quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mídia brasileira: a competência da mentira ou a mentira da competência


Entregando-se à célebre tática nazista, pela qual a repetição sistemática da mentira, confere-lhe 'status' de verdade, os grandes veículos da mídia brasileira revelam seu posicionamento golpista em relação ao governo Lula, bem como o apoio aberto à perspectiva política e ideológica da elite financeira nacional, concentrada em São Paulo, e cujo núcleo partidário encastela-se no PSDB. Assistiu-se há poucos meses ao alarde em torno de alteração legal em demonstração contábil dos resultados da Petrobrás, sobre a qual se derramaram conclusões apressadas de corrupção e clamores inflamados por CPI. Agora vemos transformar-se em FATO incontestável uma acusação da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, à Dilma Rousseff, culpando a candidata do PT às eleições presidenciais de 2010 de um suposto pedido para (des)obstruir fiscalização tributária nos negócios da família Sarney. Houve até 'jornalista'(?!?!) da Globo concluindo, pelo 'jeito de falar' (?!?!?!) de Lina, que ela 'evidentemente' diz a verdade. É como se eu o acusasse, caríssimo leitor, de assassino, e você tivesse que me provar sua própria inocência; mais, enquanto não admitisse a culpa que não tem, seria chamado por todos de mentiroso. A propósito, o Judas de plantão, o patético José Sarney, foi devidamente alçado a símbolo dos males nacionais; é o mamão com açúcar dos sapientes comentários de almoços de firma, nos quais as classes médias regurgitam seus preconceitos, que vão da responsabilização dos pobres pela pobreza, do projeto político de separação do sul-sudeste do resto do Brasil, até ao repúdio aos negros, aos nordestinos, aos sem-terra, às cotas, aos movimentos sociais. E dá-lhe boca cheia pregando bombardeios em favelas para "resolver o problema da segurança, porque esse país, com esse povinho, como dizem os comensais, não tem mais jeito". Pois bem, é nesse caldo de cultura e com esse nível de isenção que a mídia se arvora à expressão mais cristalina da opinião pública. Pedindo desavergonhadamente que fazendeiros invadam o gabinete de Lula, como fez o Editorial golpista do Grupo Bandeirantes. Reportando fatos que não ocorreram, como fez recentemente a Folha de S. Paulo, ao acusar Dilma (só dá ela – por que será?) em capa de domingo, de ter participado no planejamento de uma operação guerrilheira, cujo objetivo seria o seqüestro do então ministro Delfim Neto. Enxergando nesta nota do IPEA (quanta imaginação!!!!) dissensões dentro do governo na questão da Receita Federal: o IPEA estaria apoiando Lina Vieira; vs Mantega, ao lado de Dilma (olha ela aqui de novo). É a mídia portando-se como corpo e mente de um grupo hegemônico. Ela parece não se lembrar do passado, batendo sem dó em figuras que já a serviram, mas não se esquece de seu berço: o dinheiro. Nem do seu terço: uma cantilena pseudo-democrática, que atende aos anseios deslumbrados de 20 mil famílias, justamente as que são credoras de 70% da dívida pública interna e vêem intactos seus ganhos conquistados, oh!, com tanto suor. Graças à gestão “eminentemente técnica” do presidente do Banco Central. Isso é que é competência!

Nota: agradeço ao trabalho de Paulo Henrique Amorim, sem o qual não haveria eventuais méritos neste meu texto.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

E DÁ-LHE, PALESTRAAAAA!!!!!!!!!!!!

foto 'chupinhada' do excelente blog CRUZ DE SAVÓIA

parei, mas....

talvez ainda volte a repetir a dose
caso eu, de vez, me entregue à cirrose

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

de quem chorou de saudade da Nenê

Ainda que triste pela eliminação do nosso samba-enredo assim logo de cara, tenho a certeza do dever cumprido e orgulho do CORRENTEZA. Fruto de amor, expressão de labor pela querida Nenê de Vila Matilde. Valeu, Douglão! Valeu, Junião! E muito obrigado à NENÊ!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A REPÚBLICA DOS ALCAGUETES - texto de Bruno Ribeiro


"Se você não fuma, ótimo. Entendo perfeitamente que sinta pena de mim por eu estar me matando aos poucos. Está no seu direito pensar que sou um fraco ou que não tenho caráter por gostar de cigarros. Entendo o seu ponto de vista. O que não entendo é uma pessoa tão inteligente como você compactuar com uma lei fascista criada pelo governo do Estado de São Paulo para segregar um grupo específico de pessoas.
A lei antifumo do senhor José Serra começa a ser aplicada nesta sexta-feira. Todos sabemos que ela contraria a lei federal - que permite a existência de fumódromos em bares e restaurantes. Mas, além desse claro atentado à liberdade individual, a lei tem vários pontos discutíveis. Um deles é a instalação do clima de denuncismo que havia desaparecido do País junto com a ditadura militar.
A partir de hoje, clientes poderão denunciar os donos dos estabelecimentos e os fumantes que desrespeitarem a proibição. Basta uma foto tirada de celular e pronto: está ressuscitada a figura abominável do delator. Teremos, novamente, que conviver com o fantasma do "dedo-duro" em ambientes que sempre primaram pela socialização, pela liberdade e pelo despojamento. O PSDB quer transformar São Paulo na República dos Alcaguetes.

