram, com sua arte, todas as respostas a quem ama o futebol. Condenados a padecer na inveja e na raiva estarão aqueles que se colocarem contra a justiça e o mérito esportivo.
“Por fim, só para provocar, por que o Santos não pediu a Taça de Bolinhas no momento em que foi anunciada? Afinal, já não era penta?”
Não posso responder pelo Santos, mas acho que nem todos os clubes estão interessados em taça de bolinhas, muito menos em rankings. O reconhecimento da história é o maior troféu que se pode pretender.
“A Taça Brasil e o Robertão merecem ser reconhecidos como são. Como torneios pioneiros, precursores de competições que vieram para ficar. Não se pode dizer que o pai e o filho são a mesma pessoa.”
Em apenas três linhas, um mar de contradições. Taça Brasil e Robertão estão realmente sendo reconhecidos como são: competições cujos vencedores eram os campeões brasileiros. Assim como foi campeão brasileiro o vencedor do Campeonato Nacional, da Taça de Ouro, da Copa Brasil (não esta atual), da Copa União, Copa João Havelange e Campeonato Brasileiro. Se desde 1971 o campeonato mudou de regulamento todos os anos, até 2004, quais as competições que vieram
“para ficar”?

O pai e o filho não são a mesma pessoa, mas sem o pai não há o filho. Este é o princípio básico da evolução histórica. Um fato puxa o outro, uma situação permite outra e assim a humanidade evolui. Sem a Taça Brasil não haveria o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata e o que veio a seguir.

Todas estas competições eram oficiais segundo a CBD, entidade que governava o futebol brasileiro, tinham regulamentos definidos, reuniram times e jogadores memoráveis, atraíram multidões aos estádios, movimentaram toda a imprensa esportiva do país (incluindo o cinema, através do Canal 100) e, acima de tudo, tinham o mesmo objetivo: definir um campeão brasileiro único, que representaria, como representou o País na Copa Libertadores da América.

Brigar contra essa realidade é uma luta sem nexo e sem causa, pois a justiça está ao lado dos primeiros e eternos campeões. Ao contrário do que pensa o autor do artigo, justiça não é um produto de supermercado que perde a validade com o tempo. Justiça é um objetivo que deve ser perseguido por toda a vida, e além dela, se possível.

sábado, 20 de novembro de 2010

LAMENTO NEGRO (autores: Edu de Maria e Bruno Ribeiro)


No Dia da Consciência Negra, esta maravilhosa paulada na cara do inimigo

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cortejo celebra nossa herança africana

Por: Andréa Ponte Souza

Os sons do agogô, xequerê e timbal vão sacudir as ruas do Centro de São Paulo nesta sexta-feira 19, a partir do meio-dia. A percussão afro vai acompanhar sambas de roda, cantos em iorubá e saudações aos orixás em português durante o Cortejo do Dia da Consciência Negra, realizado há 10 anos pelo Sindicato em homenagem à data comemorada nacionalmente no dia 20 (dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695).

Com o ritmo do grupo Filhos de Mãe Preta (percussão e balé afro), a voz da cantora Adriana Moreira (vídeo incluído por este blogueiro) e a presença honrosa das Tias Baianas Paulistas – grupo formado pelas tradicionais baianas das escolas de samba de São Paulo –, o cortejo sairá às 12h da sede do Sindicato (Rua São Bento, 413) e percorrerá as ruas do Centro.

Pela primeira vez, o ato será temático. “O tema será Igualdade de Oportunidades. Queremos chamar a atenção da sociedade para o estatuto da igualdade racial, que foi aprovado no governo Lula, mas que precisa avançar em sua implementação”, explica o dirigente sindical Júlio Santos, um dos organizadores dos eventos pelo Dia da Consciência Negra. “A data só tem sentido se for um momento de debate sobre a inclusão do negro na sociedade.” Por isso, acrescenta Júlio, além da alegria do cortejo – uma espécie de celebração da herança africana –, a programação (veja abaixo) do Sindicato inclui palestra e um mês inteiro dedicado ao samba no Grêmio Recreativo Café dos Bancários.

EVENTOS

19/11 Cortejo pelas ruas do Centro
Concentração às 12h na sede do Sindicato

19/11 Banda Praça do Samba (samba de raiz)
Café dos Bancários - 20h (espaço abre às 17h)
Rua São Bento, 413, Sé (sede do Sindicato)

25/11 Palestra Racismo na Dinâmica do Capitalismo Brasileiro Contemporâneo: Doutor em Economia, Pedro Chadarevian
Auditório Azul do Sindicato, às 14h

26/11 Renê Sobral (samba partido alto)
Café dos Bancários - 20h (espaço abre às 17h)
Rua São Bento, 413, Sé (sede do Sindicato)

Homenageados – O cortejo deste ano homenageia João Cândido, o líder da Revolta da Chibata (1910), na qual marinheiros negros se rebelaram contra os castigos físicos na Marinha Brasileira, e o fundador da escola de samba Nenê de Vila Matilde, Alberto Alves da Silva, o Seu Nenê, morto aos 89 anos no último dia 4 de outubro. O ato homenageia ainda Ossain, orixá masculino de origem nagô que representa o verde, o poder das folhas e da floresta, e que é o orixá que rege o ano de 2010.

HOMENAGENS

PESO É PESO

TUCO e BATALHÃO DE SAMBISTAS realizaram de forma excepcional aquilo que se propuseram fazer. PESO É PESO é um disco de SAMBA gravado ao vivo: um belíssimo repertório executado e gravado com uma sonoridade rara de se encontrar atualmente. Competência sem frescura, harmonia e batucada, pegada e molho. Quem quer uma “nova roupagem” para o samba, aqui se decepciona. Em PESO É PESO se encontra mesmo é peso. De minha parte, a golada mais parruda e prazerosa vai para a belíssima AMOR A DEUS (de Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito).
Uma boa oportunidade para conferir o batalhão em plena atividade é nesse 20/11/2010, às 16h00, no parque do Carmo.

Vejam abaixo texto do cantor Roberto Saglietti Mahn sobre o cd.


Por: Roberto Saglietti
Fonte: http://www.samba-choro.com.br/noticias/pordata/24865

Finalmente saiu o disco tão esperado por todos nós, apreciadores do samba e da música popular brasileira em geral. "Peso é peso", com Tuco e o Batalhão de Sambistas e convidados, num registro ao vivo.

Foram duas noites memoráveis no Centro Cultural de São Paulo, em que Tuco e seu estrondoso e notável Batalhão encantaram a platéia com sambas da mais fina estirpe, e o mais interessante: muitos desconhecidos pela maioria do público que ali estava.

Esse disco é o resultado do importante e louvável trabalho do incansável Tuco (pseudônimo de Fernando Pellegrino Rodrigues Luzirão), que já há muitos anos - pra ser exato, há quinze anos - vai atrás de um repertório de sambas esquecidos e guardados nos fundos das gavetas, nos sótãos empoeirados e nas prodigiosas memórias de velhos sambistas, pesquisadores e incentivadores da boa música popular brasileira. Tuco é um garimpador, e não se contenta com pouco. Coleta, pesquisa e esmiúça, e não faz segredo: traz para todos seus fãs, admiradores e amigos, o resultado de suas buscas.

