quarta-feira, 25 de novembro de 2009

HOJE É DIA

Hoje é dia de uma roda “com pegada” no Alemão. Como se isso já não fosse motivo suficiente para a presença de quem gosta de música, aproveito a oportunidade para anunciar com alegria o aniversário de Júnior Pita, violonista da mais pura cepa, um dos componentes do pagode de hoje. Totalmente suspeito para tecer elogios aos 22 anos do rapaz , não só pela minha condição de tio e parceiro, como também pela condição de fã incondicional, resta-me este convite para os amigos comuns. Sugiro que, antes de procedermos ao exercício do serviço descrito abaixo, afrouxemos gravatas – sobretudo as imaginárias – na padaria ao lado, a partir das 18:30hs/19hs.... Numa cervejada prévia, comemorativa ao violão, ao talento e ao samba. Que se mantém, que se renova.

SERVIÇO
por: Roberta Cunha Valente

A partir do dia 18/11, o cantor Roberto Mahn inicia uma temporada no lendário Bar do Alemão (que já ostenta 41 anos de existência, e é freqüentado pelos boêmios mais clássicos da noite paulistana).
No repertório, samba, choro e seresta. Músicas de Ataulfo Alves, Noel Rosa, Ary Barroso, Herivelto Martins, Silvio Caldas, J. Cascata, Leonel Azevedo, Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, entre outros.
Roberto será acompanhado por João Camarero (violão de 7 cordas), Junior Pita (violão), Lucas Arantes (cavaquinho), Rafael Toledo (pandeiro), Alfredo Castro (percussão) e Agnaldo Luz (bandolim).
Vários convidados vão participar da roda. Na quarta (25/11) é a vez da cantora Adriana Moreira.

Bar do Alemão: Avenida Antártica, 554 - Água Branca. Horário: 21 h. Couvert Artístico: R$ 5. Informações e reservas pelo telefone: (11) 3879-0070.

Fonte: http://www.samba-choro.com.br/noticias/pordata/23141

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Belluzzo responde a J.Qui furo

Juca,

Lí em seu blog a análise sobre o jogo Gremio e Palmeiras.Registrei a conexão que vc estabeleceu entre a minha suspensão e o comportamentodos jogadores.Comportamento lamentável, danoso ao clube e ao futebol no jogo de ontem.Imagino, acompanhando a lógica que informa seu raciocínio, que tambem tenha sido responsável pelos sopapos que os jogadores do São Paulo trocaram entre sí no jogo de sábado ou talvez pela pancadaria no jogo Fluminense e Cerro Porteño.Eu me rebelei contra uma arbitragem visivelmente arranjada no âmbito das “conexões” que vc costuma denunciar.Estranhamente, a questão Simon desapareceu de cena, mesmo depois do citado arranjador de resultados ter mudado várias vezes as explicações sobre seu erro crasso.Jamais escondí que o time vem mal há tempos, isso muitos antes de meus protestos no episódio Simon.Me envergonho das promessas condenáveis de aplicar uns tapas no desonesto.Isso merece a condenação pública, geral e irrestrita.Mas o resto do “destempero” foi fruto da decepção em ver confirmadas as minhas expectativas, ainda que isso pareça paradoxal.A indignação,ainda que justa, causa incômodo “às pessoas de bem” do início do terceiro milênio.O que eu disse a respeito das práticas tanto nativas quanto européias – manipulaçâo de resultados e arranjos espúrios – são de conhecimento geral e decorrem em boa medida do caráter corruptor da “vitória a qualquer custo”, valor típico da sociedade contemporânea baseada na concorrência sem quartel e sem limites, circunstância que escapa ou não interessa aos diretores de consciência da mídia.E essa sanha “vitoriosa” não poupa ninguem, como o demonstra a manifestação do torcedores “bem intencionados” que advogam a entrega de jogos para não favorecer os rivais.Esse é o futebol realmente existente e isso, entre outras coisas, me causa ânsia de vômito.Não sou virtuoso nem melhor do que a maioria dos homens.Essas certezas sobre a fragilidade da bondade meu pai me legou, acompanhadas de um superego implacável em suas condenações.Posso garantir: não é por uma virtude inata -generalidade tola do moralismo vulgar – que me sentiria desintegrado e incapaz de juntar os cacos se tentasse comprar o juiz ou coisa parecida.A “boa imprensa” me traz à lembrança as palavras do Príncipe de Salina, personagem do Gattopardo de Lampedusa: “é preciso mudar para deixar tudo como está”.Discordo ,portanto, de seu ponto de vista sobre a origem dos desatinos dos jogadores.Considero sua suposição injusta e precipitada.Mas defenderei sempre, e sem restrições, o seu direito de me criticar.E, melhor, prometo não perturba-lo mais com minhas tediosas considerações.

Saudações,
Belluzzo

...E no entanto, ele se move...

Não que a arbitragem não tenha atrapalhado em vários jogos. Atrapalhou. Não tivesse a juizada errado viciadamente neste Brasileiro, o Palmeiras ainda seria líder com relativa folga, apesar desta recente sequência característica dos rebaixados. Não que o comportamento da mídia – salvo raras exceções – não seja digno dos maiores filhos das putas. Sim, em relação ao Palmeiras, a mídia é, sempre foi e será, uma grande canalha. Mas resta uma consideração puramente futebolística a fazer: o time(?) atual está testando de maneira cruel a auto-estima e o amor de quem torce verdadeiramente para o Palmeiras.
Ah....antes que eu me esqueça: “Ei, imprensa! Vai tomá no cu!”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DIAS de SANTOS e SILVAS (autor: Gonzaguinha)

O dia subiu sobre a cidade
Que acorda e se põe em movimento
Um despertador bem barulhento
Badala, bem dentro, em meu ouvido

Levanto, engulo o meu café
Corro e tomo a condução
Que, como sempre, vem cheia,
Anda, pára e me chateia

Está quente pra chuchu,
Meu calo dói,
A certeza já me rói,
Levo bronca do patrão

Mas sonhei
E fiz a fé no avestruz
Que vai me dar uma luz
Levo uma nota pra mão

A tarde transcorre calma e quente
Nas ruas, ao sol, fervilha gente
Batalham, como eu, o leite e o pão
Que o gato bebeu e o rato roeu

Aumenta tudo, aumenta o trem
Aumenta o aluguel e a carne também
É... mas, sei, vai melhorar
Pior do que tá não dá pra ficar

Ah, meu Deus,
Se o avestruz der na cabeça
Vou ganhar dinheiro à beça,
Faço minha redenção

E vou lá dentro,
No escritório do patrão
Peço aumento, ele não dá,
Mostro a grana e a demissão

A noite desceu sobre a cidade
Nas filas, calor, suor, cansaço
Meu corpo está que é só bagaço
E se está de pé, é de teimoso

Eu desejando minha cama
Furam a fila e alguém reclama:
Louvaram a mãe do rapaz
Que diz que faz e desfaz

E só falta uma briguinha
E eu ir para o xadrez
Pobre não tem mesmo vez
Não dá sorte ou dá azar

E o danado do avestruz
Também não deu
Minha mulher vai reclamar
O dinheiro que era seu

E o danado do avestruz
Também não deu
Minha mulher vai reclamar
O dinheiro que era seu

Que o gato comeu
O rato roeu
Alguém se lambeu

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O ENTERRADO VIVO


"É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência."


autor: CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

AQUI É PALMEIRAS, com a palavra L.G.M.Belluzzo


Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, presidente do PALMEIRAS, minutos após a partida contra o Fluminense, concedeu a entrevista abaixo ao repórter Thiago Salata, do leonor diário L!. Suas palavras são de lavar a alma dos apaixonados arquibaldos alviverdes, entre os quais me incluo. Num ambiente marcado pela hipocrisia e repleto de posturas pseudo-civilizadas, o contraponto de quem tem sangue nas veias; a razão cristalina de quem alia caráter e paixão. Parabéns, Belluzzo!!!! Aqui é PALMEIRAS!!!!!!!!!!

VOCÊ ESTAVA NO MARACANÃ?

Não, assisti a partida de São Paulo, pela TV. Minha mãe está com problemas de saúde e não viajei com o time para o Rio.

QUAL A SUA ANÁLISE DA ATUAÇÃO DO PALMEIRAS E DO ÁRBITRO?

O time não jogou bem, como o Fluminense também não. O jogo foi um ruim, com os dois jogando mal. Mas se pode jogar mal, como o Palmeiras e o São Paulo já jogaram e ganharam. O Simon determinou o resultado o jogo. O Simon assaltou o Palmeiras! Não tinha nenhum motivo para anular o gol. Foi má fé, foi roubo!

AS PALAVRAS SÃO FORTES…

Para variar, ele está na gaveta de alguém. Só dá para entender assim. Ele dar uma falta dessas! Ele deve estar fazendo favor a alguém. Não sei para que time, se quer tirar o time da Segunda Divisão. Ainda houve um pênalti vergonhoso no Danilo. O Sérgio Corrêa não devia ter escalado esse vigarista, que vai para a Copa do Mundo. O cara assaltou o Palmeiras, é inacreditável. Ninguém tem dúvida do lance, nem os jogadores do Fluminense. O Palmeiras não jogou bem, mas fez 1 a 0 e isso era importante. A gente poderia segurar o jogo depois, é inaceitável.

