terça-feira, 27 de janeiro de 2009

DUO MOVIOLA, coisas que você nem imagina


Registro poético do mundaréu que em muitos habita. 'Beijo de sal’, ‘fuligem na calçada’, ‘azar’, ‘um tapa a mais’, ‘linha de fundo’, ‘rosto roto’, ‘macambúzio’, ‘sim e não’, ‘desacato’, ‘lixo’, ‘barro’, ‘válvula mitral’, ‘custo/benefício’, ‘horror’, ‘espelho’, ‘coisas que você nem sonha’, ‘Drummond’, ‘Jaçanã’,‘Radial Leste’, ‘cama pra qualquer vagabundo’. Sampa! Kiko Dinucci e Douglas Germano no recém-lançado cd DUO MOVIOLA expõem parte de sua arte musical com variedade de ritmos, letras, temas, todos sustentados pela capacidade de rir de si próprio. A surpresa das intervenções-interpretações dos cantores-atores revelam não o apego pós-pós ao riso demente, mas sim a perspectiva crítica dos compositores, sustentada pelo conhecimento de causa, aliado ao raro talento que o transforma em Arte. Pela vida que elas incorporam com toda sua graça e desgraça, é inútil falar das canções desses que são dos melhores compositores da música brasileira na atualidade. Elas falam por elas mesmas, assim como pelos olhares de menino falam os gênios de Douglas e Kiko em obras como Cine Star, A Loira do Banheiro, Mal de Percussion, O retrato do artista quando pede.
Não me saem da retina as imagens de Douglas Germano atravessando a rua antes de mostrar para Antonio Carlos Moreira a letra (e música) que acabara de fazer (Por Favor); Kiko Dinucci cantando Roda de Sampa, na Ponte Pequena. Mais de 10 anos que em mim habitam. Um filme que quero viver e vivo.

Deixa o meu nome cair no chão
Deixa, é melhor do que em tua mão
Joga lá na avenida paulista
Meu retrato em plena pista
Juro, será um favor
Lá vivo muito melhor
Mesmo sentindo no peito
As rodas do Penha-Lapa
Cheio de vida, suor e cansaço
Onde não cai teu perfume
Joga que nunca o ciúme
Fará tão bem pra mim
Deixa o meu nome cair no chão
Deixa, é melhor do que em tua mão
Joga na mais escura sarjeta
Os meus dias de enxaqueca
Esse é um outro favor
Lá vivo muito melhor
Mesmo se, quando chover,
Eu me perder com a enxurrada,
Com a bituca, o lixo, o barro,
Ao qual tem horror teu sapato
Joga que teu desacato fará tão bem pra mim
Deixa o meu nome cair no chão
Deixa, é melhor do que em tua mão
Joga com a maior cara lavada
O meu nome na calçada
Só me faz esse favor
Lá vivo muito melhor
Mesmo que acabe encravando
feito tampa de garrafa
sendo pisado ou servindo de cama
para qualquer vagabundo
joga que não é seu mundo,
mas é tão bom pra mim.

Letra de: POR FAVOR, de Douglas Germano

4 comentários:

Douglas Germano disse...

Pô,Zéphir! Assim eu me emociono, pô.
Abraço de sempre.

Szegeri disse...

Passando aqui pra deixar aquele abraço versão 2009!

Douglas e Kiko são da pesadíssima. Entendem o Brasil, porque vivem o Brasil, não como peça de museu nem objeto de observação antropo(zoo)lógica. Têm raiz, tem vivência, têm o que dizer. Quanto ao som... OUÇAM!

Everaldo ÉfeSilva disse...

Fala, Szegeri! Abração 2009 pra você também. O trabalho dos caras é de encher a alma.

sabrina menedotti disse...

mermão
lindo blog
lindos meninos
duo moviola,
dez,mais.