Um pouco desse material pode ser conferido nesse belíssimo disco, que traz obras de compositores talentosos e festejados no meio sambístico, tais como Bide, Cartola, Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Chico Santana, Aniceto, Manacéa, Noel Rosa de Oliveira, Antonio Caetano e tantos outros. Não dá para citar todos, mas vale lembrar que Tuco trouxe à tona compositores importantes do samba, e de várias escolas (Mangueira, Portela, Estácio, Salgueiro). Claro que o grande Paulo da Portela está presente, com "Não se deve contar glória" e a bela marcha-rancho "Aí vem a primavera", aliás com gloriosa interpretação. Boa para sair cantando: "Aí vem a primavera alegrar a nossa vida!"



Se o repertório é coisa fina, a apresentação das músicas não fica por menos. Na liderança do Batalhão está Tuco, com sua voz bela e poderosa que Deus lhe deu, e sua interpretação vigorosa.

A harmonia é impecável, com João Camarero e Junior Pita aos violões (um de sete cordas e outro de seis, tal como deve ser) e no cavaquinho, Lucas Arantes. Cabem aos três não só a tarefa de acompanhar divinamente, mas outrossim, de tecerem honrosas introduções. A propósito, só por ter dois violões e não um, o disco já é digno dos nossos maiores encômios.

A percussão faz jus ao nome do disco, é realmente "de peso": surdo, pandeiro, tamborim, agogô, afochê, reco-reco, caixa, ganzá e cuíca, e até apito, sob o comando de Donga, Beto Amaral, Jorge Garcia, Rafael Toledo (o homem dos mil instrumentos) e Alfredo Castro, nosso querido Alfredão. A batucada impressiona e chega a emocionar em muitos momentos do disco, e essa rapaziada toda está de parabéns.

Merece atenção especial o coro, que inúmeras vezes leva o ouvinte a momentos apoteóticos. São eles: Janderson Santos, Rafael Lo Ré e Fernando Paiva, além da contribuição inestimável dos percussionistas Alfredo Castro, Jorge Garcia e Donga, todos coristas de primeira. Destaque para "As Pastoras": a jovem Keila Santos, a inconfundível Francineth e a indefectível Cristina Buarque, que aliás, tem marcado presença nos melhores discos de samba que se tem visto por aí. Cabe a Cristina Buarque, outrossim, co-protagonizar, ao lado de Tuco e do Batalhão, um dos momentos mais emocionantes do disco: a irretocável "Desesperado", de Chatim.

Não podemos esquecer, aliás, de outros convidados de primeira linha: Monarco e Nelson Sargento, com toda a sua autoridade e realeza. Monarco comparece em duas faixas, cantando "Velha Portela" e "Secretário da Escola", ambas de sua autoria (a última, uma pepita em parceria com Picolino). Nelson Sargento entoa sua "Mesmo sangue na veia", em dueto com Tuco, que com certeza, tal como diz a canção, prosseguirá "trabalhando, colhendo semente, plantando, com o mesmo sangue na veia".

É louvável o trabalho de todo o Batalhão. Principalmente por apresentarem este repertório tão belo e trazê-los aos ouvintes de uma forma viva, visceral, respeitando a tradição, mas cantando-os aqui e agora. Fogem de modernizações excessivas e de gosto duvidoso, porém dão a sua honrosa interpretação, com o coração sempre na voz, na ponta dos dedos, na frente de tudo. Enfim, a sinceridade desse trabalho é um quê a mais a ser admirado.

Esse colunista não pode deixar de tecer loas aos momentos que mais marcaram as nossas intermitentes audições do CD:

- "Na floresta", minha favorita, e que venho agradecer publicamente ao amigo Tuco, pela dedicatória no encarte.

- "Fica de lá", de Alvarenga, que contém a máxima "embriagar por causa de mulher, não", e cuja energia na gravação é contagiante. Outra máxima interessante está em "Não há de quê": "o amor não se compra em armazém, é dado por alguém de coração. E não pede em pagamento nem um níquel de tostão."

- "Ela chorou", de Aniceto, pelo tom confessional.

- "Ironia", samba irreverente e inusitado, e que conta com uma bela introdução da harmonia.

- "Peso é peso (Nosso time do Estácio)", que dá nome ao disco.

- E "Ri melhor quem ri no fim", encerrando a audição com elegância e pujança. Vale a pena citar: "E o nosso amor morreu, quem não lhe quer sou eu (...) Esse mundo é mesmo assim, ri melhor quem ri no fim".

Por fim, ressaltamos que o disco perpassa com categoria por todos os sentimentos e emoções humanas, atingindo com louvor os fins da arte musical. Ora celebra a alegria, ora clama pela resignação, muitas vezes lamenta suas tristezas, cultiva saudades, mas diante de todas as vicissitudes da vida, esse Batalhão não esmorece nunca. Tal como a sublime e competente escritora e pesquisadora Marilia Trindade Barboza enfatizou, numa introdução magistral presente no encarte: "esse é um CD para se ouvir ajoelhado!"

Um disco indispensável a todos os amantes do samba.”


Ricardo de Santana, nos comentários do www.samba-choro.com.br, indica “Onde Encontrar o CD Peso é Peso ao vivo
A lista abaixo indica as lojas que compraram este CD recentemente. Entre em contato com a loja para garantir que o CD ainda está em estoque.
RJ - Rio de Janeiro
Tracks - novo - Tel: ( 21)2274-7182

SP - São Paulo
Centro Cultural Banco do Brasil - Tel: ( 11)31133654
Pop´s Discos - Tel: ( 11)3083-2564
Vilar Discos - Tel: ( 11)3221-8084

Fonte:
http://www.tratore.com.br/cd.asp?id=7898515690006

PELO SALÃO

Fica o eterno agradecimento aos autores pelo belo trabalho e meus aplausos mais fortes para as músicas DJEMBÊ (faixa 8) e CHORO DE MULHER (faixa 10), dos craques Renato Martins e Roberto Didio. Conforme descreve inspirada parceria com Moacyr Luz, que bom que o SAMBA veio buscá-los. Seu labor melódico e poético é certeza de que ELE buscará outros tantos, felizes, aos prantos.

Vejam abaixo texto de Ricardo Brigante sobre o cd.

Por: Ricardo Brigante
Fonte:
http://sambadaouvidor.blogspot.com/2010/11/o-que-vai-ficar-pelo-salao.html

"Chega o primeiro disco de Gabriel Cavalcante: O que vai ficar pelo salão (independente), trabalho coletivo, reunindo o violonista Patrick Ângelo e os compositores Roberto Didio e Renato Martins. São responsáveis pelo impecável acompanhamento e concepção: Marcus Thadeu, Magno Souza e Ana Rabello.

Cantor de voz potente e timbre grave, Gabriel é uma das vozes principais de dois populares movimentos musicais no Rio de Janeiro: Samba do Trabalhador e Samba da Ouvidor. Com apenas 24 anos de idade, já acompanhou e dividiu o palco com importantes nomes da música brasileira, atua como profissional desde os 15.