ENTÃO, VOCÊ ACHA QUE O SIMON ENTROU JÁ MAL INTENCIONADO?

Na minha opinião, ele fez um serviço para o Fluminense, porque se o Fluminense não ganha, ficaria complicado para eles. A tabela favoreceu o São Paulo. Isso me lembra muito o gol do Leivinha de 1971. Esse cara é sem vergonha.

VOCÊ CITOU O SÃO PAULO. ACHA QUE HÁ ALGUMA LIGAÇÃO NO ERRO COM O CONCORRENTE AO TÍTULO?

Não posso dizer isso. Digo que quem saiu favorecido foi o Fluminense e o São Paulo, objetivamente. Estou dizendo que o Simon é safado, um sem vergonha e crápula.

O PALMEIRAS FARÁ O QUE? VAI PROTESTAR NA CBF?

Adianta fazer protesto? A única coisa que se pode fazer é encher o cara de porrada depois de um assalto desse. O cara foi de má fé! Ele já devia ter sido excluído do futebol. Vamos lembrar todas as trapalhadas que esse árbitro já fez.

PRESIDENTE, SINCERAMENTE, NUNCA O VI TÃO ALTERADO…

Você nunca me viu assim, mas não dá! Não tem erro de interpretação no lance, o cara do Fluminense está atrás. Ele fez de caso pensado. Eu que o encontre na rua, porque não tenho medo de ninguém. Tenho 67 anos e, se encontrar o Simon na rua, eu dou um tapas nesse vagabundo.

VOU ESCREVER TUDO O QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO, PRESIDENTE… AS FALHAS DO SIMON NÃO PODEM TER SIDO APENAS TÉCNICAS NA PARTIDA?

Pode escrever tudo o que estou falando. Não é só ruindade técnica, é mal intencionado. Ele pode me processar! Até gostaria de encontrá-lo no tribunal. Não tenho medo de processo, pois mostro os jogos em que ele apitou. É um sem vergonha, isso é demais. Um cara desse me processar é uma honra.

ENTÃO VOCÊ VÊ ESQUEMAS NO CAMPEONATO? COMO SERÁ ATÉ O FIM? FALTAM QUATRO JOGOS…

Você está vendo o que está acontecendo nesse final. Só falta urubu voar de costas.

VOCÊ ACHA QUE ESSA PARTIDA PODE DAR UM BAQUE NO PALMEIRAS, QUE AINDA PODE SER CAMPEÃO NAS ÚLTIMAS RODADAS?

O time é feito de profissionais. Quem tem de falar são os cartolas. Eles têm de ficar quietos. Eles são profissionais, tem de ter cabeça fria. Eu fico de cabeça de quente. Eles têm de jogar.

PRESIDENTE, VOU REPETIR: TUDO O QUE FOI DITO SERÁ PUBLICADO…

Eu não devo nada a ninguém, então falo o que eu acho. Eu sempre fui muito ponderado, mas dessa vez não dá. Não dá mesmo. Foi um assalto, um roubo!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

(1897 e 1924) BESOURO MANGANGÁ, BESOURO CORDÃO-DE-OURO


A primeira vez que Paulo César Pinheiro ouviu falar de Manuel Henrique Pereira foi em MAR MORTO, romance de Jorge Amado. A partir de então, Besouro Cordão-de-Ouro – lendário capoeirista da Bahia – passou a figurar no universo poético e musical do talentoso e pródigo letrista brasileiro. Fascinado pelas histórias sobre esse combatedor da tirania e , “da liberdade, defensor”, o compositor escreveu a peça “Besouro Cordão-de-Ouro”. O trabalho, em cartaz por vários cantos do país desde 2007, tem direção de João das Neves e Luciana Rabello. Com um elenco composto por atores e atrizes dotados de qualidades muito difíceis de reunir , a ponto de indagarmos se são dançarinos, cantores, músicos, capoeiristas; a peça conta o Besouro após sua morte, a partir do relato das pessoas que com ele conviveram. Entremeada por músicas compostas pelo próprio Paulo C. Pinheiro, BESOURO CORDÃO-DE-OURO tem raro impacto emocional, entusiasmando até o mais arredio dos espectadores de teatro, como eu. ACIMA TRECHO DA PEÇA.


ABAIXO, trailler do filme de João Daniel Tikhomiroff, em breve nos cinemas. Com trilha de Nação Zumbi e música-tema de Gilberto Gil.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

"E não é que esse Lula aí dá sorte?!", "Eh...povinho!!"


À medida que se aproximam as eleições 2010, quase dispensa demonstração a rejeição aberta da mídia ao atual governo, bem como a qualquer sucessor apoiado por Lula. O escárnio, o desrespeito, a atribuição à sorte de eventuais méritos da atual gestão deixaram de freqüentar apenas os espaços dedicados às opiniões e editoriais para aparecer também nas próprias ‘notícias’. Indico AQUI excelente texto de Saul Leblon a respeito desse fenômeno que, apesar de ‘batido’, parece ter mudado de escala, mais ofensiva e reveladora dos interesses em jogo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

DIÁLOGOS DA PERPLEXIDADE, por Saul Leblon

Professor Venício de Lima (foto: Marcello Casal Jr/ABr)
Autor do texto: SAUL LEBLON
Fonte:
CARTA MAIOR

