quarta-feira, 27 de maio de 2009

TIRANDO O POVÃO DA BANCADA PRADO

Ele diz que é Ponte Preta, mas torce mesmo é para o time do Jd. Leonor. Demonstra descaso pela informação isenta, usando e abusando de cinismo e sarcasmo ao inventar notícias. Cito, como exemplo, seus comentários maldosos sobre uma delegação que teria viajado à altitude feito ‘pau-de-arara’. Mas negar publicamente o time do coração, repetir mentiras tal qual mantras, reproduzir ‘ipsis literis’ as versões das autoridades policiais como expressões da realidade, são comportamentos que não destoam da média de nossa ‘mídia’, nem são tão graves quando comparados aos impropérios que o ilustre dirige aos torcedores de arquibancada. Diz que o ingresso do futebol, no Brasil, é barato demais. Como se R$ 30,00, o preço-piso para assistir a um jogo no estádio, não pesasse significativamente na renda da maioria apaixonada por futebol. Diz que quem freqüenta as arquibancadas é, certamente, irresponsável e, muito provavelmente, “marginal”. Fala com a coragem de um filhinho de papai, protegido por seguranças de condomínio, que todos os integrantes das torcidas organizadas são “bandidos”. Diz, como vários outros colegas seus, que a montagem e a manutenção de bons elencos no futebol brasileiro passam, necessariamente, pelo aumento do preço dos ingressos. Isto é, nega alternativas à elitização – porque é disso que se trata, quando se arrotam arenas, lugares numerados e áreas vips entre perdigotos de uísque com procedência duvidosa. Diz que, dos ingressos mais caros, viria um público mais ‘qualificado’, pois, preconceituoso, parte do pressuposto de que quem ganha mais é ‘mais educado’, ‘culto’ e ‘civilizado’. Subentende, convicto, que ‘geraldinos’ e ‘arquibaldos’ são mal educados, incultos e bárbaros. Diz, subliminarmente e com a simpatia efusiva ou mesmo o ‘silêncio sorridente’ de seus irmãos de classe, que o lugar do povão é fora do estádio. Ao fim e ao cabo, traveste de ‘modernidade’ algo que é muito antigo e atrasado: o futebol como esporte das elites. A forma mudou, mas a essência dos discursos reacionários propalados por nossos endinheirados homens de ben$$ é sempre a mesma: afastar os de baixo do jogo da bola do mundo.

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