Para os que discutem com sincera preocupação sobre a ausência de novas gerações compondo, tocando e cantando com personalidade, O que vai ficar pelo salão surpreende do começo ao fim. Além das interpretações e duetos, Gabriel apresenta uma vertente ainda desconhecida por muitos, a de compositor. Como "Elmo de São Jorge", melodia que surge fascinante no entoar maiúsculo e arrebatador de Gabriel, onde talento é lugar-comum.

O trabalho é coletivo de fato. E isso fica claro nos arranjos e batuques sacados em conjunto do baú de pautas preciosas. É possível ver o brilho individual de todos os envolvidos.

Afinal de contas, quem é capaz de desvendar os segredos melódicos de Renato Martins? Ao ouvir as entrelinhas dos acordes de "O Que é de Louça", os mais desatentos não perceberão que se trata de uma linda homenagem a Paulinho da Viola. Ou então em "Mar Maior", samba que aprisiona subitamente, interpretado por Cristina Buarque.

E as letras de Roberto Didio? Tão fortes e vivas, que são capazes de derrubar as lágrimas dos mais insensíveis dos homens. Como na delicada "Choro de Mulher", interpretada por Anabela ou ainda na visceral "Muralhas", onde Áurea Martins empresta todo seu lamento à canção.

Patrick Angelo no violão e Ana Rabello no cavaquinho nos levam de volta a caminhos há muito não visitados. Com o fascínio inicial vem comoção. As águas turvas do presente clareiam a cada nota. Ao fundo, Marcus Thadeu e Magno Souza dão o ritmo, formando uma ponte de esperança com o que ficou lá para trás. É quase real o som do sorriso dos tamborins e pandeiros. Felizes novamente.

Três declarações de amor ao samba figuram no repertório: "Quando o samba veio me buscar" (Moacyr Luz e Roberto Didio), "Na Cantoria" (Renato Martins e Roberto Didio) e "Seu Camafeu" (Gabriel Cavalcante e Roberto Didio) – que faz referência ao disco Berimbaus da Bahia (1968), do lendário Camafeu de Oxossi.

O "Velho Batuqueiro" é lembrado na faixa de mesmo nome, onde a linha de frente dos Arengueiros é honrada com a marcação no peso de Xangô. O velho cantava mesmo bonito.

Por fim, o trabalho de amigos é cantado na faixa que dá nome ao disco. Uma celebração à amizade, seja em guerras perdidas, seja na saudade do balcão.

Participações especiais: Moacyr Luz, Amelia Rabello, Cristina Buarque, Áurea Martins e Anabela".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Besouro, na mão, mata um..."

Nas asas do besouro // Zunzum na capoeiraPor: Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S.Paulo
n’
O ESTADÃO parte 1 parte 2

Quem acompanha a carreira do poeta e compositor Paulo César Pinheiro sabe que Besouro Mangangá, lendário capoeirista baiano, o fascina desde jovem. No antológico samba Lapinha (1968), sua primeira de mais de cem parcerias com Baden Powell (1937- 2000), Pinheiro emprestou o refrão de Besouro, também compositor, entre outras façanhas.
Em 2006, depois de citações esporádicas do personagem em várias canções, Pinheiro marcou sua estreia no teatro com o memorável musical Besouro Cordão de Ouro. Os temas da peça agora chegam ao CD, com Capoeira de Besouro, lançado pelo selo Quitanda, que tem direção artística de Maria Bethânia, nascida na mesma cidade de Besouro, Santo Amaro da Purificação.
Se Baden foi responsável por colocar o berimbau no mapa-múndi nos anos 1960 com seus afro-sambas em parceria com Vinicius de Moraes (1913-1980), Pinheiro agora faz algo igualmente significativo, renovando a música de capoeira e dando continuidade à iniciativa do parceiro.
"Ele foi o primeiro a mexer com essa história mais claramente", diz o poeta. "Com essas músicas tentei botar um foco maior nessa manifestação, que é conhecida mundialmente, mas está sempre nos guetos. Estou tentando fazer com que isso ganhe uma luz maior em cima e se espalhe mais no exterior e entre os nossos compositores. Que eles se voltem um pouco mais pra essa raiz forte, que são esses toques, muito bonitos, muito bem feitos."



Parte do resultado pretendido por Paulo César Pinheiro - para que o interesse pela capoeira faça brotar dela uma música menos primitiva - de certa forma já vem acontecendo, a partir de seus temas compostos para a peça Besouro Cordão de Ouro, que teve direção musical de sua mulher Luciana Rabello. Alguns deles - Toque de São Bento Grande de Angola, Toque de São Bento Pequeno e Toque de Santa Maria - já estão nas rodas de capoeira de várias partes do País, antes de sair no CD Capoeira de Besouro, transmitidos na melhor tradição oral. "Tantos capoeiristas viram a peça tantas vezes, que aprenderam as músicas. Os meninos que jogam capoeira na peça também estão sempre nas rodas e levaram essa música pra lá", observa o autor. É o Besouro, que tinha uma aura mágica, provocando zunzum.


No CD Pinheiro reuniu as dez canções feitas para o musical, mais quatro que não entraram por não se adequarem ao tempo de duração da montagem e um samba de roda. Para o autor, o grande barato da peça dirigida por João das Neves era "o mistério de Besouro ser o personagem principal sem existir", ou seja, ele nunca aparece em cena, mas sua presença paira no ar. A mesma sensação se tem no CD, uma vez que as canções não perderam a força pela ausência do componente cênico.
Na instrumentação, tanto na peça como no CD, ele procurou a simplicidade das rodas de capoeira. "O único instrumento harmônico é um violão, às vezes um cavaquinho. Queria que o berimbau fosse o condutor, o eixo principal da história. Então chamei o maior craque deles, Mestre Camisa, o sujeito mais importante que a capoeira tem no mundo hoje." Ouvindo discos de capoeira, Pinheiro passou a compor em cima dos toques, "por isso ficou muito bem amarrado". O violão de Maurício Carrilho atua como um terceiro berimbau harmônico. Camisa achou espantoso.
Congada e maracatu. O próximo projeto para teatro musical de Pinheiro já está pronto, só aguardando patrocínio para a montagem, que também será dirigida por João das Neves. Com música baseada na congada mineira e numa canção de Pinheiro em parceria com Sérgio Santos, do disco Áfrico, Galanga Chico Rei conta a rica história do Rei do Congo, por quem o poeta se encantou tanto quanto Besouro Mangangá.
Depois da capoeira e da congada, ele tem planos de se aprofundar em trabalho semelhante sobre o maracatu, fechando o círculo em torno dos três eixos fundamentais da cultura afro-brasileira: Bahia, Minas Gerais e Pernambuco. "Estou mexendo na reserva brasileira", diz Pinheiro, que é neto de índios e promove a mistura racial desde a década de 1970, quando Clara Nunes gravou a obra-prima Canto das Três Raças, parceria com Mauro Duarte.
É interessante como a música de Pinheiro vem caminhando para a realização cênica. De seu livro Atabaques, Violas e Bambus, a parte dos bambus foi criada em cima das lendas indígenas. O paraense Paulo André Barata musicou 14 poemas daqueles e vai encenar em Belém (Pará) uma "ópera popular amazônica". Em 2011 o mais produtivo compositor brasileiro lança o segundo romance em abril, mais um livro de sonetos e outro de contos.