“A coragem do intelectual é argüir o seu tempo; sobretudo perguntar-se a si mesmo acerca de certezas e dúvidas e o fazer publicamente o que nem sempre é indolor do ponto de vista subjetivo e dificilmente impune nas conseqüências políticas e sociais. O pensamento crítico perturba as bases da sociedade panóptica – metáfora emprestada do pai do utilitarismo inglês, Jeremy Bentham [1748-1832], um versátil inventor de bizarrices mas também criador de neologismos que se revelariam caros à ortodoxia econômica, entre os quais maximizar, minimizar e fundamentos racionais.
Coerente, a síntese filosófica do utilitarismo benthamiano está condensada na engenharia de um projeto carcerário criado pelo pensador inglês. Nele, as celas são distribuídas em torno de uma torre central, o panóptico, facilitando a vigilância ininterrupata sem que os presos possam enxergar a sentinela no interior do obelisco. A ubiqüidade do carcereiro invisível daria ao francês Michel Foucault (1926-1984), autor de "Vigiar e Punir", a inspiração para entender a exasperação do controle social no século XX. O panóptico não assegura apenas a disciplina do sistema, ele o faz ao menor custo e com a máxima a eficiência: sua lógica consiste em aprisionar a subjetividade dos indivíduos tornando-os assim carcereiros de suas próprias vontades.
Bernardo Kucinski e Venício de Lima encontram-se entre os intelectuais que pioneiramente argüiram o poder panóptico da mídia no Brasil. Graças a eles o invasivo poder de introjetar agendas e interditar debates, recursos com os quais a mídia nativa lubrificou entre outras coisas a imposição da cosmologia neoliberal nos anos 80/90, ganhou a dimensões de um desafio à democracia. Não apenas por conta das conseqüências econômicas dessa colonização, mas também pelo efeito corrosivo de uma incansável determinação em desmoralizar tudo o que pudesse remeter a formas de viver e de produzir pautadas pelo interesse público e o bem comum.
Ao darem visibilidade ao vigilante ubíquo transformando-o de referência em referido histórico, intelectuais como Kucinski e Lima reduziram a mídia a um protagonista particular do conflito social. Portanto, um poder que deveria ser objeto de escrutínio, não uma instância dotada de legitimidade imanente e atemporal, como o vigilante da torre de Bentham.
Hoje essa agenda está consagrada. O questionamento ao poder panóptico avocado pela mídia é tema corrente em aulas da academia, tem menção garantida nas reflexões dos partidos de esquerda, arrola-se entre as bandeiras dos movimentos sociais. Os próprios governos se debruçam sobre ele como evidenciam as medidas de regulação discutidas e implementadas na Argentina e na Venezuela. No Brasil, uma Conferência Nacional sobre o tema está prevista para dezembro, convocada pela Secretaria Geral da Presidência da República.
A missão do intelectual, todavia, é o desassossego. Em “Diálogos da Perplexidade – reflexões críticas sobre a mídia", editora Perseu Abramo, Kucinski e Lima vão além do assalto à arquitetura benthamiana para indagar ao grande relógio da história, ‘que horas são?’ Ou seja, o que de fato mudou e quanto ainda pode mudar, com que velocidade o surgimento de novas tecnologias pode acelerar a subversão das ilusões criadas pela torre midiática? Até que ponto já se podem fazer algumas previsões sobre o jornalismo? - perguntam os dois intelectuais nessa obra em que expõem as perplexidades aflorados em cinco encontros realizados em 2008 em São Paulo, Campinas e Brasília. Como observa o prefácio do professor Muniz Sodré, perplexidade aqui remete não à paralisia, mas ao esforço do esclarecimento, portanto, esta é uma conversa na sala de espera da iluminação intelectual.
A importância descomunal da imprensa na luta social, tema que perpassa boa parte desses diálogos, não é um assunto estranho à reflexão política desde que Gramsci (1891-1936) o incorporou a sua obra. Na Itália, a fragilidade das estruturas partidárias, ao lado das dificuldades impostas por uma unificação feita de instituições ralas e abismos sociais e regionais profundos, os jornais assumiram funções de verdadeiros partidos, ensinou o pensador comunista.
As semelhanças meridionais com o subdesenvolvimento tropical não são negligenciáveis. Nos anos 90, Celso Furtado costumava explicar pacientemente aos jovens jornalistas – os poucos que ainda procuravam o grande economista brasileiro taxado de jurássico pela emergente agenda tucana— que o populismo ao contrário da "tara" demonizada pelas elites refletia o vácuo institucional de uma sociedade pouco sedimentada institucionalmente. O Estado e os líderes carismáticos compensavam o oco político falando direto às massas. E intervindo na economia para organizar a luta contra o subdesenvolvimento.
A colisão entre esse poder ‘populista’ e a torre panóptica organizadora dos interesses das elites gerou entre nós alguns capítulos pedagógicos. O suicídio de Vargas é um deles. O criador da Petrobras apertou o gatilho para não ceder à pressão insuportável do denuncismo lacerdista, que exigia sua renúncia em emissões sistemáticas através da rádio Globo, dirigida então pelo jovem udenista Roberto Marinho. Os comentários de Lacerda na Globo cumpriam o papel organizador da reação no Congresso, representada pela famosa Banda de Música da UDN.
É dispensável enfatizar semelhanças com a pauta e os métodos abraçados hoje pelos grandes veículos de mídia em sintonia com a oposição parlamentar ao governo Lula. O que Kucinski e Venício de Lima se perguntam nestes diálogos é a que distancia estamos do Rubicão, o que mais é preciso para atravessá-lo. Ou seja, até que ponto o advento de novas tecnologias e a disseminação da Internet, associados ao desgaste da mídia benthamiana, sedimentou um degrau de democratização capaz de abrir as portas de um novo espaço favorável à uma imprensa crítica e popular.
O desgaste talvez irreversível do padrão dominante ocupa uma parte das conversas. Kucinski chama atenção para o fenômeno dos jornais gratuitos que lideram as tiragens em todo o mundo. O contraste se dá com a anemia de uma indústria de comunicação convencional emparedada entre o noticiário online – que torna velho o jornal de amanhã - e a tentativa de superar esse revés pela editorialização. O recurso opinativo, avalia Kucinski, deu inegável sobrevida ao papel organizador da grande imprensa diante da algaravia de notícias e opiniões sobre tudo que se multiplicam exponencialmente na rede online. Mas a sobrevida editorializada acentuou ao mesmo tempo a percepção de um poder determinado a manipular a sociedade.
‘Manchetes adversativas’ – assim batizadas por Marilena Chauí - são um exemplo dessa tensão. ‘País melhora, mas não vence o analfabetismo’, estampou a Folha na primeira página no dia 19 de setembro. A frase adversativa tentava minar o impacto dos avanços sociais sob o governo Lula condensados na divulgação da PNAD 2008. Kucinski é impiedoso diante da inconsistência jornalística que a opção preferencial pela opinião trouxe aos diários. ‘Até a revista ‘Kalunga’, dessa rede de papelarias, tem trazido reportagens melhores que as da mídia convencional’, alfineta o professor da Escola de Comunicação da USP, onde acaba de ministrar um curso livre de comunicação pública.
Coube a Venício de Lima deduzir as bases e conseqüências estruturais desse crepúsculo. O professor da Universidade Nacional de Brasília vai ao cerne do embate político ao contestar o "cuore" conservador que rejeita qualquer tentativa de regulação dos serviços audiovisuais em nome da liberdade de imprensa. Primeiro, explica ele, liberdade de imprensa significa, na origem, direito de imprimir. Em segundo lugar – prossegue - a comunicação atual, monopolizada por gigantescos complexos industriais privados, está longe de materializar o ideal da informação que circula livremente. O que tal estrutura emite, no seu entender, é um recorte muito específico de interesses políticos e econômicos. Liberdade de imprensa [dessa imprensa ou dessas empresas] não pode ser tomada, portanto, como sinônimo de liberdade de expressão.
Um segundo ponto importante iluminado pelos dois intelectuais é que a velha liberdade de imprimir [‘liberdade de imprensa’] do século XIX se transmudou, revitalizada, no direito de postar livremente no espaço online do século XXI. O que falta então para o salto qualitativo de uma nova hegemonia? Por que ela não acontece?
A questão não é acadêmica. As perguntas e perplexidades sobre as quais Kucinski e Venício de Lima se debruçam fazem deste livro uma leitura obrigatória de partidos e organizações progressista. Sobretudo, duas questões cobram atenção urgente. A primeira, remete ao ônus da dispersão política, paradoxalmente vinculada, pelo menos por enquanto, à natureza democrática das novas tecnologias. A dispersão enfraquece um desdobramento inegociável da emissão política, advertem os dois professores: ‘ o mais importante não é poder falar, é ser ouvido’. As redes só compensam parcialmente a flacidez dessa sintonia. A ficha da ditadura sobre a então militante Dilma Rousseff foi adulterada pela Folha para incriminar a ministra num suposto plano de seqüestro de Delfim Netto. O desmascaramento do ardil se deu em boa parte na rede online, impondo um revés desmoralizante ao veículo que hoje é o alicerce publicitário da candidatura Serra.
Nada ofusca, porém, a inferioridade da rede face à supremacia dos grandes jornais na coagulação dos interesses elitistas, como se fossem os de toda sociedade. Aqui, de novo, voltamos a Gramsci. Ao iluminar obstáculos à construção de uma nova hegemonia histórica, os ‘Diálogos da Perplexidade’ nos levam à conclusão de que a amplitude política dessa longa travessia é irredutível a impulsos tecnológicos facilitadores do processo, mas insuficientes para concluí-lo. O espaço online, nunca é demais lembrar, serve aos dois senhores desse embate, ambigüidade não minimizada pelos autores do livro. ‘Hoje a cidade toda está sendo filmada; você é filmado em todos os lugares’ (...) ‘se na época da ditadura existissem [esses recursos], quanta gente mais não teria sido presa e torturada’, assinalam Kucinski e Venício de Lima para reafirmar que seu compromisso, acima de tudo, é com o questionamento do nosso tempo. E das nossas ilusões.

Não há panacéias. A imprensa continua a deter um papel coagulador da narrativa dominante, porém o faz de forma cada vez mais explicitamente editorializada. A radicalização do objeto acentua sua ruína. As trincas no panóptico escancaram os vigias e identificam os interesses zelados. Mas, sobretudo, o Brasil não é mais a sociedade gelatinosa do ciclo populista que facilitava a manipulação midiática. Há instrumentos novos e, mais que isso, protagonistas novos da história. O livro de Kucinski e Venício de Lima fotografa esse momento do pêndulo hesitante, mas não congelado.
Conseguir movê-lo na direção de uma nova referência social pode significar a diferença entre a vitória ou a derrota em 2010 para a candidatura progressista à sucessão de Lula. Para isso, porém, a perplexidade das organizações sociais na trincheira da mídia não pode resvalar para o imobilismo. O desassombro deste livro é um guia a seguir.”
SERVIÇO:
Dados Técnicos
Editora Fundação Perseu Abramo
Título: Diálogos da perplexidade - Reflexões críticas sobre a mídia
ISBN: 978-85-76430-70-4
Número de páginas: 127pp
Valor: R$ 20,00

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

SANTA EFIGÊNIA E SEUS PECADOS, por Thiago Mendonça


AMIGOS,


HOJE estréia o filme Santa Efigênia e seus pecados, documentário sobre a Boca do Lixo que realizei para a série bairros de São Paulo. O filme trata deste bairro, culturalmente e socialmente tão importante para a cidade, e que agora será derrubado, dando origem à um grande empreendimento imobiliário. Para quem estiver de bobeira estarei por lá esperando os amigos para a posterior cerveja.
Abraços,
Thiago

Santa Efig ênia e seus pecados
Centro cultural Vergueiro - dia 30/9 – quarta 18h15 / dia 4/10 – domingo 16h

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Palmeiras "AINDA" líder para DESESPERO da imprensinha



Edição livre dos pertinentes comentários publicados pelo torcedor MARCO no www.mondopalmeiras.net; a quem agradeço pela lucidez.

"Esse desespero ficou evidenciado logo no início do jogo quando a Globo, por meio do árbitro de Flamengo x Atlético MG daquele jogo do início da década de 80, afirmou com convicção que tinha existido penalidade em um lance os dois jogadores escorregaram. Aí, definiu-se o padrão da transmissão. Iriam buscar pêlo em ovo, durante o jogo todo. Não podemos esquecer que além da tradicional antipatia da imprensa com o Palmeiras, dois fatos novos surgiram nos últimos tempos. O primeiro fato foi o surgimento da “Mídia Palestrina” que proporcionou o despertar da consciência na torcida palmeirense.
O segundo fato novo foi o posicionamento da direção do Palmeiras ao apoiar a “Mídia Palestrina”. Todos sabemos que o corporativismo aliado a arrogância tradicional dos jornalistas ajudam ainda mais o sentimento histórico anti-Palmeiras.
Não admitem serem criticados e a torcida do palmeiras passou a ser uma pedra no sapato para todos eles.

Quanto às penalidades reclamadas.

1 – Nunca observei essa postura da imprensa nas situações nos lances polêmicos que prejudicaram ao Palmeiras. Esse é o ponto principal para se debater esse assunto.