Incapaz de recrutar e remunerar fiscais em quantidade suficiente para a observação da lei, o Estado pretende delegar ao cidadão comum a função de vigiar a vida dos outros. A abjeta medida poderá criar milhões de policiais à paisana e ninguém parece notar este absurdo. Um botequim poderá, por exemplo, ter as portas fechadas com três denúncias de descumprimento da lei antifumo. Mesmo que sejam denúncias forjadas por algum desafeto.
O constrangimento social dos tabagistas é imoral, já que o cigarro é uma substância legal e seu usuário não pode ser submetido a tratamentos discriminatórios. Há muitos anos que ninguém mais se atreve a fumar em hospitais, agências bancárias, repartições públicas, supermercados, aviões, elevadores etc. Para chegarmos a essa realidade, houve uma ação civilizatória, justa e irreversível, que colocou os fumantes em seus devidos lugares.

Por que então este comportamento autoritário do governo paulista? A conversa de que o Estado gasta os tubos com o tratamento de doenças provocadas pelo fumo é pura falácia. Bastaria que todo o dinheiro arrecadado com os impostos provenientes da venda de cigarros fosse aplicado corretamente e teríamos um atendimento médico de primeiro mundo. Esta é mais uma medida demagógica de José Serra na tentativa de ganhar o voto dos não-fumantes nas eleições presidenciais do ano que vem.
Nas propagandas que o governo tem veiculado na mídia, o médico Drauzio Varella responsabiliza os fumantes por poluir o ar de todo o Estado. Por que o doutor não revela as causas concretas do avanço de problemas respiratórios na população de São Paulo? Muitos dos que se dizem preocupados com o ar que respiram são os mesmos que não concebem a ideia de ir para o trabalho de bicicleta ou metrô. Tiram o carro da garagem para ir à padaria da esquina.

Somente na Capital, cerca de 800 carros novos são colocados diariamente nas ruas. São milhões de veículos emitindo monóxido de carbono e outros gases cancerígenos na atmosfera. Convido as pessoas que estão a favor da lei antifumo para iniciarmos juntos a campanha anticarro afim de proibir a circulação de automóveis. Afinal, não queremos todos o bem estar da maioria e a saúde coletiva?

Se você acha que a melhor saída é mesmo denunciar os fumantes ao poder público e multar os estabelecimentos, concorda com a ideia de que algumas liberdades podem ser suprimidas em nome de outras. É aí que mora o perigo. Pensando assim, você me autoriza a encontrar novas (ou antigas) formas de proibir certos atos de liberdade caros a você. Esqueça o meu cigarro. Pense no seu carro. E então, como ficamos?"

Bruno Ribeiro é compositor e jornalista (fonte do texto: O BOTEQUIM DO BRUNO)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"...segura a demanda que a NENÊ já vai passar..."

G.R.C.E.S. NENÊ DE VILA MATILDE - Carnaval 2010
“Água Nossa de Cada Dia! A Pureza da Águia é a Essência de Nossas Vidas”

CORRENTEZA*
(Autores: Douglas Germano / Everaldo ÉfeSilva / Junior Pita)
AQUI o ÁUDIO do SAMBA

A minha Vila é correnteza
Beleza que não cessa
E vem desaguar seu carnaval
Em samba, em força, é água!

Da Terra, o sangue, a essência
Nascente, seiva, sumo da existência
Do chão pro ar, no frio polar
Céu fechou, vem temporal
Chuva forte, tão vital
Alimento natural
Renovando essa grandeza
Toda fauna, toda flora em esplendor
É saúde, corpo são pro meu amor
Esse banho que refaz a esperança
E a Vila avança

Mas o homem sempre cede
A sua sede de ambição
Consome e descarta
Polui e maltrata
Destrói o futuro
Cadê a razão?
O desperdício desse bem,
A vida matará
Calor, degelo e quem
Do mar se salvará?
Mas a Nenê, imortal guardiã
Desfila pro mundo ter um amanhã

TRAGO AS ÁGUAS DE OXALÁ
PRA LAVAR O MAL,
ODOYÁ, O DOCE IEMANJÁ
OXUM, ORAIE-IÊ O
VERTEU A LÁGRIMA
DE QUEM CHOROU DE SAUDADE DA NENÊ


Ainda com o coração acelerado pela emoção que foi a apresentação de ontem, agradeço por tudo que me permitiu estar no palco ajudando a defender o CORRENTEZA, especialmente aos meus parceiros, irmãos de toda a vida: Júnior Pita e Douglas Germano. A propósito, veja AQUI o texto do Douglão sobre o samba.

* Concorrente no concurso de samba-enredo.