Abaixo, extraído d’http://quintal-do-lobisomem.blogspot.com/, o elenco de primeira que faz parte deste importante trabalho:
PAULO CESAR PINHEIRO (voz)
MESTRE CAMISA(berimbau gunga)
VICTOR LOBISOMEM (berimbau viola)
MAURÍCIO CARRILHO (violão)
LUCIANA RABELLO (cavaquinho)
CELSINHO SILVA (pandeiro)
PAULINO
DIAS (percussão)
Além do coro com Amélia Rabello, Alan Rocha, Ana Rabello e Leonardo Barbudinho.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Estréia ALGO DE NEGRO

por: Selito SDfonte: http://selito-sd.blogspot.com/

Gente boa gente, convido a todos(as) para a estréia paulistana no dia 20/11 da peça "ALGO DE NEGRO" do Folias, da qual respondo pela direção musical. A estréia da peça será precedida por Roda de Samba com o Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco. As informações detalhadas seguem abaixo.

20 de Novembro – Comemoração Dia da Consciência Negra no Galpão do Folias

O Galpão do Folias tem o prazer de convidar a todos para a comemoração do Dia da Consciência Negra em nossa sede no sábado, 20/11. A festa se iniciará as 14 hrs com uma roda de samba tradicional comandada pelo Projeto Nosso Samba de Osasco.
Em seguida, as 16 hrs, teremos a estréia em São Paulo do espetáculo de rua “Algo de Negro” (premiado pela Fundação Cultural Palmares).
A festa se encerra as 17 hrs com o bloco carnavalesco Filhos da Santa, que desfilará pelas ruas do bairro de Santa Cecília. Tragam amigos e família para comemorar com a gente!

14 hrs – Projeto Nosso Samba – Roda de samba tradicional

16 hrs – Algo de Negro – espetáculo Teatral de rua (estréia paulistana)

17 hrs – Bloco Filhos da Santa – Bloco de carnaval de Santa Cecília

Galpão do Folias - Rua Ana Cintra 213 (ao lado do metrô santa Cecília) Tel. 3361-2233


Veja no http://becocultural.com.br/?p=8560 matéria sobre a peça.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"GENTE BONITA"



Àqueles que se consideram bem informados e negam a existência de preconceito no Brasil - especialmente entre as camadas médias e altas das regiões sudeste e sul - recomendo a leitura das entrevistas sobre o “Movimento São Paulo para os Paulistas”, no http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/11/em-manifesto-na-web-jovens-paulistas.html

Recomendamos especialmente àqueles que:

a. consideram racistas as políticas afirmativas (cotas, por exemplo), num país onde só haveria preconceito na cabeça de uns poucos ‘negros revoltados’ contra brancos;

b. gostam de “gente bonita”;

c. afirmam que o número de nordestinos na cidade de São Paulo aumentara consideravelmente na gestão de Luíza Erundina - ela teria pago milhares de passagens de ônibus para que seus conterrâneos trabalhassem como ambulantes.

Antes da turma se filiar ao movimento, informamos que apenas 1 entre cada 5 habitantes do estado de São Paulo é nordestino (fonte: IBGE) e que, invalidados os votos da região nordeste, a candidata do Lula teria ganho as últimas eleições do mesmo jeito: 37.371.157 votos, para Dilma Rousseff; 36.036.646, para Serra.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O PESO DE SUA LUTA

Por falta de argumentos que resistam à comparação de oito anos de governos antagônicos, a oposição à candidatura apoiada por Lula dissemina falsidades.

Quanto mais nos aproximamos do pleito final, a Direita brasileira substitui a razão cínica que lhe é característica – tentando sustentar a falsa idéia do governo Lula como mera continuação dos anos FHC – pela propagação aberta de mentiras e preconceitos. É bispo da complacente Igreja Católica e seus milhões de panfletos com a inscrição “
o PT é o partido da morte”; é a esposa de José Serra declarando ser Dilma Rousseff favorável à “matança de criancinhas”; são as baixarias sexistas e telefonemas "robôs" condenando a candidatura apoiada pelo presidente Lula – exaustivamente atacado por impressos e audiovisuais, mas reiteradamente aclamado pelo povo.

Fossem somente apoiadores declarados do PSDB-DEM os promotores e executores dos impropérios, a situação já seria grave do ponto de vista da Democracia e do Direito Eleitoral. Mas a proliferação da mentira e da manipulação atinge seu clímax quando encontra guarida e incentivo numa das instâncias que deveria zelar pelo contraditório e pelo debate público: a mídia. Velada ou escancaradamente favoráveis à candidatura de José Serra, os principais veículos de comunicação dão descabida relevância às questões de cunho moralista, desde que essas tenham uma só direção: aquela que combate o PT , Lula e Dilma Rousseff. Afinal, os grupos midiáticos que silenciam sobre a quebra do sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros, promovida pelas
Verônicas Serra e Dantas, são os mesmos que estampam, descontextualizadas, falas de Dilma sobre o aborto; que fofocam se ela fez ou não o sinal da cruz em cerimônia religiosa. Fornecendo material (matérias?) de campanha à oposição, fazem de uma bolinha de papel espetáculo de manipulação. Proclamam-se cerceados em sua liberdade de imprensa, ao mesmo tempo em que demitem colunista por ‘delito de opinião’.

Talvez seja mesmo difícil à oposição contrapor-se à candidatura apoiada por Lula, pois, mantido o mesmo crescimento observado sob FHC, o salário mínimo só atingiria os níveis atuais em 2015 (vide parágrafos 5 e 6 da página 93 do artigo do prof. João Sicsú em http://www.insightnet.com.br/inteligencia/49/PDFs/07.pdf). De fato, é complicado combater a candidata da esquerda, quando o número de empregos com carteira assinada criados entre 2003 e 2010 só seria alcançado em 2.058, se projetado a ritmo tucano. Isso sem falar na redução da pobreza conseqüente ao bolsa-família – política cuja expansão tem reconhecimento internacional. Diante desse quadro, os peessedebistas abandonam a consistência dos argumentos, a busca de políticas públicas alternativas, e optam por regurgitar seu próprio fel, encontrando na mídia a papa e nas classes médias altas e abestadas a baba; uma maçaroca produto da ignorância, do auto-interesse e do horror às marcas populares do governo atual, quais sejam: o estímulo às cotas nas universidades, a política externa independente, a convivência menos tensa do governo com os movimentos sociais, a reorganização do Estado Nacional, a presença dos mais pobres em situações e lugares ‘nunca’ dantes frequentados ‘na história deste país’.