2 – Observei comentários aqui de pessoas que nunca escreveram sobre a não marcação de penalidades para o palmeiras quando elas aconteceram, mas agora observo que se manifestam.

3 – A primeira penalidade reclamada mostrou como seria o padrão de análise na transmissão do jogo.

4 – Quem julga que é penalidade uma jogada onde os dois atletas escorregam e um toca o braço na perna do outro, no momento da queda, ou nunca jogou futebol ou está mal intencionado.

5 – Onde está o argumento de que não houve força suficiente para derrubar o atleta adversário? Futebol sempre foi esporte de contato, não é Vôlei.

6 – Foi colocada em prática a regra dezoito, que obriga a arbitragem interpretar sempre contra o Palmeiras. E que muitos palmeirenses também adotaram.

7 – Claro que o árbitro entrou pressionado em campo pela péssima arbitragem de Goiânia, onde ele tirou três pontos do Palmeiras. Quem criou essa situação foi ele mesmo. Ontem, em lances de interpretação onde qualquer decisão poderia ser tomada, preocupou em não prejudicar mais uma vez o time do Palmeiras.

8 – Onde ficaram os argumentos tradicionais dos jornalistas de que os lances foram difíceis e de interpretação e nesse caso cabe ao árbitro decidir.

9 – Ninguém falou ou escreveu que os jogadores do Cruzeiro e a torcida criaram um clima para favorável para forçar a marcação de penalidades. Até esbarrão dentro da área era reclamado como falta penal.

10 – Não deram destaque, mas também houve uma situação onde o Vagner Love foi agarrado pela camisa dentro da área. Caso existisse seriedade, honestidade e profissionalismo na transmissão, esse lance também deveria ser relatado pela imprensa. Por que não foi?

11 – A torcida do Palmeiras e a diretoria do Palmeiras vai cair nessa armação da imprensa? O campeonato ainda tem 13 rodadas, outros times estão muito interessados que o Palmeiras tenha seu caminho conturbado. Vamos ficar assistindo criarem um clima desfavorável em 2009, como o Grêmio fez em 2008? Quem sairia lucrando?

12 – E qual a opinião de certo jornalista palmeirense sobre os lances? A mesma de domingo?

13 – Para concluir e fazer os 13 pontos. Invertam todas as situações. Analisem cada lance. O que cada um diria e o que diria a imprensa? Lembrando sempre, houve esse tipo de revolta pelos 12 pontos ou mais já perdidos pelo Palmeiras em situações de “interpretação”? Houve polêmica semelhante quando o Miranda fez aquela penalidade no Diego Souza?"

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mídia brasileira: a competência da mentira ou a mentira da competência


Entregando-se à célebre tática nazista, pela qual a repetição sistemática da mentira, confere-lhe 'status' de verdade, os grandes veículos da mídia brasileira revelam seu posicionamento golpista em relação ao governo Lula, bem como o apoio aberto à perspectiva política e ideológica da elite financeira nacional, concentrada em São Paulo, e cujo núcleo partidário encastela-se no PSDB. Assistiu-se há poucos meses ao alarde em torno de alteração legal em demonstração contábil dos resultados da Petrobrás, sobre a qual se derramaram conclusões apressadas de corrupção e clamores inflamados por CPI. Agora vemos transformar-se em FATO incontestável uma acusação da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, à Dilma Rousseff, culpando a candidata do PT às eleições presidenciais de 2010 de um suposto pedido para (des)obstruir fiscalização tributária nos negócios da família Sarney. Houve até 'jornalista'(?!?!) da Globo concluindo, pelo 'jeito de falar' (?!?!?!) de Lina, que ela 'evidentemente' diz a verdade. É como se eu o acusasse, caríssimo leitor, de assassino, e você tivesse que me provar sua própria inocência; mais, enquanto não admitisse a culpa que não tem, seria chamado por todos de mentiroso. A propósito, o Judas de plantão, o patético José Sarney, foi devidamente alçado a símbolo dos males nacionais; é o mamão com açúcar dos sapientes comentários de almoços de firma, nos quais as classes médias regurgitam seus preconceitos, que vão da responsabilização dos pobres pela pobreza, do projeto político de separação do sul-sudeste do resto do Brasil, até ao repúdio aos negros, aos nordestinos, aos sem-terra, às cotas, aos movimentos sociais. E dá-lhe boca cheia pregando bombardeios em favelas para "resolver o problema da segurança, porque esse país, com esse povinho, como dizem os comensais, não tem mais jeito". Pois bem, é nesse caldo de cultura e com esse nível de isenção que a mídia se arvora à expressão mais cristalina da opinião pública. Pedindo desavergonhadamente que fazendeiros invadam o gabinete de Lula, como fez o Editorial golpista do Grupo Bandeirantes. Reportando fatos que não ocorreram, como fez recentemente a Folha de S. Paulo, ao acusar Dilma (só dá ela – por que será?) em capa de domingo, de ter participado no planejamento de uma operação guerrilheira, cujo objetivo seria o seqüestro do então ministro Delfim Neto. Enxergando nesta nota do IPEA (quanta imaginação!!!!) dissensões dentro do governo na questão da Receita Federal: o IPEA estaria apoiando Lina Vieira; vs Mantega, ao lado de Dilma (olha ela aqui de novo). É a mídia portando-se como corpo e mente de um grupo hegemônico. Ela parece não se lembrar do passado, batendo sem dó em figuras que já a serviram, mas não se esquece de seu berço: o dinheiro. Nem do seu terço: uma cantilena pseudo-democrática, que atende aos anseios deslumbrados de 20 mil famílias, justamente as que são credoras de 70% da dívida pública interna e vêem intactos seus ganhos conquistados, oh!, com tanto suor. Graças à gestão “eminentemente técnica” do presidente do Banco Central. Isso é que é competência!

Nota: agradeço ao trabalho de Paulo Henrique Amorim, sem o qual não haveria eventuais méritos neste meu texto.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

E DÁ-LHE, PALESTRAAAAA!!!!!!!!!!!!

foto 'chupinhada' do excelente blog CRUZ DE SAVÓIA

parei, mas....

talvez ainda volte a repetir a dose
caso eu, de vez, me entregue à cirrose

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

de quem chorou de saudade da Nenê

Ainda que triste pela eliminação do nosso samba-enredo assim logo de cara, tenho a certeza do dever cumprido e orgulho do CORRENTEZA. Fruto de amor, expressão de labor pela querida Nenê de Vila Matilde. Valeu, Douglão! Valeu, Junião! E muito obrigado à NENÊ!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A REPÚBLICA DOS ALCAGUETES - texto de Bruno Ribeiro


"Se você não fuma, ótimo. Entendo perfeitamente que sinta pena de mim por eu estar me matando aos poucos. Está no seu direito pensar que sou um fraco ou que não tenho caráter por gostar de cigarros. Entendo o seu ponto de vista. O que não entendo é uma pessoa tão inteligente como você compactuar com uma lei fascista criada pelo governo do Estado de São Paulo para segregar um grupo específico de pessoas.
A lei antifumo do senhor José Serra começa a ser aplicada nesta sexta-feira. Todos sabemos que ela contraria a lei federal - que permite a existência de fumódromos em bares e restaurantes. Mas, além desse claro atentado à liberdade individual, a lei tem vários pontos discutíveis. Um deles é a instalação do clima de denuncismo que havia desaparecido do País junto com a ditadura militar.
A partir de hoje, clientes poderão denunciar os donos dos estabelecimentos e os fumantes que desrespeitarem a proibição. Basta uma foto tirada de celular e pronto: está ressuscitada a figura abominável do delator. Teremos, novamente, que conviver com o fantasma do "dedo-duro" em ambientes que sempre primaram pela socialização, pela liberdade e pelo despojamento. O PSDB quer transformar São Paulo na República dos Alcaguetes.

Incapaz de recrutar e remunerar fiscais em quantidade suficiente para a observação da lei, o Estado pretende delegar ao cidadão comum a função de vigiar a vida dos outros. A abjeta medida poderá criar milhões de policiais à paisana e ninguém parece notar este absurdo. Um botequim poderá, por exemplo, ter as portas fechadas com três denúncias de descumprimento da lei antifumo. Mesmo que sejam denúncias forjadas por algum desafeto.
O constrangimento social dos tabagistas é imoral, já que o cigarro é uma substância legal e seu usuário não pode ser submetido a tratamentos discriminatórios. Há muitos anos que ninguém mais se atreve a fumar em hospitais, agências bancárias, repartições públicas, supermercados, aviões, elevadores etc. Para chegarmos a essa realidade, houve uma ação civilizatória, justa e irreversível, que colocou os fumantes em seus devidos lugares.

Por que então este comportamento autoritário do governo paulista? A conversa de que o Estado gasta os tubos com o tratamento de doenças provocadas pelo fumo é pura falácia. Bastaria que todo o dinheiro arrecadado com os impostos provenientes da venda de cigarros fosse aplicado corretamente e teríamos um atendimento médico de primeiro mundo. Esta é mais uma medida demagógica de José Serra na tentativa de ganhar o voto dos não-fumantes nas eleições presidenciais do ano que vem.
Nas propagandas que o governo tem veiculado na mídia, o médico Drauzio Varella responsabiliza os fumantes por poluir o ar de todo o Estado. Por que o doutor não revela as causas concretas do avanço de problemas respiratórios na população de São Paulo? Muitos dos que se dizem preocupados com o ar que respiram são os mesmos que não concebem a ideia de ir para o trabalho de bicicleta ou metrô. Tiram o carro da garagem para ir à padaria da esquina.

