quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Belluzzo responde a J.Qui furo

Juca,

Lí em seu blog a análise sobre o jogo Gremio e Palmeiras.Registrei a conexão que vc estabeleceu entre a minha suspensão e o comportamentodos jogadores.Comportamento lamentável, danoso ao clube e ao futebol no jogo de ontem.Imagino, acompanhando a lógica que informa seu raciocínio, que tambem tenha sido responsável pelos sopapos que os jogadores do São Paulo trocaram entre sí no jogo de sábado ou talvez pela pancadaria no jogo Fluminense e Cerro Porteño.Eu me rebelei contra uma arbitragem visivelmente arranjada no âmbito das “conexões” que vc costuma denunciar.Estranhamente, a questão Simon desapareceu de cena, mesmo depois do citado arranjador de resultados ter mudado várias vezes as explicações sobre seu erro crasso.Jamais escondí que o time vem mal há tempos, isso muitos antes de meus protestos no episódio Simon.Me envergonho das promessas condenáveis de aplicar uns tapas no desonesto.Isso merece a condenação pública, geral e irrestrita.Mas o resto do “destempero” foi fruto da decepção em ver confirmadas as minhas expectativas, ainda que isso pareça paradoxal.A indignação,ainda que justa, causa incômodo “às pessoas de bem” do início do terceiro milênio.O que eu disse a respeito das práticas tanto nativas quanto européias – manipulaçâo de resultados e arranjos espúrios – são de conhecimento geral e decorrem em boa medida do caráter corruptor da “vitória a qualquer custo”, valor típico da sociedade contemporânea baseada na concorrência sem quartel e sem limites, circunstância que escapa ou não interessa aos diretores de consciência da mídia.E essa sanha “vitoriosa” não poupa ninguem, como o demonstra a manifestação do torcedores “bem intencionados” que advogam a entrega de jogos para não favorecer os rivais.Esse é o futebol realmente existente e isso, entre outras coisas, me causa ânsia de vômito.Não sou virtuoso nem melhor do que a maioria dos homens.Essas certezas sobre a fragilidade da bondade meu pai me legou, acompanhadas de um superego implacável em suas condenações.Posso garantir: não é por uma virtude inata -generalidade tola do moralismo vulgar – que me sentiria desintegrado e incapaz de juntar os cacos se tentasse comprar o juiz ou coisa parecida.A “boa imprensa” me traz à lembrança as palavras do Príncipe de Salina, personagem do Gattopardo de Lampedusa: “é preciso mudar para deixar tudo como está”.Discordo ,portanto, de seu ponto de vista sobre a origem dos desatinos dos jogadores.Considero sua suposição injusta e precipitada.Mas defenderei sempre, e sem restrições, o seu direito de me criticar.E, melhor, prometo não perturba-lo mais com minhas tediosas considerações.

Saudações,
Belluzzo

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