O ranço antipopular de nossas elites culturalmente dependentes dos mercados, firmas e países hegemônicos é decorrência lógica do neoliberalismo subsequente às décadas autoritárias. São esses grupos sociais que apóiam a candidatura da oposição. São os mesmos setores favoráveis às privatizações, à ALCA, à competição desenfreada, à redução da presença do poder público no combate às desigualdades. Desconectados da idéia de nação, da solidariedade mais básica com a maioria dos brasileiros, os endinheirados não só não andam pelas ruas, como não admitem que aqueles que sempre lhes pareceram inoportunos pedintes, ou réles serviçais, assumam uma postura altiva. Nesse contexto, é deprimente ver figuras públicas renegarem seu próprio passado. Encastelados em
luxuosos condomínios, refestelam-se num golpismo que remonta 1964. Silenciam diante da sanha reacionária que, a um só tempo, condena a descriminação do aborto e apóia a pena de morte. Acomodam-se satisfeitos junto àqueles que preconceituosamente rechaçam o bolsa-família, visto como ‘esmola’ para ‘vagabundos do norte e nordeste do país'.

Por reafirmar o peso de sua história, a possibilidade de um retirante pernambucano, operário, fazer seu sucessor como presidente representa uma afronta aos que sempre desqualificaram e continuam ofendendo os de baixo. É uma afronta pelo flagrante caráter popular do governo atual; é uma afronta pelo conteúdo simbólico da figura de Lula – o povo ativo, mais competente do que as elites deslumbradas com os EUA. E chega a ser uma verdadeira agressão aos que só se afirmam ‘homens’ pela exclusão, pelo desprezo ao próximo, pela mentira, pela violência, pela humilhação, pela covardia, pelo tapa na cara, pelo pau-de-arara, pela tortura da mulher que, obstinada, se reergue e se elege: DILMA ROUSSEFF!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"Opção pelo planeta". Chique, não?

Em reunião realizada ontem, a coordenação da campanha de Marina Silva sinalizou 'neutralidade' no segundo turno. Postura tão clara, quanto os propósitos ambientalistas do Partido Verde, e nada surpreendente para quem desfila pelos salões falando em 'terceira via', em 'sustentabilidade', enfim, em assuntos de gente fina. A paulistada que tem horror aos nordestinos, ao bolsa-família e às cotas agradece pela discrição.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A ENDOGAMIA VERDE-LACERDISTA, A QUATRO DIAS DA URNA

Ibope: Dilma 50% X Serra+ Marina, 40%
Sensus: Dilma 47,5% X Serra + Marina, 37,2%

"O arrastão do conservadorismo jogará todas as cartas nas próximas horas na tentativa de reverter a vantagem de Dilma, na prática ou no imaginário popular.Outros Datafolhas tentarão soprar a torcida pelo segundo turno, hipótese ausente nos últimos levantamentos da Sensus e do próprio Ibope. Objetivamente, o conservadorismo nativo não tem nenhuma proposta, nenhum projeto capaz de mobilizar uma virada estatísticamente colossal, que envolveria a migração oito milhões de votos [leia entrevista de Marcos Coimbra, do Vox Populi, no Viomundo]. Resta-lhe, porém, uma endogamia publicitária apoiada em duas frentes, cuja desfrute mútuo produz efeitos não subestimáveis; a saber: I) soterrar os avanços sociais e econômicos dos últimos oito anos num 'mar de lama' cenográfico, anabolizado pelo dispositivo midiático até o dia da votação; II) usar --o termo é tristemente esse-- 'usar' Marina Silva como glacê verde do udenismo lacerdista, emprestando-lhe um frescor de photoshop que a direita nunca teve neste país e Serra, naturalmente, foi incapaz de suprir. Sim, a aliança de forças pró-Dilma também inclui remanescentes da direita e centro direita abrigados em partidos aliados. A diferença na história é sempre quem detém a hegemonia do processo. Do lado de Dilma, em última instancia, são os sindicatos operários e os movimentos sociais que concentram uma capacidade de mobilização capaz de fazer a diferença no prato da balança política. Quando Serra e a mídia atacam o que denominam de 'aparelhismo' do Estado e vociferam contras as 77 conferência nacionais realizadas pelo governo Lula, que mobilizaram mais de cinco milhões de pessoas no país, esse é o seu alvo , ou alguém acredita que a pauta do 'mar de lama' reflete valores éticos do jornal O Globo? No caso de Marina Silva, cabe indagar para qual margem da disputa hegemônica estão sendo arrastados os votos dirigidos a uma suposta candidatura de 'terceira via', essa dissimulação ideológica que a crise mundial do capitalismo cuidou mais uma vez de desnudar. Objetivamente, acima de ressentimentos e divergencias superáveis, esse é o quadro sobre o qual ambientalismo progressista e os democratas devem refletir, a quatro dias da urna."

fonte: www.cartamaior.com.br e a hora da decisão, 29-09)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Pela ampla liberdade de expressão no Brasil

Presente ao evento organizado pelo Centro de Estudos Barão Itararé contra o GOLPISMO MIDIÁTICO, constatei a forte adesão ao ato. O auditório do Sindicato dos Jornalistas ficou pequeno. Muitos não conseguiram entrar, mas permaneceram nos corredores, escadaria, calçada e butiquins da Rego Freitas. O texto abaixo, representativo da manifestação e lido por Altamiro Borges, foi tão contundente quanto equilibrado. A foto acima capta a emocionante fala de Luiza Erundina. Agradeço ao ao blog do Rovai (www.revistaforum.com.br), que me serve de fonte para este 'post'.
Pela ampla liberdade de expressão no Brasil

O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, proposto e organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, adquiriu uma dimensão inesperada. Alguns veículos da chamada grande imprensa atacaram esta iniciativa de maneira caluniosa e agressiva. Afirmaram que o protesto é “chapa branca”, promovido pelos “partidos governistas” e por centrais sindicais e movimentos sociais “financiados pelo governo Lula”. De maneira torpe e desonesta, estamparam em suas manchetes que o ato é “contra a imprensa”.
Diante destas distorções, que mais uma vez mancham a história da imprensa brasileira, é preciso muita calma e serenidade. Não vamos fazer o jogo daqueles que querem tumultuar as eleições e deslegitimar o voto popular, que querem usar imagens da mídia na campanha de um determinado candidato. Esta eleição define o futuro do país e deveria ser pautada pelo debate dos grandes temas nacionais, pela busca de soluções para os graves problemas sociais. Este não é momento de baixarias e extremismos. Para evitar manipulações, alguns esclarecimentos são necessários:

1. A proposta de fazer o ato no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo teve uma razão simbólica. Neste auditório que homenageia o jornalista Vladimir Herzog, que lutou contra a censura e foi assassinado pela ditadura militar, estão muitos que sempre lutaram pela verdadeira liberdade de expressão, enquanto alguns veículos da “grande imprensa” clamaram pelo golpe, apoiaram a ditadura – que torturou, matou, perseguiu e censurou jornalistas e patriotas – e criaram impérios durante o regime militar. Os inimigos da democracia não estão no auditório Vladimir Herzog. Aqui cabe um elogio e um agradecimento à diretoria do sindicato, que procura manter este local como um espaço democrático, dos que lutam pela verdadeira liberdade de expressão no Brasil.