Somente na Capital, cerca de 800 carros novos são colocados diariamente nas ruas. São milhões de veículos emitindo monóxido de carbono e outros gases cancerígenos na atmosfera. Convido as pessoas que estão a favor da lei antifumo para iniciarmos juntos a campanha anticarro afim de proibir a circulação de automóveis. Afinal, não queremos todos o bem estar da maioria e a saúde coletiva?

Se você acha que a melhor saída é mesmo denunciar os fumantes ao poder público e multar os estabelecimentos, concorda com a ideia de que algumas liberdades podem ser suprimidas em nome de outras. É aí que mora o perigo. Pensando assim, você me autoriza a encontrar novas (ou antigas) formas de proibir certos atos de liberdade caros a você. Esqueça o meu cigarro. Pense no seu carro. E então, como ficamos?"

Bruno Ribeiro é compositor e jornalista (fonte do texto: O BOTEQUIM DO BRUNO)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"...segura a demanda que a NENÊ já vai passar..."

G.R.C.E.S. NENÊ DE VILA MATILDE - Carnaval 2010
“Água Nossa de Cada Dia! A Pureza da Águia é a Essência de Nossas Vidas”

CORRENTEZA*
(Autores: Douglas Germano / Everaldo ÉfeSilva / Junior Pita)
AQUI o ÁUDIO do SAMBA

A minha Vila é correnteza
Beleza que não cessa
E vem desaguar seu carnaval
Em samba, em força, é água!

Da Terra, o sangue, a essência
Nascente, seiva, sumo da existência
Do chão pro ar, no frio polar
Céu fechou, vem temporal
Chuva forte, tão vital
Alimento natural
Renovando essa grandeza
Toda fauna, toda flora em esplendor
É saúde, corpo são pro meu amor
Esse banho que refaz a esperança
E a Vila avança

Mas o homem sempre cede
A sua sede de ambição
Consome e descarta
Polui e maltrata
Destrói o futuro
Cadê a razão?
O desperdício desse bem,
A vida matará
Calor, degelo e quem
Do mar se salvará?
Mas a Nenê, imortal guardiã
Desfila pro mundo ter um amanhã

TRAGO AS ÁGUAS DE OXALÁ
PRA LAVAR O MAL,
ODOYÁ, O DOCE IEMANJÁ
OXUM, ORAIE-IÊ O
VERTEU A LÁGRIMA
DE QUEM CHOROU DE SAUDADE DA NENÊ


Ainda com o coração acelerado pela emoção que foi a apresentação de ontem, agradeço por tudo que me permitiu estar no palco ajudando a defender o CORRENTEZA, especialmente aos meus parceiros, irmãos de toda a vida: Júnior Pita e Douglas Germano. A propósito, veja AQUI o texto do Douglão sobre o samba.

* Concorrente no concurso de samba-enredo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

João José Pita Júnior, violonista

E não deixe de visitar: : www.myspace.com/juniorpita

Bate-papo com Kiko e Cuca

Aqui no UNTUNED , uma conversa musical com dois dos melhores compositores da música brasileira na atualidade: Kiko Dinucci e Douglas Germano.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

SÁBADO À NOITE

de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro

quinta-feira, 4 de junho de 2009

CHUPA ESSA MANGA, 'CHEROSA'!!!!!



Lançam a idéia de que ele quer a reeleição (pois é amigo de Chávez. Ih????), de que vai mexer na poupança “como fez o Collor”, de que ele sempre se “confunde”, de que ele “ não sabe”, de que está cercado por “incompetentes” e de gente “pouco qualificada”. É aquela ladainha de sempre nos impressos, televisivos e radiofônicos da manhã paulistana. E os arautos do pós-pós, instalados nas Higienópolis das metrópoles, com seus narizinhos empinados, e sapiência pródiga de estrangeirismos e jargões sem sentido, estrebucham quando seus porta-vozes, a contragosto, revelam: “sobe ainda mais a aprovação do governo Lula”.

CARNAVAL 2010


quarta-feira, 27 de maio de 2009

TIRANDO O POVÃO DA BANCADA PRADO

Ele diz que é Ponte Preta, mas torce mesmo é para o time do Jd. Leonor. Demonstra descaso pela informação isenta, usando e abusando de cinismo e sarcasmo ao inventar notícias. Cito, como exemplo, seus comentários maldosos sobre uma delegação que teria viajado à altitude feito ‘pau-de-arara’. Mas negar publicamente o time do coração, repetir mentiras tal qual mantras, reproduzir ‘ipsis literis’ as versões das autoridades policiais como expressões da realidade, são comportamentos que não destoam da média de nossa ‘mídia’, nem são tão graves quando comparados aos impropérios que o ilustre dirige aos torcedores de arquibancada. Diz que o ingresso do futebol, no Brasil, é barato demais. Como se R$ 30,00, o preço-piso para assistir a um jogo no estádio, não pesasse significativamente na renda da maioria apaixonada por futebol. Diz que quem freqüenta as arquibancadas é, certamente, irresponsável e, muito provavelmente, “marginal”. Fala com a coragem de um filhinho de papai, protegido por seguranças de condomínio, que todos os integrantes das torcidas organizadas são “bandidos”. Diz, como vários outros colegas seus, que a montagem e a manutenção de bons elencos no futebol brasileiro passam, necessariamente, pelo aumento do preço dos ingressos. Isto é, nega alternativas à elitização – porque é disso que se trata, quando se arrotam arenas, lugares numerados e áreas vips entre perdigotos de uísque com procedência duvidosa. Diz que, dos ingressos mais caros, viria um público mais ‘qualificado’, pois, preconceituoso, parte do pressuposto de que quem ganha mais é ‘mais educado’, ‘culto’ e ‘civilizado’. Subentende, convicto, que ‘geraldinos’ e ‘arquibaldos’ são mal educados, incultos e bárbaros. Diz, subliminarmente e com a simpatia efusiva ou mesmo o ‘silêncio sorridente’ de seus irmãos de classe, que o lugar do povão é fora do estádio. Ao fim e ao cabo, traveste de ‘modernidade’ algo que é muito antigo e atrasado: o futebol como esporte das elites. A forma mudou, mas a essência dos discursos reacionários propalados por nossos endinheirados homens de ben$$ é sempre a mesma: afastar os de baixo do jogo da bola do mundo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

XIRÚ É O CARA

" VIDEOTECA MILITANTE
Fonte: CARTA CAPITAL
por: Phydia de Athayde

Orfão de pai, filho de faxineira, o mais velho de quatro irmãos, nascido no periférico Jardim São Jorge, aluno de escola pública. Negro.

Gerente Uniclass, proprietário de um Citroën C-3, frequentador assíduo do Espaço Unibanco de Cinema, empreendedor social. Negro.

Para contrariar ao menos meia dúzia de estatísticas e passar do primeiro para o segundo parágrafo, o paulistano Ricardo Rodrigues, de 32 anos, ralou. Foi bom aluno, ouviu o conselho da mãe e preferiu estudar a ficar “na noite com amigos”, pagou uma faculdade particular de administração com o salário de motoboy que revendia os tickets-alimentação, e começou a trabalhar em banco como estagiário de televendas do Sudameris. Um ano depois, era o melhor vendedor do Brasil. Foi efetivado, passou seis anos no Banco Real e está há seis meses no Unibanco, onde é gerente Uniclass, ou seja, atende os clientes top, privilegiados.

Ah, sim, Xirú (apelido de infância) também é volante no time de várzea Jardim Arpoador. Todos os domingos, religiosamente, comparece ao campinho para defender a quebrada com os camaradas. Não que seja ruim de bola, mas é pelo que faz aos sábados, também religiosamente, que ele está se tornando uma referência no bairro.

“Eu chego aqui para perguntar pra ele: o que você vai me dar?”, diz Leandro Novaes, de 27 anos, estudante de contabilidade. Ele é um dos cerca de 70 cadastrados na videoteca Olhar Marginal, que ocupa as tardes de sábado de Xirú há quase um ano. A ideia de oferecer “informação e cultura na periferia”, como diz o cartaz do lado de fora de um salão de cabeleireiro comunitário, onde funciona atualmente, nasceu da vontade de compartilhar seu acervo de DVDs. “O que vem pra nós na televisão é a sobra, o BBB, o resto. Então o bom está aqui, um filme cubano, um filme sobre a América Latina”, aponta, orgulhoso, para as quatro gôndolas repletas de DVDs (são quase 200 títulos).

“Aqui vejo coisas que não passam na tevê”, acrescenta Leandro. Ele e outros 25 frequentadores participaram de uma ida ao Espaço Unibanco para assistir ao épico Che, de Steven Soderbergh, como parte das comemorações do primeiro aniversário da videoteca. O passeio lotou uma Kombi e foi registrado para o que deve se transformar em um documentário, a figurar nas prateleiras em breve.

O mentor da videoteca não cobra pelo empréstimo das fitas, cujo prazo de devolução é de largos sete dias, até o sábado seguinte. O empreendimento nada tem a ver com “lucro”, “ganhos” ou “rendimentos” – palavras que ele, o engravatado Ricardo Rodrigues, profere de segunda a sexta-feira para clientes com carteiras de investimento de até 500 mil reais. “Durante a semana eu trabalho para o capitalismo e, no sábado, faço o socialismo”, brinca Xirú, de camiseta, calça jeans e tênis.

Mas não se trata apenas de um leva-e-traz de filmes. Ele recomenda uma filmografia personalizada para cada cliente. Algo como um personal cinéfilo de esquerda. “Sou um socialista, em uma palavra: inconformado.” Em troca, quem chega com um DVD traz sempre uma opinião, uma crítica, um comentário. “Da hora. Dei muita risada com esse filme”, diz o estudante de nutrição Tiago Bueno, de 23 anos, sobre Estômago, de Marcos Jorge. Mal entrega a caixinha preta, sem capa ilustrada (xerocadas, elas permanecem nas estantes), e pega outro, Favela Rising, de Jeff Zimbalist e Matt Mochary. Tiago é o cliente mais assíduo da videoteca. Sua ficha tem três páginas e 56 filmes registrados.

É meio da tarde do sábado e o movimento é intenso. Sobre uma mesinha, um televisor exibe trechos do programa Ensaio com o sambista Roberto Ribeiro. Antes, passou um DVD do Quinteto em Branco e Preto. Depois, o documentário sobre Paulinho da Viola, Meu Tempo É Hoje. No outro canto, uma caixinha de madeira guarda as fichas cadastrais e, ao lado, uma enorme pasta com zíper abriga dezenas de DVDs. Xirú é o único que entende tudo nessa bagunça.

Bem ao lado, praticamente no mesmo ambiente, funciona o salão de cabeleireiro do Projeto Negro Alli. Também está bombando. A mão custa 7 reais, o pé, 10, e a escova, 18. O cheiro de laquê e do vapor dos secadores de cabelo às vezes invade a videoteca, mas ninguém se importa.

A economista Maria Elena Caramigo, de 33 anos, é fã dali. O primeiro filme que levou foi Encontro com Milton Santos, de Sílvio Tendler. “Vir aqui mudou completamente minha forma de pensar a América Latina. E olhe que eu sou até privilegiada, estudei na Faap, li, mas só tinha acesso ao enlatado”, admite, com o filho Eduardo no colo. Da última vez, levou Quanto Vale ou É por Quilo?, de Sérgio Bianchi. Agora, quer algo sobre a Venezuela. “É difícil eu falar de revolução para os diretores do banco, que pensam em lucro. Mas, com os colegas de trabalho, estou fazendo o maior sucesso”, diz a funcionária do BicBanco.

A um novo frequentador Xirú começa de mansinho. “Primeiro eu indico o Ali (biografia do boxeador, com Will Smith), que é meio pipoca, mas, na história ele conhece o Malcolm X, então pode ver esse aqui, X (biografia do líder negro, com Denzel Washington), e quem sabe depois esse aqui”, diz e aponta para o documentário Panteras Negras. Nessa demonstração do personal cinéfilo alternativo, Xirú passou por dois dos três títulos mais procurados da videoteca: Panteras Negras e X. O outro é o documentário Ernesto Che Guevara.

Com uma cerimônia incomum nos centros ricos da cidade, mãe e filha chegam e passam os olhos pelas estantes. Após dez minutos, cada uma pegou uma fita. Maria das Graças Bezerra da Silva, a mãe, Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos. Ela tem 50 anos, nasceu em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata pernambucana, e “aos 7 ou 8 anos” baixou para São Paulo. “Li esse livro no ginásio, lembro que eram retirantes, e me lembro muito da cachorrinha, magrinha”, diz Maria, antes de silenciar em memórias. Então segue: “Digo para muita gente vir aqui, que é legal, que não precisa pagar. O neto da dona Maria (Xirú) fala que faz isso para dar informação para as pessoas”.

“É porque as pessoas assistem muita televisão”, completa Aryane, de 12 anos. Ela escolheu Kill Bill, de Quentin Tarantino, “gosto de filme de espiãs”, e diz que a família abandonou a locadora do bairro depois de conhecer a videoteca. O motivo é matemático: “Lá fazem promoção de cinco filmes por 10 reais, em dois dias. Não sei se é bom para eles ou para nós”.

Xirú mal contém a satisfação ao ver Vidas Secas fazer sucesso. “É nossa história, é nossa gente.” Por outro lado, sofre com aqueles que não gostam (talvez não consigam) ver filmes legendados. O saldo, porém, é positivo. Ele mesmo explica onde está o retorno: “Aqui tenho filmes de vencidos e não de vencedores. As pessoas se sentem mais fortes ao conhecer a história de quem lutou por um mundo diferente desse. Conhecem Malcolm X e voltam mais fortes, com mais autoestima”."

quinta-feira, 14 de maio de 2009

DIVINO na NENÊ DE VILA MATILDE

Conforme noticiado por Flávio Augusto Júnior (do blog RITMISTA BRASILEIRO), e confirmado nesta madrugada pelo compositor Douglas Germano (do blog PARTIDO ALTO), o MESTRE DIVINO (abaixo, dirigindo os meninos da União Imperial) está de volta ao comando da BATERIA de BAMBA da NENÊ DE VILA MATILDE. Uma alegria para quem gosta do samba na avenida com o ‘molho’ e a cadência que colocaram a azul e branco da Zona Leste entre as melhores baterias do Brasil. Vamu, NENÊEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"NACIONAL POR SUBTRAÇÃO"

"(....)Ao nacionalista a padronização e a marca americana que acompanham os veículos de comunicação de massa apareciam como efeitos negativos da presença estrangeira. É claro que à geração seguinte, para quem o novo clima era natural, o nacionalismo é que teria de parecer esteticamente arcaico e provinciano. Pela primeira vez, que eu saiba, entra em circulação o sentimento de que a defesa das singularidades nacionais contra a uniformização imperialista é um tópico vazio. Sobre fundo de indústria cultural, o mal-estar na cultura brasileira desaparece, ao menos para quem queira se iludir.

Também nos anos 60 o nacionalismo havia sido objeto da crítica de grupos que se estimavam mais avançados que ele política e esteticamente. O raciocínio de então vem sendo retomado em nossos dias, mas agora sem luta de classes nem antimperialismo, e no âmbito internacionalíssimo da comunicação de massas. Nesta atmosfera "global", de mitologia unificada e planetária, o combate por uma cultura "genuína" faz papel de velharia. Fica patente o seu caráter ilusório, além de provinciano e complementar de formas arcaicas de opressão. O argumento é inatacável, mas não custa assinalar que, dado o novo contexto, a ênfase na dimensão internacional da cultura vem funcionando como pura e simples legitimação da mídia. Assim como os nacionalistas atacavam o imperialismo e eram lacônicos quanto à opressão burguesa, os antinacionalistas de agora assinalam a dimensão autoritária e atrasada de seu adversário, com carradas de razão, o que no entanto faria crer que o reinado da comunicação de massa seja libertário ou aceitável do ponto de vista estético. Uma posição crítica e moderna, em aparência, conformista no fundo. Outra inversão imaginária de papéis: embora se estejam encarreirando no processo ideológico triunfante de nosso tempo, os "globalistas" raciocinam como acossados, ou como se fizessem parte da vanguarda heróica, estética ou libertária, de início do século. Alinham-se com o poder como quem faz uma revolução. Na mesma linha paradoxal, observe-se ainda que imposição ideológica externa e expropriação cultural do povo são realidades que não deixam de existir porque há mistificação na fórmula dos nacionalistas a respeito. Estes mal ou bem estiveram ligados a conflitos efetivos e lhes deram alguma espécie de visibilidade. Ao passo que os modernistas da mídia, mesmo tendo razão em suas críticas, fazem supor um mundo universalista que, este sim, não existe. Trata-se enfim de escolher entre o equívoco antigo e o novo, nos dois em nome do progresso. O espetáculo que a Avenida Paulista oferece ao contemplativo pode servir de comparação: a feiúra repulsiva das mansões em que se pavoneava o capital da fase passada parece perversamente tolerável ao pé dos arranha-céus da fase atual, por uma questão de escala, e devido também à poesia que emana de qualquer poder quando ele é passado para trás.

(...)A voga dos manifestos oswaldianos a partir da década de 1960, e sobretudo nos anos 70, ocorre em contexto muito diverso do primitivo. O pano de fundo agora é dado pela ditadura militar, ávida de progresso técnico, aliada ao grande capital, nacional e internacional, e menos repressiva que o esperado em matéria de costumes. No outro campo, a tentativa de passar à guerra revolucionária para derrubar o capitalismo também alterava as acepções do que fosse "radical". Em suma, nada a ver com a estreiteza provinciana dos anos 20, por oposição à qual a rebelião antropofágica fazia figura libertária e esclarecida em alto grau. Nas novas circunstâncias o otimismo técnico tem pernas curtas, ao passo que a irreverencia cultural e o deboche próprios à devoração oswaldiana adquirem conotação exasperada, próxima da ação direta, sem prejuízo do resultado artístico muitas vezes bom. Em detrimento da limpidez construtiva e do lance agudo, tão peculiares ao espírito praticado por Oswald, sobe a cotação dos procedimentos primários e avacalhantes, que ele também cultivava. A deglutição sem culpa pode exemplificar uma evolução desta espécie. O que era liberdade em face do catolicismo, da burguesia e do deslumbramento diante da Europa é hoje, (...), um álibi desajeitado e rombudo para lidar acriticamente com as ambigüidades da cultura de massa, que pedem lucidez. Como não notar que o sujeito da Antropofagia — semelhante, neste ponto, ao nacionalismo — é o brasileiro em geral, sem especificação de classe? Ou que a analogia como processo digestivo nada esclarece da política e estética do processo cultural contemporâneo?