2. O ato, como já foi dito e repetido – mas, infelizmente, não foi registrado por certos veículos e colunistas –, foi proposto e organizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, entidade criada em maio passado, que reúne na sua direção, ampla e plural, jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação. Antes mesmo do presidente Lula, no seu legítimo direito, criticar a imprensa “partidarizada” nos comícios de Juiz de Fora e Campinas, o protesto contra o golpismo midiático já estava marcado. Afirmar o contrário, insinuando que o ato foi “orquestrado”, é puro engodo. Tentar partidarizar um protesto dos que discordam da cobertura da imprensa é tentar, isto sim, censurar e negar o direito à livre manifestação, o que fere a própria Constituição. É um gesto autoritário dos que gostam de criticar, mas não aceitam críticas – que se acham acima do Estado de Direito.

3. Esta visão autoritária, contrária aos próprios princípios liberais, fica explícita quando se tenta desqualificar a participação no ato das centrais sindicais e dos movimentos sociais, acusando-os de serem “ligados ao governo”. Ou será que alguns estão com saudades dos tempos da ditadura, quando os lutadores sociais eram perseguidos e proibidos de se manifestar? O movimento social brasileiro tem elevado sua consciência sobre o papel estratégico da mídia. Ele é vítima constante de ataques, que visam criminalizar e satanizar suas lutas. Greves, passeatas, ocupações de terra e outras formas democráticas de pressão são tratadas como “caso de polícia”, relembrando a Velha República. Nada mais justo que critiquem os setores golpistas e antipopulares da velha mídia. Ou será que alguns veículos e até candidatos, que repetem o surrado bordão da “república sindical”, querem o retorno da chamada “ditabranda”, com censura, mortos e desaparecidos? O movimento social sabe que a democracia é vital para o avanço de suas lutas e para conquista de seus direitos. Por isso, está aqui! Ele não se intimida mais diante do terrorismo midiático.

4. Por último, é um absurdo total afirmar que este ato é “contra a imprensa” e visa “silenciar” as denúncias de irregularidades nos governos. Só os ingênuos acreditam nestas mentiras. Muitos de nós somos jornalistas e sempre lutamos contra qualquer tipo de censura (do Estado ou dos donos da mídia), sempre defendemos uma imprensa livre (inclusive da truculência de certas redações). Quem defende golpes e ditaduras, até em tempos recentes, são alguns empresários retrógrados do setor. Quem demite, persegue e censura jornalistas são os mesmos que agora se dizem defensores da “liberdade de imprensa”. Somos contra qualquer tipo de corrupção, que onera os cidadãos, e exigimos apuração rigorosa e punição exemplar dos corruptos e dos corruptores. Mas não somos ingênuos para aceitar um falso moralismo, típico udenismo, que é unilateral no denuncismo, que trata os “amigos da mídia” como santos, que descontextualiza denúncias, que destrói reputações, que desrespeita a própria Constituição, ao insistir na “presunção da culpa”. Não é só o filho da ex-ministra Erenice Guerra que está sob suspeição; outros filhos e filhas, como provou a revista CartaCapital, também mereceriam uma apuração rigorosa e uma cobertura isenta da mídia.

5- Neste ato, não queremos apenas desmascarar o golpismo midiático, o jogo sujo e pesado de um setor da imprensa brasileira. Queremos também contribuir na luta em defesa da democracia. Esta passa, mais do que nunca, pela democratização dos meios de comunicação. Não dá mais para aceitar uma mídia altamente concentrada e perigosamente manipuladora. Ela coloca em risco a própria a democracia. Vários países, inclusive os EUA, adotam medidas para o setor. Não propomos um “controle da mídia”, termo que já foi estigmatizado pelos impérios midiáticos, mas sim que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais democrática e pluralista. Neste sentido, este ato propõe algumas ações concretas:
- Desencadear de imediato uma campanha de solidariedade à revista CartaCapital, que está sendo alvo de investida recente de intimidação. É preciso fortalecer os veículos alternativos no país, que sofrem de inúmeras dificuldades para expressar suas idéias, enquanto os monopólios midiáticos abocanham quase todo o recurso publicitário. Como forma de solidariedade, sugerimos que todos assinemos publicações comprometidas com a democracia e os movimentos sociais, como a Carta Capital, Revista Fórum, Caros Amigos, Retrato do Brasil, Jornal Brasil de Fato, Revista do Brasil, Hora do Povo entre outros; sugerimos também que os movimentos sociais divulguem em seus veículos campanhas massivas de assinaturas destas publicações impressas;
- Solicitar, através de pedidos individuais e coletivos, que a vice-procuradora regional eleitoral, Dra. Sandra Cureau, peça a abertura dos contratos e contas de publicidade de outras empresas de comunicação – Editora Abril, Grupo Folha, Estadão e Organizações Globo –, a exemplo do que fez recentemente com a revista CartaCapital. É urgente uma operação “ficha limpa” na mídia brasileira. Sempre tão preocupadas com o erário público, estas empresas monopolistas não farão qualquer objeção a um pedido da Dra. Sandra Cureau.
- Deflagrar uma campanha nacional em apoio à banda larga, que vise universalizar este direito e melhorar o PNBL recentemente apresentado pelo governo federal. A internet de alta velocidade é um instrumento poderoso de democratização da comunicação, de estimulo à maior diversidade e pluralidade informativas. Ela expressa a verdadeira luta pela “liberdade de expressão” nos dias atuais. Há forte resistência à banda larga para todos, por motivos políticos e econômicos óbvios. Só a pressão social, planejada e intensa, poderá garantir a universalização deste direito humano.
- Apoiar a proposta do jurista Fábio Konder Comparato, encampada pelas entidades do setor e as centrais sindicais, do ingresso de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por omissão do parlamento na regulamentação dos artigos da Constituição que versam sobre comunicação. Esta é uma justa forma de pressão para exigir que preceitos constitucionais, como o que proíbe o monopólio no setor ou o que estimula a produção independente e regional, deixem de ser letra morta e sejam colocados em prática. Este é um dos caminhos para democratizar a comunicação.
- Redigir um documento, assinado por jornalistas, blogueiros e entidades da sociedade civil, que ajude a esclarecer o que está em jogo nas eleições brasileiras e que o papel da chamada grande imprensa tem jogado neste processo decisivo para o país. Ele deverá ser amplamente divulgado em nossos veículos e será encaminhado à imprensa internacional.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O DESESPERO dos SENHORES de ENGENHO da MÍDIA