Em síntese, desde o século passado existe entre as pessoas educadas do Brasil—o que é uma categoria social, mais do que um elogio — o sentimento de viverem entre instituições e idéias que são copiadas do estrangeiro e não refletem a realidade local. Contudo, não basta renunciar ao empréstimo para pensar e viver de modo mais autêntico. Aliás, esta renúncia não é pensável. Por outro lado, a destruição filosófica da noção de cópia tampouco faz desaparecer o problema. Idem para a inocência programática com que o antropófago ignora o constrangimento, o qual teima em reaparecer. "Tupi or not Tupi, that is the question", na famosa fórmula de Oswald, cujo teor de contradição — a busca da identidade nacional passando pela língua inglesa, por uma citação clássica e um trocadilho — diz muito sobre o impasse (...)"
trecho do texto de ROBERTO SCHWARZ , "NACIONAL POR SUBTRAÇÃO". Leia o texto na íntegra em: http://dc100.4shared.com/download/61743501/ba1e4bad/Roberto_Schwarz_-_Nacional_por_subtrao.pdf?tsid=20090403-072542-803dc734

quarta-feira, 25 de março de 2009

SERVIÇO DE ELITE


(...)A rejeição ao nacional entre as elites cosmopolitas é a mais profunda desde o início do processo de industrialização. Atingiu, de forma devastadora, os sentimentos de pertinência à mesma comunidade de destino, suscitando processos subjetivos de diferenciação e desidentificação em relação aos ‘outros’, ou seja, à massa de pobres e miseráveis que ‘infesta’ o país. E essa desidentificação vem assumindo cada vez mais as feições de um individualismo agressivo e anti-republicano. Uma espécie de caricatura do americanismo.

A rejeição também foi mais ampla porque essas formas de consciência social contaminaram vastas camadas das classes médias: desde os ‘novos’ proprietários, passando pelos quadros técnicos intermediários até chegar aos executivos assalariados e à nova intelectualidade formada em universidades estrangeiras ou mesmo em escolas locais que se esmeram em reproduzir os valores e hábitos estrangeiros. Isso para não falar do papel avassalador da mídia, nacional e estrangeira.

É ocioso dizer que tais expectativas e anseios não são um desvio psicológico, mas deitam raízes profundas na desigualdade que há séculos assola o país. Produtos da desigualdade secular e daquela acrescentada no período do desenvolvimentismo, as classes cosmopolitas têm sido, ao mesmo tempo, decisivas para a reprodução do apartheid social e impiedosas na crítica do desenvolvimento nacional, a partir de um primeiro-mundismo abstrato e, não raro, vulgar.

Examinado à luz de um projeto nacional capaz de integrar os mais pobres, o cosmopolitismo das classes endinheiradas e remediadas revela o seu caráter parasitário e anti-republicano. Parasitário, sim, porque – amparado na internacionalização e na financeirização da riqueza e da renda dos estratos superiores, na diferenciação do consumo dos segmentos médios – suscita a modernização restrita da economia, com seu séquito de destruição de empregos e exclusão social.

A dimensão individualista e anti-republicana dessas formas de consciência, no entanto, vem produzindo a destruição do Estado, até mesmo de sua função essencial de garantir a segurança dos cidadãos. Isso para não falar no bloqueio sistemático – imposto pela fuga descarada das obrigações fiscais – da universalização das políticas de saúde, educação e previdência que, aliás, definem a ‘modernidade’ nos países realmente civilizados.

Há uma busca desesperada de refúgio no privatismo: escolas privadas, medicina privada e previdência privada. Não é à toa que os mais afoitos não mais conseguem distinguir o que é público do que é privado. Isso acentua a repulsa pelas contribuições para o fundo público por parte dos endinheirados ou daqueles que, por ora, apenas se candidatam a essa condição de superioridade econômica e social. Não se sabe quantos conseguirão dobrar o Cabo da Boa Esperança, mas pelo andar da carruagem é possível estimar que seu número não será significativo.

São quase vintes anos de baixo crescimento econômico, de evolução lenta ou mesmo estagnação dos rendimentos das camadas mais pobres e de bloqueio dos canais que permitiam ou prometiam a ascensão social.Tais tendências, já observadas na década de 1980, foram acentuadas pelas políticas propostas por Collor e depois empreendidas pelo professor Cardoso, a conselho das classes proprietárias locais e de seus aliados estrangeiros. Há quem se irrite com a menção do Consenso de Washington como origem e destino das políticas liberais na América Latina. A irritação é sintoma da miopia interessada. Basta olhar em volta e observar que as novas estratégias de ‘integração’ à economia mundial e de ‘modernização’ das relações entre Estado e mercado foram iguais em todos os países e produziram os mesmos resultados sociais desastrosos.

Cardoso manifestou preocupação com a situação de insegurança que atormenta os moradores das grandes e médias cidades brasileiras. O presidente bem poderia ver o documentário de João Moreira Salles, História de uma guerra particular. Ali são reveladas, de uma maneira brilhante e dramática, as raízes da criminalidade urbana. Não se trata exatamente da pobreza, mas da marginalização dos pobres e do bloqueio às oportunidades numa sociedade que propõe como valor maior o consumo ilimitado e a afluência.


O presidente sociólogo costuma brandir os dados do IBGE sobre a redução do número de miseráveis. É a ilusão do empirismo. Os dados não mostram as mudanças radicais nas relações econômicas e sociais ocorridas na periferia e nas favelas das grandes cidades. A atividade ilícita e o crime tornaram-se formas de sobrevivência e de busca de dignidade por parte de milhares de jovens abandonados pela sociedade e pela política oficiais.”


AUTOR: LUIZ GONZAGA DE MELLO BELLUZZO

Trecho do prefácio dedicado ao livro “DESENVOLVIMENTO EM CRISE – a economia brasileira no último quarto do século XX”, de Ricardo Carneiro

terça-feira, 17 de março de 2009

Você não passa de uma grande canalha


Enfiem as conjunções adversativas no #$@$%$#@, seus filhos da #@$%$#@$#!!!!!!!! Esse foi um dos meus já costumeiros gritos dirigidos à imprensinha, após a goleada do Palmeiras no último sábado. Tal como em todos os finais de jogos do alviverde em casa, saio da arquibancada, próxima ao elitista setor Visa, e desfilo uma série de merecidos adjetivos à mídia que, VIA DE REGRA, distorce fatos e versões sempre em detrimento do Palmeiras, mesmo quando este vence. Se o Verdão está bem, é ‘esquema Parmalat’, é o ‘fraco adversário’, é ‘a interferência da arbitragem’, paulistão vira ‘paulistinha’, a vitória veio no 'desespero', ou no 'sofrimento'. E dá-lhe 'mas', 'porém', 'entretanto'. Se está mal, virou ‘Portuguesa’, é ‘clube decadente’, é a 'crise', é o ‘fim’. A expressão “JORNALISMO CANALHA” , de José Arbex, soa exata para essa gente que tem a vista e o verbo embotados pela ignorância – hipótese menos grave – ou pelas oferendas que gigolôs e putas chamam de ‘marketing’ , 'competência', ‘modernidade’ – hipótese mais provável, mas de difícil comprovação. Acima, extraído do excelente blog de Conrado Cacace, um exemplo crasso, dentre vários outros, do que chamamos de ‘imprensinha gambambi’.

sexta-feira, 13 de março de 2009

DAMAS BAMBAS


Por: Roberto Saglietti Mahn

Em comemoração ao mês da mulher, o SESC Vila Mariana apresenta neste final de semana o show "Damas Bambas", reunindo as excelentes cantoras Adriana Moreira, Fabiana Cozza, Gisa Nogueira (foto, em 1978) e a ilustre Dona Ivone Lara.

A proposta do espetáculo é trazer no repertório músicas que tratam da visão feminina dentro do samba. A seleção musical inclui sambas que foram gravados por grandes cantoras, tais como "Pranto Livre" (Everaldo da Viola e Ida), gravado por Elza Soares na década de 70; "Valhe-me Deus" (Baden Powell e Hermínio Bello de Carvalho), gravado por Alaíde Costa; "Flor Esmaecida" (Leci Brandão), gravado pela autora em seu primeiro disco em 1975.

O repertório também traz grandes sambas de autoria de Gisa Nogueira, tais como "Opção", "Clementina de Jesus" e "Mandamento".

A poderosa Fabiana Cozza vai cantar "Meu canto sem paz" (Gisa Nogueira), "Resto de esperança" (Jorge Aragão e Dedé). E a fabulosa Dona Ivone Lara interpreta "Minha Verdade", "Em cada canto uma esperança" e "Doce Recordação", entre outras jóias.

Para acompanhar essas divinas damas, um time de primeira estará posicionado: Alexandre Ribeiro (clarinete e clarone), Junior Pita (violão de 7 cordas), Milton Conceição (cavaquinho), Ewerton Gordinho (percussão), Raphael Moreira (percussão), Fernando Moreira (percussão).


A direção musical é de Alexandre Ribeiro e Junior Pita.
Idealização e concepção: Adriana Moreira e Junior Pita.
A produção é assinada por Livia Mannini.

Quando: Sábado (14/03), às 21h; Domingo (15/03), às 18h.
O SESC Vila Mariana fica na Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana.
Ingressos: R$ 30,00 [inteira]
R$ 15,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino]
R$ 7,50 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
Mais informações pelo telefone: (11) 5080-3000

Fonte: DAMAS BAMBAS sábado e domingo no Sesc Vila Mariana

quarta-feira, 11 de março de 2009

HOMENAGEM


À BALA, IMPRENSINHA!
Ops, Juquinha!
fonte da ilustração que ampliei grosseiramente: www.parmerista.com.br

terça-feira, 10 de março de 2009

CENTRO NERVOSO


É o cruzamento movimentado de um centro nervoso, onde os que param de repente se esbarram nos que passam apressados. É um sinal que fecha, um carro que avança, alguém que xinga, que dá um chute ou um tapa nas marchas e contramarchas, pra conter ou descontar a agitação dos problemas.
Um é um homem, pelos trajes que veste. Não muito à moda, que possa aparecer demais, e nem muito fora dela, a ponto de desaparecer entre os coitados que vão e vêm, como operários desse vespeiro. Muito queriam estar nos lugares das rainhas, mas não tiveram sorte ou jeito ou tiveram todo o azar de nascer num cômodo acomodado pela ignorância. Fazem da paciência uma ciência da esperança que não chega lá, já que lá nem todos chegam.
O tal homem não é gordo, ainda que não possa ser chamado de magro. Também não é alto, que não possa rastejar por baixo de uma ocasião ou outra. É honesto, de acordo com as instâncias em que atua. Não é ator. Não que seja verdadeiro por ser o que é. Um homem mente em qualquer profissão. O fato que não se conhece e não aparece testemunha pra reconhecer é que ele pode simplesmente ter se abaixado por um trocado, uma jóia perdida, um recado anotado; pode ter desfalecido, desmaiado ou, mesmo que estivesse descansando, do cansaço que se abate sobre os porcos nos picadeiros.
O homem estava abaixado por uma dessas razões malucas e , quando tomou impulso para se erguer, alguém esbarrou-lhe no rosto, devolvendo-o ao chão. Agora, o homem caiu sentado. Está mais ridículo do que preocupado. Não devia ser assim. Porque, quando planta as mãos para auxiliar os pés, dois ou três dos transeuntes pisam-lhe feio, esmagando-lhe os ossos tortos no asfalto. O homem grita. Não é contra ninguém, ainda. Leva os braços à boca. O farol continua fechado, e ele respira aliviado. Tenta outra vez. Projeta-se para frente, como quem está crente que vai se levantar. Mas tropeça. Se põe a tropeçar e tropeça três ou quatro vezes, até que um joelho obscuro surge do nada e acerta-lhe em cheio o meio da cara assustada com tantas coincidências violentas. Ele cai. Mais uma vez, é sentado sobre o rabo. Aquilo que lhe foi posto entre as pernas não o ajuda em nada nesse suplício. Ele gira sobre as costas, junta mais uma vez as forças, que são cada vez mais fracas. Acocora-se, como um caipira que mastiga a paisagem num graveto, e, num ímpeto, lança-se para cima. É um instante. Logo está sendo posto abaixo pelo ventre de uma gestante que se dirige para o trabalho. Ele tem vergonha de reclamar com essa mulher. E com todas as outras, pois cinco ou seis delas lhe acertam a nuca com bolsadas pesadas. Ele pede perdão. É um ato falho. Pode ser que seja teimoso ou pense que é ousado por cair estarrecido naquele engarrafamento de gente que segue em sua urgência mesquinha e necessária à sobrevivência. São esses mesmos que continuam raspando e batendo no homem, cujas roupas em frangalhos dariam o que falar aos mendigos indignados. Sua pasta de segredos foi arrancada de seus dedos, trêmulos há muito tempo, permanecendo estendida na faixa pintada para os pedestres. Os pedestres continuam andando, como corpos celestes ou partículas de átomos, atônitos para atingir o lado oposto. É apenas um entroncamento, o que o homem destroncado quer alcançar, como qualquer outro. Mas hoje é o seu dia. Está levando porradas por todos os lados do rosto. Seu nariz sangra um jorro adocicado que o danado leva à boca. Os dentes balançam como se conversassem ou trepassem uns nos outros. São crocantes nas entrelinhas do homem, que então resolveu suplicar, no seu desengano, solidão, abandono, burrice ou tontura. Ele chora mais que grita; guincha mais que pede, enquanto seu olho incha a ponto de cegá-lo. E ele apita, como um barco naufragado, na apatia que chove no molhado. Ele está suado. Ofendido, os sentidos embaçados. Insiste em colocar-se em pé. Apenas para cair de quatro, ser mais uma vez chutado pra debaixo do tapete da pista ao sabor de uma boca de lobo. Do meio de um hematoma de arrepiar, o homem ainda lança um olhar embaçado, meio enviesado, pelas nuvens da tempestade que o cerca. Quando ele percebe que ninguém o percebe, coloca suas últimas forças para agarrar-se com unhas e dentes à sarjeta. Mas é tarde. O farol se abre...."

Autor: Fernando Bonassi
Nota: Transcrição, sem autorização do autor, de texto encenado em peça homônima no SESC CONSOLOÇÃO, em maio de 2006.

quarta-feira, 4 de março de 2009

VEJA a FALHA DO S.PAULO


Reescrever a história recente do Brasil referindo-se à odiosa ditadura militar brasileira como ‘ditabranda’, qualificar o MST como assassino, sacralizar o consumidor ofuscando o cidadão e toda a elitização decorrente dessa postura almofadinha, julgar o todo pela parte sem o menor constrangimento, antes pelo contrário, são atitudes que semeiam e refletem insuportável separatismo social, mas também a necessidade de lutar de todas as formas contra os motivos que o geram. De um lado, o Brasil de Frias, Civitas, Dantas e quejandos; do outro, o que vive levando porrada, mas que se organizando, como diz o Chico, pode e vai desorganizar. “Eu quero ver quando Zumbi chegar”.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

DUO MOVIOLA, coisas que você nem imagina


Registro poético do mundaréu que em muitos habita. 'Beijo de sal’, ‘fuligem na calçada’, ‘azar’, ‘um tapa a mais’, ‘linha de fundo’, ‘rosto roto’, ‘macambúzio’, ‘sim e não’, ‘desacato’, ‘lixo’, ‘barro’, ‘válvula mitral’, ‘custo/benefício’, ‘horror’, ‘espelho’, ‘coisas que você nem sonha’, ‘Drummond’, ‘Jaçanã’,‘Radial Leste’, ‘cama pra qualquer vagabundo’. Sampa! Kiko Dinucci e Douglas Germano no recém-lançado cd DUO MOVIOLA expõem parte de sua arte musical com variedade de ritmos, letras, temas, todos sustentados pela capacidade de rir de si próprio. A surpresa das intervenções-interpretações dos cantores-atores revelam não o apego pós-pós ao riso demente, mas sim a perspectiva crítica dos compositores, sustentada pelo conhecimento de causa, aliado ao raro talento que o transforma em Arte. Pela vida que elas incorporam com toda sua graça e desgraça, é inútil falar das canções desses que são dos melhores compositores da música brasileira na atualidade. Elas falam por elas mesmas, assim como pelos olhares de menino falam os gênios de Douglas e Kiko em obras como Cine Star, A Loira do Banheiro, Mal de Percussion, O retrato do artista quando pede.
Não me saem da retina as imagens de Douglas Germano atravessando a rua antes de mostrar para Antonio Carlos Moreira a letra (e música) que acabara de fazer (Por Favor); Kiko Dinucci cantando Roda de Sampa, na Ponte Pequena. Mais de 10 anos que em mim habitam. Um filme que quero viver e vivo.

Deixa o meu nome cair no chão
Deixa, é melhor do que em tua mão
Joga lá na avenida paulista
Meu retrato em plena pista
Juro, será um favor
Lá vivo muito melhor
Mesmo sentindo no peito
As rodas do Penha-Lapa
Cheio de vida, suor e cansaço
Onde não cai teu perfume
Joga que nunca o ciúme
Fará tão bem pra mim
Deixa o meu nome cair no chão
Deixa, é melhor do que em tua mão
Joga na mais escura sarjeta
Os meus dias de enxaqueca
Esse é um outro favor
Lá vivo muito melhor
Mesmo se, quando chover,
Eu me perder com a enxurrada,
Com a bituca, o lixo, o barro,
Ao qual tem horror teu sapato
Joga que teu desacato fará tão bem pra mim
Deixa o meu nome cair no chão
Deixa, é melhor do que em tua mão
Joga com a maior cara lavada
O meu nome na calçada
Só me faz esse favor
Lá vivo muito melhor
Mesmo que acabe encravando
feito tampa de garrafa
sendo pisado ou servindo de cama
para qualquer vagabundo
joga que não é seu mundo,
mas é tão bom pra mim.

Letra de: POR FAVOR, de Douglas Germano