FALTAM DEZ DIAS: CARTUCHOS DO DESESPEROfonte: http://www.cartamaior.com.br/

"Serra, ansioso, pediu para apressar o 'serviço'. Não há tempo a perder. Faltam dez dias: lances cinematográficos do velho 'tudo ou nada' vão se suceder em velocidade vertiginosa a cada 24 horas. A estratégia da saturação surte efeito se obedecer a uma escalada que leve ao pânico antes de os eleitores levarem sua preferência racional às urnas. Nesta 4º feira,a coordenação do PSDB deu um sinal para o conservadorismo nativo apertar o passo: jogou na rede o primeiro de um pacote de sete vídeos anti-PT contratados diretamente pelo presidente do partido, Sergio Guerra, com aprovação de Serra. Grosso modo, os filmetes equivalem a uma coreografia sonorizada das piores capas de Veja. A mesma receita de fascismo primário com enredo infantilizado em cores berrantes. Sutileza zero. Objetivo explícito: disseminar medo e ódio em relação ao governo, ao PT e Dilma num teste de degustação. A depender da receptividade, vai para o horário eleitoral. Palpite: é tão caricatural e explicitamente totalitário que pode gerar um efeito bumerang; se for colocado na tevê é capaz de Serra perder votos em segmentos da própria classe média tucana. O célebre 'medo' da namoradinha do Brasil, em 2002, é refresco delicado. A única certeza que se pode extrair da mão pesada que tomou a frente da propaganda serrista é que ingressamos numa etapa da campanha na qual todos os limites serão atropelados. A coalizão demotucana e seu dispositivo midiático assumiram a ordem unida sintetizada no grito ensandecido de Arnaldo Jabor, dia 22: ..."se queremos a paz, preparemo-nos para a guerra...""
(Carta Maior lembra: hoje, 23 de setembro, 19 horas, no Sindicato dos Jornalistas, Rego Freitas, 530, ato contra o golpismo midiático; 23-09)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mídia mente e combate livre manifestação contra o Golpe do PIG (Partido da Imprensa Golpista)

foto da revista QUEM capturando fina-flor do PIG

"O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, que ocorrerá nesta quinta-feira, dia 23, às 19 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, parece que incomodou o poderoso monopólio da família Marinho. O site do jornal O Globo deu manchete: “Após ataques de Lula, MST e centrais sindicais se juntam contra a imprensa”. Já o jornal impresso publicou a matéria “centrais fazem ato contra a imprensa”. Como se nota, o império global sentiu o tranco!Diante desta reação amedrontada, é preciso prestar alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, o ato do dia 23 não está sendo convocado pelas centrais sindicais, MST ou partidos. Ele é organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, entidade fundada em 14 de maio último, que reúne em seu conselho consultivo 54 jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais ligados à luta pela democratização da comunicação. A entidade é ampla e plural, e tem todo o direito de questionar as baixarias da mídia golpista.

As mentiras sobre o protesto

As manchetes e a “reporcagem” do jornal O Globo tentam confundir os leitores. Insinuam que o protesto é “chapa-branca” e serve aos intentos do presidente Lula, que “acusa a imprensa de agir como partido político”. A matéria sequer menciona o Centro de Estudos Barão de Itararé e tenta transmitir a idéia de que o ato é articulado pelo PT, “siglas aliadas”, MST e centrais. A repórter Leila Suwwan, autora do texto editorializado, cometeu grave erro, que fere a ética jornalística. Em segundo lugar, é preciso explicitar os verdadeiros objetivos do protesto. Ele não é “contra a imprensa”, como afirma O Globo, jornal conhecido por suas técnicas grosseiras de manipulação. É contra o “golpismo midiático”, contra a onda denuncista que desrespeita a Constituição – que fixa a “presunção da inocência” – e insiste na “presunção da culpa” que destrói reputações e não segue os padrões mínimos do rigor jornalístico – até quem saiu da cadeia é usado como “fonte”.

Falso defensor da liberdade de imprensa

O Globo insiste em se travestir como defensor da “liberdade de imprensa”. Mas este império não tem moral para falar em democracia. Ele clamou pelo golpe de 1964, construiu o seu monopólio com as benesses da ditadura e tem a sua história manchada pelo piores episódios da história do país – como quando escondeu a campanha das Diretas-Já, fabricou a candidatura do “caçador de marajás”, defendeu o modelo destrutivo do neoliberalismo ou criminaliza os movimentos sociais.Quem defende a verdadeira liberdade de expressão, contrapondo-se à ditadura midiática, estará presente ao ato desta quinta-feira. Seu objetivo é dar um basta ao golpismo da mídia, defender a soberania do voto popular e a democracia. Ele não é contra a imprensa, mas contra as distorções grosseiras dos donos da mídia. Não proporá qualquer tipo de censura, mas servirá para denunciar as manipulações dos impérios midiáticos, inclusive dos que são concessionárias públicas."

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dia 23/09 - Ato contra o Golpismo Midiático - no Centro SP


Centro Barão de Itararé promove ato contra o golpismo midiático
COMPAREÇA AO ATO EM DEFESA DA DEMOCRACIA!

CONTRA A BAIXARIA NAS ELEIÇÕES!

CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO!

Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na “presunção da culpa”, numa afronta à Constituição que fixa a “presunção da inocência”.

Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha no programa de TV do candidato das forças conservadoras.

Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil.

A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha. Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso.

Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que – pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar – já mostraram seu desapreço pela democracia.

É por isso que centrais sindicais, movimentos sociais, partidos políticos e personalidades das mais variadas origens realizarão – com apoio do movimento de blogueiros progressistas - um ato em defesa da democracia.

Participe! Vamos dar um basta às baixarias da direita!

Abaixo o golpismo midiático!

Viva a Democracia!

Data: 23 de setembro, 19 horas

Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista).

Presenças confirmadas de dirigentes do PT, PCdoB, PSB, PDT, de representantes da CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, MST e UNE e de blogueiros progressistas.

fonte: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/09/16/todos-contra-o-golpe-do-serra-e-do-pig-ato-publico-dia-23-em-sp/

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Quando a ascensão social causa medo e perplexidade"

Contrariada com a perda de influência sobre quem lhe serviria como massa de manobra, a mídia se desespera diante de um eleitorado cada vez mais impassível às "denúncias" por ela veiculadas. Jornalões, rádios e televisões atribuem às escolhas populares um caráter perverso. Indiferente aos "formadores de opinião" (vide resultados de pesquisas após a quebra do sigilo fiscal da filhinha de papai Serra), a galera da geral é vista como fonte de legitimação de certo 'totalitarismo'. Imprecisões caracterizariam este último; iriam do apreço de Lula por charutos cubanos, passariam por conferências que mencionam o termo 'concessão pública de rádios e TVs' e chegariam a conteúdos mais etéreos, como a ausência do fugaz olor de gente mais seleta no comando. Talvez o 'cheiro do povo' irrite a mídia. É que o povo, fétido e ignorante, segundo os sabichões, desconhece as brilhantes considerações dum Jabor, dum Magnoli, duma Catanhêde, dum Frias, ouvindo apenas o barbudo da foto aí em cima. Que horror, não!?
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A seguir, um excelente texto do Azenha, publicado no seu http://www.viomundo.com.br/.
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13 de setembro de 2010 às 20:08
Quando a ascensão social causa medo e perplexidadepor Luiz Carlos Azenha
"Há, por toda parte, da direita à esquerda, uma certa perplexidade. Intelectuais à esquerda e à direita se debruçam sobre a campanha eleitoral com uma ponta de saudosismo e desprezo pela aparente despolitização do eleitorado. O domínio do marketing, a presença do Tiririca e a influência de Lula são apontados como sinais de que a democracia brasileira está às vésperas de um naufrágio.

Em um caderno especial, “Desafios do Novo Presidente”, o Estadão exibe sua saudade de um tempo em que ainda era possível controlar o protagonismo das multidões para negociar, por cima, uma “solução política”. Foi assim no movimento das Diretas Já! , em que o vozerio das ruas foi instrumentalizado para buscar uma democracia “de bastidores”. “Democracia à brasileira”, anuncia o Estadão, obviamente sem notar a ironia contida na escolha da foto. Se tivesse escolhido uma imagem da greve dos metalúrgicos do ABC, em 1980, não seria, naturalmente, o Estadão, embora a greve tenha sido o golpe que de fato chacoalhou o regime militar.

Na Folha, um colunista identificou no Tiririca o símbolo de tudo o que há de errado com a política brasileira. Ele se esqueceu que a despolitização é herança da cidadania negada e está explícita não só nos candidatos bizarros, mas também em partidos que não resistem a prévias internas para a escolha do candidato a presidente. O dedaço, como se sabe, é um mal apenas quando praticado pelo atual presidente da República, nunca quando se dá em um apartamento de Higienópolis. Politização exige engajamento. A amnésia do colunista se estende à campanha movida contra as tênues tentativas do governo Lula de promover a cidadania política, através das conferências nacionais e do Plano Nacional de Direitos Humanos, campanha da qual fez parte… a Folha.

O Globo de domingo gastou uma página inteira de papel e tinta para falar em Vazio de ideias, por que a apatia e a ausência de reflexão tomaram conta da campanha eleitoral. Na página, o poeta Claufe Rodrigues prega “mudar radicalmente o sistema de representação”. Será que ele sonha com o voto censitário? O jornalista Eugenio Bucci trata como “discurso autoritário” a propaganda eleitoral de Dilma Rousseff que dá ênfase à ascensão social (‘”pusemos” não sei quantos brasileiros na classe média’). O sociólogo Bernardo Sorj fala em “massa apática”, sustentada pela “classe média pagadora, que se preocupa com problemas como liberdade de expressão, transparência do Estado e corrupção”.

Curiosamente, as pílulas de O Globo revelam mais sobre os entrevistados do que sobre a população brasileira, os eleitores brasileiros e a conjuntura política e econômica do Brasil. Revelam desconhecimento, preguiça intelectual e a falta de reflexão que eles, os entrevistados, preferem atribuir — como sempre — “aos outros”.

Infelizmente, pouca gente tem se dedicado até agora a estudar a erupção política de milhões de brasileiros como resultado da ascensão social que eles viveram nos últimos anos. O fenômeno, em números, foi retratado mais recentemente no estudo
A Nova Classe Média: o Lado Brilhante dos Pobres (
http://www.fgv.br/cps/ncm/
), da Fundação Getúlio Vargas. Do ponto de vista da ciência política, foi estudado por André Singer, em Raízes sociais e ideológicas do Lulismo (http://novosestudos.uol.com.br/acervo/acervo_artigo.asp?idMateria=1356).

Além da ignorância, no entanto, torcer o nariz para a atual campanha eleitoral também serve a um objetivo político: desqualificar antecipadamente os eleitos. Para além do golpismo, no entanto, está a perplexidade de classe — e aqui localizamos a esquina onde se encontram direitistas e esquerdistas (alguns, pelo menos). O Brasil é um país de extrema concentração de poder, de riqueza e de saber. E o fenômeno que vai influenciar as eleições brasileiras a longo prazo representa uma ameaça a essa sociedade, em que as “ideias” políticas, de comportamento e de consumo “vertem” dos ungidos em direção às massas.

Assistimos, em câmera lenta, a uma revolução nos papéis sociais, que vai se acelerar quando a ascensão econômica se combinar com a interiorização do conhecimento, o acesso à universidade e as tecnologias de informação.

Perplexos, os que se acreditam mantenedores de nossa ordem hierarquizada confundem sua irrelevância com a decadência definitiva da democracia brasileira. É um jeito elegante de dizer que eles sentem desprezo pelos pobres"
.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

foto: Zéphir Efe Silva
"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial
."

autor: MÁRIO DE ANDRADE

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

No alvoroço do centenário

Uma ilustre corinthiana – ao ressaltar possíveis irregularidades na construção do estádio de seu clube – teria se referido ao bairro de Itaquera, onde se projeta a edificação, como o “cu de onde sai a bosta do cavalo do bandido”.

Fico imaginando a celebridade explicar às pessoas aí da foto que esse negócio de cu, bosta, cavalo e bandido é tudo força de expressão, que a turma não entendeu; ou, sugiro , que é tudo uma questão de referência. Talvez fosse melhor evitar o 'corre-corre-corre' e argumentar em outro momento; no final de semana, por exemplo, quando a maioria que reside aqui na Zona Leste poderia responder à dona, elencando com vagar e circunstância as qualidades várias dos Jardins do país. Sua fauna e flora, sua gente e raiz. U!-u!-U!uuuuuuuuuuuu......

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PALMEIRAS ÉPICO

O torcedor 'qualquer nota' dirá que foi apenas uma vitória sobre o Vitória. Chamará de doente aquele que comemora como se fosse título uma classificação obtida no final do jogo. Acrescentará, com certo ar 'blasé', que não gastaria seu precioso tempo com um "time que não ganha nada de importante há muitos anos". Protagonista de fracassos absurdos, é fato, o Palmeiras é Palmeiras pelas alegrias quase letais que provoca em uma torcida que reconhece, até pelo rebote dos vexames e impropérios, os momentos de afirmação histórica, de celebrar o orgulho de ser o que é. Se há uma torcida que tem um time e não o inverso, permitam-me os "rivales", esta é a torcida do Palmeiras. Eis uma das prováveis razões de ser o time com o maior número de ídolos claramente identificados com o clube e seus torcedores. Os 500 jogos de Marcos, os desfalques de um elenco sempre posto em dúvida, as chacotas da imprensa e dos torcedores adversários, configuraram o contexto ideal para uma vitória típica do Palmeiras treinado pelo campeão Scolari. Para a história, o presente. O presente dos gols, o êxtase dos fanáticos alviverdes e o silêncio do outro lado.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Nem a favor, nem contra, muito pelo contrário

foto: J. F. Diório/AE

Marina Silva é a candidata ideal de quem não se posiciona. Colocando-se acima dos antagonismos partidários que, queira ou não o bom candidato Plínio de Arruda Sampaio, se organizam a partir dos pólos PT x PSDB, ela se mostra com aura angelical, que aplaca tanto os céticos em relação à centralidade da política, quanto os que se vêem portadores de um novo paradigma, apoiados em conceitos difusos e oportunistas, como ‘sustentabilidade’ e ‘terceira via’. Essa história de não ser a favor nem contra pode soar bonita para os ingênuos que acreditam que tudo não passa de ‘gestão’, de aplicação correta de uma técnica. Tal postura, além de não problematizar a eventual existência de outras técnicas, redime culpas, escolhendo Marina por uma pertença que tem se enfraquecido diante dos aplausos. Vacilante na definição de qual dos lados.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nada que distraia o sono difícil

AGORA FALANDO SÉRIO
Chico Buarque/1969


"Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver banda passar

Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal ?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal

Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo para eu cantar

Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério

Agora falando sério
Eu queria não falar
Falando sério"


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terça-feira, 27 de julho de 2010

Heródoto ainda comanda o RODA-VIVA

A presença de Heródoto Barbeiro no comando das últimas edições do RODA VIVA, inclusive na de ontem, parece desmentir sua demissão. Será que a sanha udenista do direitista José Serra está dispensando a perseguição à jornalistas? Vejamos.